sexta-feira, 23 de junho de 2017

Quando o Heavy Metal está para a contemplação

Metal é música pesada, barulhenta e muito estimulante. A maneira clássica de curtir o heavy metal consiste em usar preto, fazer cara de mal, bater cabeça, no caso balança-la o mais violentamente possível para cima e para baixo e por fim o mosh, jogar-se e bater-se contra os outros fãs com a maior força possível (mas na paz, fique bem entendido). Em resumo, essa é a imagem consagrada de como curtir de maneira saudável um bom show de metal.

Porém, há espécies de metal que convidam a outro tipo de postura, mas calma e contemplativa. Curioso notar que tal tipo de heavy metal ocorra justamente na sua vertente mais extrema e sombria, o Black Metal. É o caso, cite-se como exemplo, do Burzum, projeto de Varg Vikernes, uma das figuras mais controversas do metal, se não da música como um todo, sua proposta nunca foi esse metal citado no primeiro parágrafo, tanto é que ele jamais fez sequer um show ao vivo, aliás jamais tocou Burzum ao vivo, exceto em uma série de vídeos curtos onde ele toca versões de “acústicas” de suas músicas numa guitarra elétrica desplugada na frente de seu computador. O objetivo de Vikernes com o Burzum era criar um outro estado, seus álbuns eram planejados para uma audição solitária, concentrada, que em tese, levaria o ouvinte a outro estado de consciência fazendo-o experimentar de fato o que era tocado nas canções. Para causar esse efeito ele combinou o peso e distorção à uma estrutura de música ambiente com músicas longas, riffs repetidos à exaustão e lentas variações nos ritmos, tornando a música pesada quase num fundo musical para medição. Certamente uma meditação muito mais sombria do que aquela proposta pelo Yôga ou Mindfulness, mas ainda assim uma meditação.

A mesma sensação que me trouxe o Burzum, também senti no trabalho de uma nova banda brasileira de Black Metal chamada Motherwood. Não à toa o Burzum está entre as influências citadas na página da banda, junto com Opeth, Emperor e outras. Eles lançaram um Ep chamado Sadness cuja canção título ganhou um belíssimo clipe. A música é um black metal pesado executado com maestria as influências das bandas citadas fazem-se sentir em sua música longa, com riffs de guitarra repetindo-se criando uma música ambiente sombria que casa com o tema proposto: a agonia da natureza perante à ação do homem. O vídeo é ilustrado com lentas imagens panorâmicas em preto e branco de florestas o que ajuda na imersão. Uma canção que apesar de tão pesada quanto qualquer Heavy Metal convida mais à contemplação do que a “bateção” de cabeça.

Confira:


O que me lembra de outro clipe. Esse do ano passado, de uma banda francesa mais voltada par ao Trash Metal. Para mostrar que heavy metal de contemplação não ocorre apenas no Black. É a música Low Lands do Gojira. Sua construção é mais similar ao Trash Metal, ou seja, numa comparação aqui estaríamos mais próximos do Metallica que do Burzum. Mas há também aqui elementos que dão um ar de música ambiente a Low Lands, casados com imagens belíssimas, oníricas. Foi um dos clipes mais bonitos que vi no ano passado e agora compartilho aqui.

Verdade que nos minutos finais Low Lands perde essa aura contemplativa e caí num trash pesadão, mas até lá ouça e viaje nas belíssimas imagens que se descortinam a sua frente.


Enfim, trago esses dois clipes só pra demonstrar que metal é peso e é brutalidade, mas também é contemplação e beleza. 

domingo, 4 de junho de 2017

Is This The Life We Really Want? - Roger Waters

Vinte e cinco anos depois de seu último disco de rock e aos 73 anos de idade Roger Waters continua inconformado. Ele esteve inconformado nos anos 70 quando fez "The Wall", ele esteve inconformado nos anos 80 quando fez "The Final Cut" e "Radio Kaos", ele esteve inconformado nos anos 90 quando lançou "Amused to Death" e agora, na segunda década do século XXI o baixista do Pink Floyd continua inconformado.

Inconformado com a situação dos refugiados, inconformado com Israel, de fato, puto da vida com Trump, e, provavelmente e acima de tudo, inconformado com o fato de, depois de ter passado os anos 80 sob a sombra dum holocausto nuclear (vide os finais trágicos de Final Cut e Radio Kaos), as pessoas ainda terem de viver com medo.

Essa é a vida que realmente queremos? Pergunta o músico já no título de seu novo disco, provavelmente o título mais relevante que ele poderia dar nos dias atuais. Primeiramente é bom ressaltar que o novo disco de Waters é um disco político, seu questionamento não é filosófico, não trata de questões introspectivas, mas sim de temas atuais e certeiros, sendo que o principal deles ainda é o medo como guia da vida moderna.

“Fear, fear drives the mills of modern man
Fear keeps us all in line
Fear of all those foreigners
Fear of all their crimes
Is this the life we really want? (Want, want, want, want)
It surely must be so
For this is a democracy and what we all say goes”

O discurso poderia soar datado, não muito diferente dos seus discos dos anos 80, mas soa totalmente atual e plausível para os nossos dias. O próprio músico parece perceber isso, já que após uma breve introdução “When we were Young” a faixa seguinte a abrir os disco se chama “Dejá Vú” cuja letra é a gêmea mais sarcástica e amarga de “If” dos tempos do “Atom Heart Mother”. Já “The Last Refugee” tem a beleza cinematográfica aliada à dureza lírica que havia em “The Final Cut”.

Em vários momentos a sonoridade deste disco remete tanto a "Final Cut" quanto a "Animals" dois grandes discos politizados da época do Pink Floyd, “Smell the Roses” por exemplo encaixa-se perfeitamente no estilo do segundo.

A trinca final são três canções de acento folk conectadas entre si, tanto tematicamente quanto melodicamente, são mais melódicas e leves e, diferente do que faria o Waters dos anos 80, terminam o disco com um toque mais esperançoso.


O disco pode até não alcançar o patamar dos clássicos do Pink Floyd (pra mim faltou só uma certa guitarra pra isso, nós sabemos bem de quem), mas com certeza é um dos discos mais relevantes desse ano. Roger Waters é daqueles que ainda creem no poder da música como um catalisador de mudanças e se a mudança não vier,  pelo menos é a trilha sonora mais bela que podíamos ter pra nossa decadência. Ouça!

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Os Descordantes - Quietude



A música romântica sempre fez sucesso no Brasil, do rock ao sertanejo universitário, perpassando pela MPB e o samba, os temas de amores impossíveis, perdidos, encontrados, reencontrados, iludidos e desiludidos, sempre tiveram boa sintonia com o público. Independente do estilo, há uma facilidade do público de se reconhecer nessas histórias cantadas, para cada situação amorosa que se passar na vida há uma música em algum lugar que serve como expressão perfeita para os seus sentimentos.

Os Descordantes entenderam bem essa demanda, cantando desilusões amorosas em diversos estilos: rock, mpb, samba, brega, pop, evitando delimitar-se em um estilo único e denominando-se apenas como música romântica.  Resultou em se tornarem uma das bandas mais queridas da noite Rio Branquense e em seu primeiro disco "Espera a Chuva Passar", um compilado de todas as canções já executadas ao vivo ao longo dos anos, com algumas inéditas. Se o disco não deixou os músicos ricos, com certeza foi um sucesso entre seu público. Tanto que animou a banda a lançar mais um e assim chegamos ao segundo disco "Quietude".

O novo disco é um trabalho mais homogêneo que o anterior, calcado na MPB, trazendo referências a outros estilos e com toques retrô que, a mim pelo menos, remeteram à música romântica das décadas de 50/60. As músicas casam bem com o título "Quietude", mais calmas, leves e introspectivas. A canção de abertura, "Trem Fora dos Trilhos" já mostra a que veio o disco, ao invés dos pesados acorde de guitarra que abrem "Espera a chuva..." aqui é um piano suave que abre os trabalhos numa canção que me remete, em momentos, ao Radiohead da época do The Bends.

Meus destaques vão, em primeiro lugar, para "Desamor", segunda canção do play, de cara a minha favorita e a mais rock'n roll de todas, ela é seguida pela divertida "Iguais" de clima muito agradável, com direito a corinho de "ulálá's", perfeita pra bailezinhos retrôs anos 60. Na sequência a desiludida "Simplesmente" evoca o clima de “sofrência” do primeiro disco, não me chamou muito a atenção de primeira, mas ela vai crescendo na nossa mente, hoje já me pego cantando-a do início ao fim. Pra encerrar os destaques, o brega descarado volta lá pro fim do disco com "Vai Ver", essa utilização inteligente da música brega (daquele tipo que fazia sucesso nas rádios na vozes de Odair José, Reginaldo Rossi entre outros) sempre foi o grande diferencial dos Descordantes, fiquei feliz em ver que eles não esqueceram de prestar sua homenagem ao estilo nesse disco.

Se senti falta de algo, foi de uma maior variedade musical, como disse lá em cima o "Espera a chuva..." transitava, com naturalidade, por vários estilos: rock ("Descrença" e "Porto e o Rio"), samba ("Amigo Amarelo"), brega ("Hombridade" e "Sair Daqui"). Quietude me parece mais focado na MPB, não que isso seja um defeito em si, é mais pra uma impressão pessoal mesmo. Já estou pela décima audição do disco desde que recebi minha cópia (digital) e posso afirmar que essas canções vão crescendo a cada vez que se escuta o disco.

Com Quietude, os Descordantes fincam bases sólidas em sua identidade musical, sólidas o suficiente para sustentar um terceiro disco, se não vários outros.

Audição mais que recomendada.

Os Descordantes - Quietude
Diego Torres - Guitarra/Vocal
Saulo Melo - Baixo
Heriko Rocha - Teclado
George Naylor – Bateria




domingo, 9 de abril de 2017

Songs of Love and Death - Me and That Man


John Porter (esquerda) e Nergal (direita)
Pra quem está acostumado a ouvir Nergal pesado e extremo como líder da banda de Death Metal Behemoth certamente achará estranho e inusitado seu novo projeto Me and That Man. Aquele homem do título trata de um artista do folk chamado John Porter. Juntos ambos trazem luz (ou sombras) a um projeto com influencias como Johnny Cash e Leonard Cohen (repare na semelhança com o clássico Songs of Love and Hate). 

O resultado de um músico de death metal polonês fazendo música tipicamente americana não poderia ser melhor. Songs of... é possivelmente um dos melhores lançamentos do ano. Ao escutar o disco se tem a impressão uma gravação realizada no sul do Estados Unidos, mais provavelmente em Nashville. Temos country sombrio em My Church is Black, que soa como se Johnny Cash tivesse perdido a fé e se revoltado contra Deus; temos blues em Nightride, Shaman Blues, Magdalene, etc.; temos o garage rock de Better The Devil I Know e da canção título Love & Death. Sem um sinal de gutural, Nergal solta um vozeirão grave e profundo, um Cash das trevas, que casa perfeitamente com a voz mais rasgada e áspera de John Porter. 

A temática das letras, não muito diferente do próprio Behemoth, continuam sombrias, blasfemas e despudoradas, afinal que outro artista bota um coral de crianças pra cantar tal refrão:

We aint coming for forgiveness
We’re not paying for our sins
We betrayed you our sweet Jesus
We have chosen hell on earth

Nunca o despudorado deboche de Nergal ao cristianismo soou tão belo quanto nesse disco. Não deixe de conferir.

sábado, 1 de abril de 2017

Resenha - Emperor of Sand do Mastodon


Com um dos melhores trabalhos de vocal de sua discografia, além dos tradicionais peso, técnica e groove, que são marca registrada do Mastodon, esse novo disco supera seu antecessor, embora, do meu ponto de vista, não supere a excelência de The Hunter.
Emperor of Sand traz um toque mais melódico às canções, que longe de lhes tirar o peso, enriquece-as dando ares ora épicos (Jaguar God), ora introspectivos (Roots Remain). Conta ainda com a canção mais pop da banda "Show Yourself", cativante à primeira audição.
Há uma utilização maior dos vocais do baterista Bran Daylor, mais limpos, além do que Troy Sanders (baixo) e Brent Hinds (Guitarra) ambos vocalistas também, aliás os principais vocalistas na fase inicial da banda, vêem reduzindo o gutural e cantando mais limpo. O que pode tirar a agressividade do som, por outro lado abre horizontes pra banda explorar seu lado mais pop e produzir hits mais palatáveis para quem não é iniciado ao som.
Arrisco a dizer que esse é o disco mais leve da banda, ainda que soe como uma pedrada pra quem não é do meio do Heavy Metal, e o Mastodon parece contente em seguir por esse caminho. E eu tenho me agradado demais com esse viés, embora adore a primeira e mais agressiva fase da banda (dica: é ótimo pra se exercitar), essa nova fase tem mostrado que os músicos, além de competentíssimos compositores de Metal, também são ótimos compositores de melodias.
Gostei e recomendo.



domingo, 12 de março de 2017

Celulares e Gorilas - dois filmes com Samuel L Jackson

Sou fã de Samuel L Jackson desde seu famoso monólogo Ezekiel 25, 17 em Pulp Fiction e sinceramente acho ele um excelente ator. Porém, Jackson, apesar de talentoso, parece não se importar muito em fazer filmes B, aliás, não se importa em fazer filmes toscos mesmo, como esquecer o clássico Serpentes a Bordo ou aquele dos tubarões cujo nome nem lembro. Com certeza ele tem cacife suficiente para escolher só filmes fodões pra estrelar, mas acho que o maior interesse do velho Jackson é mesmo se divertir fazendo seu trabalho.

Particularmente não me importo, até me agrada saber que posso ver um dos meus atores favoritos brilhando num filme do cacife de Tarantino, num blockbuster da Marvel ou na produção B de um diretor que nunca ouvi falar com dois ou três filmes igualmente desconhecidos no currículo. O problema é quando o filme, além de B, é ruim e apesar de ter Samuel L Jackson ele atua tão mal quanto um ator de novela religiosa da Record, como ocorre no filme abaixo:


Cell (2016) - de Todd Williams 


Num belo dia um artista gráfico, Clay Riddel, desembarca no aeroporto de Boston quando todas as pessoas ao seu redor enlouquecem de uma vez e começam a agredir bestialmente umas as outras devido um sinal misterioso que sai dos celulares. Armado unicamente com seu portfólio, já sacando que tem uma parada apocalíptica rolando ele parte rumo a sua casa para salvar sua família (o clássico herói americano), no caminho ele encontra seus companheiros de jornada Tom e Alice, dois personagens convenientemente sem família pra salvar, que na falta de coisa melhor que fazer seguem com Riddel na sua jornada.

Lá fora o mundo tá dominado pelos zumbis (?), boto a interrogação, porque os sujeito não comem gente, simplesmente matam e depois começam a transformar os outros em zumbis também, mas não mordendo, lembra do sinal que saia do celular, pois então, ele começa a sair da boca dos sujeitos e enlouquecem (zumbificam) quem escuta esse troço perto do ouvido. No mais é isso, eles vão viajando por ambientes desertos com relativa segurança já que os tais zumbis desligam a noite, encontram outros sobreviventes e vão avançando até chegarem no final mais anti-climático possível. Tá vendo essa foto aí em cima, que remete a algum clássico de George Romero, pois é, lorota, mal aparecem cinco zumbis por cena e não vi helicópteros no filme.

O filme é baseado no livro Celular do Stephen King, que na moral, já escreveu coisas melhores, mas o livro até traz umas premissas interessantes, que bem exploradas por um bom diretor e roteirista podiam ter deixado esse filme muito mais interessante. Os zumbis são telepatas, comunicam-se entre si e funcionam como um organismo único, a noite todos param e ficam ouvindo uma misteriosa música que sai de seus aparelhos celulares e outros equipamentos eletrônicos que são reunidos pelos próprios zumbis. Com o tempo essa telepatia começa a afetar também os sobreviventes que são guiados contra a vontade para onde os zumbis desejam que eles vão, ou seja, além do incomodo fato de ter que lidar com o fim da civilização como a conhecemos e sobreviver a ataques de zumbis, nossos heróis precisam lidar com o fato de que os falecidos leem mentes e sabem exatamente tudo o que eles estão pensando. O plano pra deter as criaturas envolve uma trama até bastante engenhosa envolvendo o suicídio do cara de teve o plano e Clay Riddel, nosso heróis tendo que dar uma de Sherlock Holmes e sacar de última hora qual a ideia do sujeito pra destruir os zumbis telepatas. Isso ocorre lá pelas ultimas partes do livro e é a parte mais interessante.

Ocorre que no filme isso é aproveitado tão superficialmente que deixa até de fazer sentido, principalmente levando em conta o final sem noção, aliás, noção tem, não teve foi graça. 

Onde Jackson entra nessa história, ele faz o papel de Tom, o amigo de Clay Riddel, que é interpretado por John Cusack e só posso pensar que tanto Jackson quanto Cusack tavam devendo um favor a alguém pra terem feito uma atuação tão ruim e de má vontade, ambos estão no piloto automático, não conseguem fazer outra expressão que não a de tédio. O mundo tá acabando ao redor e eles com cara de fila de banco. Credo!

Esse filme podia ter sido dirigido por Eli Roth, que provavelmente não teria um pingo de respeito pelo roteiro de Stephen King (sim, foi o próprio escritor que conseguiu estragar ainda mais a própria história) e quem sabe teria entregado um filme decente. Isso já ocorreu antes em O Nevoeiro e ainda antes com o Iluminado, Kubrick transformou um livro bom num filme clássico, King odiou, mas se for pra King amar as adaptações de seus livros e entregar coisas como Cell, seria bom que os diretores dessem um foda-se pro que pensa o escritor. 

Kong - A Ilha da Caveira (2017) - de Jordan Vogt-Roberts
A nova releitura do clássico filme do Gorilão também tem a participação de nosso querido Samuel L Jackson, que aqui também, não entrega todo seu potencial de atuação, mas comparado a Cell essa atuação valia até um Oscar.

O filme acompanha a história de Bill Randa um executivo, empresário, sei lá o que de uma empresa que leva uma expedição a uma ilha desconhecida (no pacífico? Deve ser, sempre é no pacífico, não lembro bem desse detalhe), isso logo após o final da Guerra do Vietnam. Na expedição estão a tropa do Coronel Preston Packard (Jackson) o clássico chefão militar enlouquecido pela guerra, aliás, frustrado pela rendição dos Estados Unidos e louco pra comprar e vencer uma briga nova. Mas além das tropas Randa precisa de um especialista em sobrevivência na selva e vai a um puteiro na China encontrar James Conrad (Tom Hiddelston, num puteiro? Na china? É sério que eles querem me convencer que se vou num puteiro chinês em meados dos anos 70 vou encontrar Tom Hiddelston jogando sinuca e comprando briga lá, não cara, não convence) o mateiro, digo o guia da expedição, e por motivos que sei lá, levam também uma fotografa pacifista Mason Weaver (Brie Larson).

Formada a comitiva eles vão pra ilha, chegam lá de helicóptero, jogam bombas pra testar a sísmica do solo, o que irrita pra cacete o Kong que aparece do nada e mata metade da galera, o resto sobrevivente se divide em dois núcleos, os bonzinhos Hiddelston e Larson e os militares liderados por um emputecido Samuel L. Jackson que não quer nem saber de sair da ilha, quer é matar o macacão. 

O núcleo bonzinho obviamente vai encontrar a clássica tribo que mora na ilha, um sobrevivente americano da Segunda Guerra pra fazer a ponta comunicacional e vão aprender a história e Kong e como na real ele é o bonzinho e não vilão. Esse núcleo não funciona muito bem, o personagens não tem arco e entram e saem do filme do mesmo jeito, esquecíveis, exceto Hank Marlow, o sobrevivente da segunda guerra, uma graça do início ao fim do filme. O núcleo militar funciona melhor, são divertidos e muitos deles fazem a evolução do personagem na história, o que faz a gente realmente se importar com eles, já Packard, o coronel malvadão, faz o arco inverso, começa ruim e termina pior ainda em sua obsessão com uma vitória.

Lendo até aqui pode parecer que não gostei do filme, pelo contrário, eu adorei. Se seus personagens humanos não são lá essas coisas todas, isso pouco influencia, porque o filme não é sobre eles é sobre Kong e sua Skull Island, e que gorilão da porra senhores, o maior já feito no cinema, a ilha é belíssima, o que é ressaltado por uma fotografia sensacional, ótimos efeitos e cenas de ação de tirar o folego e afinal foi isso que os trailers prometiam e é isso que o filme entrega (e foi pra isso que fui cinema). O diabo do macacão faz picadinho de helicópteros, destrói montanhas, desse o cacete em lagartões gigantes em cenas muito influenciadas pela estética dos animes orientais. 

Kong é uma ótima atualização de história clássica que não busca prestar homenagens, mas abrir possibilidades pra exploração de novos horizontes, dizem que a intenção da legendary é criar um universo de monstros onde Kong, Godzila e até mesmo os Kaijus de Pacific Rim co-existam numa mesma realidade ficcional. Mas se não der certo também é um excelente filme de Kong, deixa um gosto de quero mais ao final. 

Ah, falei de Samuel L Jackson no início, pois bem, ele atua bem, cumpre seu papel, mas uma direção melhor dava pra ter espremido um pouco mais do ator e deixado seu personagem mais marcante. Não faz feio, mas a gente sabe dos potenciais de Jackson quando bem dirigido.


domingo, 12 de fevereiro de 2017

Escuta só: Figueroas


Quem aí tem saudade da Lambada? Quem ainda sabe o que é lambada? Bom, quem quiser relembrar ou conhecer uma boa opção é o grupo Figueroas que lançou seu segundo disco "Swing Veneno" nesse mês de fevereiro e é simplesmente sensacional.

Totalmente dançante, com letras minimalistas e bem humoradas o grupo resgata a Lambada com muita dignidade e estilo em músicas curtas e muito bem arranjadas. Não deixe de conferir.

Forte candidato a disco do ano (na lista Seringueiro Voador, é claro), já posso dizer isso.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Estrelas Além do Tempo - Figuras Escondidas

A segregação ao negros nos Estados Unidos era rídicula, matemática é incrível, a ciência levou homens ao espaço na ponta de um lápis. Essas foram algumas das impressões que ficaram em mim ao terminar de assistir o filme Estrelas Além do Tempo. Ou como no título original Figuras Escondidas. É exatamente disso que trata o filme, figuras que ficaram nos bastidores, figuras cujas inteligências eram usadas para o progresso da ciência, mas destinadas a permanecerem nas sombras.

A história é focada em Katherine, exímia matemática chamada para realizar cálculos e conferir as contas do grupo de cientistas responsáveis por levar o primeiro homem ao espaço. Além de contar também com duas coadjuvantes de peso Mary e Dorothy, ambas personagens fortes com arcos completos no filme. Todas as três mulheres, negras e talentosas, buscando a chance de serem reconhecidas numa sociedade extremamente racista como era o sul dos Estados Unidos na década de 60.

A segregação aos negros nos EUA, um dos focos principais do filme, é exposta ao ridículo, pois é mostrada com uma certa dose de ironia-cômica, as personagens não tomam a posição de vítimas e usam de toda sua esperteza para contornar as situações em que são colocadas por sua cor (vide a cena em que Mary consegue na justiça sua vaga para faculdade). Só Katherine protagoniza uma cena mais dramática envolvendo a questão racial, quando leva a famosa "mijada" do seu chefe por seu ausentar por quase 40 minutos por dia e ela joga na cara dele que tem que mijar no banheiro de negros há quase 800 metros do prédio onde ela trabalha, tomar café frio numa garrafa separada e receber um salário menor que seus colegas brancos.

Kevin Costner faz o chefão branco bonzinho Al Harrison, um personagem meio clichê, mas muito bem construído. Um personagem interessante, apesar dele próprio não se importar com questões de cor, também nunca tinha prestado atenção ao ridículo da situação que sua funcionária negra passava todo dia, até que ela finalmente lhe joga na cara. Jim (Sheldon Cooper) Parsons faz o papel do branco antagonista, mas que por fim acaba reconhecendo a capacidade de Katherine a cada sucesso matemático que ela vai conseguindo.

Katherine é uma personagem incrível, sempre ciente de sua situação ela vai, com inteligência e aos poucos, impondo sua inteligência sobre um grupo de homens brancos hostis, mas não tão bons quanto ela, galgando seu lugar onde jamais se imaginou que ela pudesse estar. A coroação de seu personagem acaba ocorrendo com Parsons cedendo e a tratando com o uma igual ao final do filme.

Outro foco incrível do filme é a ciência, um grupo de pessoas focados em levar o homem ao espaço, tendo que fazer cálculos jamais feitos antes. Levando o homem ao espaço graças a cálculos extremamente específicos feitos na ponta do lápis/giz. Além do que, cada vitória científica eram sempre os momentos em que a questão racial sumia no filme e todos esqueciam suas diferenças e focavam-se apenas em duas coisas: o sucesso da missão e derrotar os comunistas. Sim, obviamente temos citações à corrida espacial e á Guerra Fria, do ponto de vista "Deus Salve a América" é claro.

Mahersala Ali, que já tinha roubado a cena em Luke Cage como Cotton Mouth, aparece numa ponta aqui como interesse amoroso de Katherine, embora seu personagem não envolva a trama principal, esse cara é um ótimo ator, quero muito ver ele em Moonlight. Foi só eu ou alguém mais achou o Costner a cara do Michael Keaton nesse filme?

E o que dizer do trio principal de atrizes? Taraji Henson, Octavia Spencer e Janele Monae, brilham como verdadeiras estrelas em seus personagens. Você se identifica com elas, você torce por elas, você vibra com elas a cada vitória sobre a sociedade. Elas não deixam suas personagens caírem na pieguice, dominam as cenas em que aparecem.

Ao final das contas é uma história de superação, socialmente e cientificamente falando. É inspirador, olha eu gostaria de ter visto filme assim quando ainda tinha idade pra querer aprender matemática ou ser engenheiro. Quanto ao Oscar? Ainda sou #TeamAChegada, mas esse é um excelente filme, recomendo fortemente que você assista!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

40 anos do porco voador


Animals, décimo álbum do Pink Floyd, foi lançado no dia de hoje, 23 de janeiro, há exatos quarenta anos. A banda já tinha lançado dois discos marcantes "The Dark Side of The Moon" e "Whis You Where Here" que catapultaram a banda de mais um grupo de progressivo para fenômenos pop. Verdadeira máquina de lotar estádios e fazer dinheiro. 

Foi a partir de Dark Side que as letras de Roger Waters começaram a se tornar cada vez mais ácidas, processo que continuou em Whish... tornando-se, em Animals, também politizadas. O álbum, conceitual assim como seus antecessores, baseia-se livremente no livro de George Orwell, "Animal Farm" (A Revolução dos Bichos). Assim como Orwell fez uma metáfora da Revolução Russa usando animais, Waters faz uma metáfora da sua sociedade dividindo-a em cães, porcos e ovelhas. "Dogs" representando os homens da lei, "Pigs (Three Different Ones)" os políticos corruptos e "Sheeps" o povo sem pensamento próprio seguindo o líder. 

Musicalmente o disco oferece uma sonoridade mais enxuta, embora o disco seja basicamente composto de três longas canções mais uma curta e acústica introdução e encerramento. Há um peso maior nas canções e uma grande dose de ironia em cada uma, cortesia da vocalização de Roger Waters que exala sarcasmo no seu modo de cantar, ele canta em todas as canções do disco, Gilmour apenas canta a primeira parte de Dogs, de voz mais suave e melodiosa, faz com que o início de Dogs seja a única parte do disco que lembra a beleza onírica dos discos anteriores. Não que isso seja ruim, sendo a proposta de "Animals" ser uma paródia da sociedade britânica dos anos 70, o estilo de Waters cai como uma luva.

Outra característica interessante desse disco foi a notável redução da participação dos demais membros da banda. Waters é quem compôs a maior parte do disco e seu estilo claramente domina as canções, Gilmour divide com ele a composição de Dogs, mas só. Richard Wright não compôs nada para esse disco, isso apesar seu teclado ter destaque em diversos momentos do álbum, Nick Manson já não costumava compor muito na banda, mas sua bateria lenta e ritmada também é um ponto marcante do Floyd.

O relacionamento entre os membros do Pink Floyd já não andava bem no período de Animals e só pioraria causando o desmantelamento da banda na década de 80. Waters nesse período começou a acreditar que era o único grande compositor da banda e que era ele que a carregava nas costas, logo começou a querer se impor cada vez mais sobre seus colegas. Durante a turnê de Animals, irritado com um fã, Waters lhe cuspiria na cara, situação que o levou a imaginar um muro separando a banda do público. Essa ideia, somada a seus diversos traumas de infância, mas sua pose ditatorial sobre os rumos do Floyd culminariam num clássico chamado "The Wall", para o qual Animals funciona como uma forma de preparação, um ponto de ruptura do Pink Floyd a banda para o Pink Floyd de Waters. 

Obviamente a banda não sustentaria muito depois disso, e jamais seria a mesma depois, deve ser o preço que se paga por gerar tantas obras primas, mas estou me adiantando, a questão é que toda essa crise começou em Animals, ouça!



Caso alguém tenha se perguntado: por que porco voador no título, a foto que ilustra essa matéria e da estação termelétrica Battersea em Londres, a banda encomendou um porco gigante inflado a hélio pra ficar flutuando sobre a estação enquanto a equipe de fotógrafos registrava vários ângulos da imagem. Ocorreu que o porco se soltou dos cabos que o seguravam e saiu flutuando, mais tarde chegou a ser recuperado, mas no final das contas usaram um foto sem o porco e colaram a imagem por cima para a capa.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Jack the Joker na Progressive Metal do Spotify

Já falei da Jack The Joker por três vezes nesse espaço aqui, aqui e aqui  e por que tanta insistência em falar dessa banda? Porque acho eles muito bons. É uma das minhas bandas nacionais favoritas desde que meu amigo Oscar me apresentou eles, lá por 2013 eu acho. Em 2014 eles lançaram o primeiro disco In The Rabbit Hole e foi quando tive certeza que essa banda merecia ser conhecida e reconhecida no cenário metal nacional. 

Hoje o mesmo amigo que me apresentou a banda me avisou que duas músicas dos caras tinham entrado em um playlist oficial de Progressive Metal do Spotify, conhecido servido de streaming que vivo usando aqui no blog. As músicas "Volte Face" e "Brutal Behavior" tão lá listadas ao lado de nomes consagrados do Prog Metal como Dream Theater, Symphony X e Evergrey. 

Ainda não é o Grammy, mas um dia eles chegam lá. Acredito muito nessa banda. A playlist você confere aí embaixo.



domingo, 15 de janeiro de 2017

Sepultura - Machine Messiah

Existem duas coisas nas quais o Sepultura não tem interesse. Uma é perder sua identidade e a segunda é se repetir. Há uma pequena interseção entre esses dois pontos onde a banda consegue fazer um trabalho original sem deixar de ser quem é. Machine Messiah, seu 14º disco, consegue acertar precisamente nesse ponto ao se mostrar um disco moderno, original, inovador e ousado, até onde o limite da prudência admite para que sua sonoridade não deixe de soar Sepultura.

Muito da inovação nesse disco, a própria banda credita ao seu produtor, o sueco Jens Borgen, que teve total liberdade para opinar e trazer novas idéias às composições, tornando-se de certo modo o quinto integrante do Sepultura nesse disco.

Vemos um Sepultura trazendo elementos novos às suas composições. Um deles, cortesia de Borgen, é a orquestra tunisiana que dá um leve toque médio oriental às canções "Phantom Self",  "Sworn Oath" e "Resistance Parasites", sonoridade que caiu muito bem no som da banda, muito mais do que uma orquestra ocidental teria conseguido.

Outra novidade é Derrick Green explorando outras facetas de sua voz na faixa título "Machine Messiah", uma canção pesada, sombria e climática, e na música de fechamento "Cyber God", dois momentos em que o Sepultura soou, pelo menos para mim, como o Machine Head em seus mais recentes trabalhos, mas sem deixar de lado as características sonoridades do Sepultura, seja nos riffs ou no ritmo da bateria.

O Sepultura clássico aparece nas faixas "I am the enemy" e "Vandals Nest", trash acelerados, baseadas em riffs certeiros de Andreas Kisser, serão excelentes trilhas sonoras para as rodas de mosh quando tocadas ao vivo.

"Aletheia" para mim foi o patinho feio do disco. Mostra as capacidades técnicas da banda, com destaque para o baterista Eloy Casagrande, entretanto, apesar de ser uma composição ousada, para mim foi exagerada, tornando-se confusa.

A instrumental "Iceberg Dances" reúne o que de melhor tem o Sepultura, bons riffs, muito groove, musicalidade latina com utilização de instrumentos acústicos dando uma bela adição de harmonia ao peso da banda. A canção do disco que mais remete aos tempos de Chaos A.D. e Roots.

Machine Messiah é um dos discos mais interessantes do Sepultura, para mim é consideravelmente superior aos dois últimos "Kairos" e "The Mediator...", isso porque me mostra um Sepultura interessados em fazer coisas novas e com resultados excelentes como foram nos discos "Dante XXI" e "A-lex", discos que eu mais gosto da era Derrick Green. Torço para que a banda faça mais lançamentos como esse, com o olhar no futuro.

Disse lá no primeiro parágrafo que o Sepultura não é uma banda interessada em perder sua identidade, bem, se nos próximos lançamentos eles quiserem abrir mão um tiquinho mais da identidade em busca de novos sons, eu certamente não vou achar ruim. E você?





quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Moana - Um mar de aventuras ou uma jornada de autoconhecimento

Em determinado momento do filme Maui, o semideus, define a aventura como saber para onde se quer ir, sem que esquecer por onde você já passou. Alcançar esse equilíbrio entre o familiar e o desconhecido, passado e presente, o tradicional e o novo parece ser a verdadeira busca da jovem heroína do mais recente filme da Disney: Moana - Um Mar de Aventuras.

A jornada de Moana traça vários paralelos com o conceito de jornada do herói: o chamado para aventura; a reticência do herói; o mestre, no filme representado pela avó; o aliado, Maui (Semideus, transmorfo, heroi do mundo, em sua própria descrição); a superação dos primeiros desafios; uma ligeira derrota traumática e por fim a recompensa. Todas as características do estilo estão lá, entretanto, é em sua conclusão que Moana se revela muito mais uma jornada de autoconhecimento. 

Saber quem você é e onde está é a tônica que guia o filme, tanto em sua narrativa quanto nas canções tema que o embalam, todas excelentes diga-se de passagem. Da tradicionalista e conservadora Where You Are (Onde você está), cantada pelo pai de Moana, apegado a terra e à tradição de seus antecessores, à linda How Far I'll Go (Quão longe irei), onde a personagem principal expressa seu desejo de saber até onde pode chegar através do oceano, passando pela, também linda, Whe Know The Way (Conhecemos o caminho), canção dos ancestrais de Moana. 

A chave para o sucesso da aventura surge justamente quando Moana, após todos os quilômetros percorridos, lembra quem é e de onde veio e percebe onde quer chegar alcançando assim o equilíbrio entre as duas vontades conflitantes dentro de si o que a leva a descobrir quem ela é, e tal qual seus ancestrais, saber o seu caminho. E é através desse conhecimento que a personagem percebe que ao final não havia real vilão a ser derrotado, apenas recuperar o que há muito tempo fora perdido, tanto para si, quanto para Te Fiti, quanto para sua vila. 

Tudo isso é mostrado de forma leve, com muito humor politicamente correto e, o que mais me impressionou num filme da Disney, uma pequena dose de auto paródia (repare a descrição de Maui sobre princesas ou a cena pós créditos com Tamatoa o caranguejo gigante). 

Os critério técnicos da animação são soberbos de bons, o movimento das roupas, do mar da natureza são tão perfeccionistas que nos fazem sentir a ambientação. Chega a impressionar saber que é o primeiro trabalho em CG dos diretores. A trilha sonora, também é um espetáculo a parte, é a mais bonita dessa mais recente safra de filmes Disney. 

Um filme infantil sem dúvida, mas recomendado para todas as idades.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Dos Compromissos de ano novo

Obrigado eventual leitor que acompanha meu blog, eu sei que pelo menos um leitor fixo eu tenho, além de eu mesmo óbvio. Pretendo escrever mais esse ano. Mais e melhor. Não vou estabelecer metas, elas foram feitas pra gente deixar de lado ao longo do ano, vou estabelecer um compromisso. Não deixar a preguiça vencer, forçar minha mente a produzir.

É um compromisso não especialmente para esse blog, mas para vida, venho forçando isso desde 2015. Até essa data eu estava num ostracismo, tinha caído naquela zona de conforto que não exatamente onde a gente quer estar, mas também não é tão ruim. Resolvi sair, não exerci a faculdade que me formei, não gostava mais do curso que eu estava fazendo (fazendo não, empurrando com a barriga), então, qual o sentido disso? Queria estudar algo e exercer esse algo no futuro, não ficar na zona de conforto achando que todos os meus anos de faculdade foram em vão. Voltei para a faculdade no curso que eu queria estar e estudando a sério.

Outra coisa foi a leitura, estava lendo pouco, muito pouco. O que não me era natural há alguns anos, quando lia muito e lia de tudo, ano passado foi o ano de voltar ao hábito da leitura. Hábito que esse ano pretendo expandir, junto com outro hábito que há muitos anos deixei para trás, mas que me faz falta, escrever, não que eu não tenha escrito, mas escrevi pouco, muito pouco e não gostei de maior parte do que escrevi. Quero escrever mais esse ano, quero tornar um hábito de novo e quem sabe até o fim do ano eu escrevo algo que preste.

Esse ano também quero fazer algo que já fiz na infância, mas fiz de forma muito ruim, video games. Bateu uma vontade de jogar, já sei até o jogo que quero. Esse objetivo é um pouco mais dificil porque envolve investimentos financeiros, mas vá lá, a gente dá um jeito, até o fim do ano quero ter aprendido a jogar aquele jogo, depois a gente aprendendo o resto.

Então, eventual leitor, espero que você veja atualizações mais constantes aqui no blog, se você ver então terei cumprido meus objetivos.

Feliz Ano Novo, do fundo do meu coração não acho que o ano vá ser lá essas coisas, mas um bom ano se constrói baseado em como a gente enfrenta as adversidades que vêm de encontro a nós. Pra encarar esse ano transcrevo pra vocês Resist do Rush. Força aí e bom 2017

Resist

I can learn to resist
Anything but temptation
I can learn to co-exist
With anything but pain
I can learn to compromise
Anything but my desires
I can learn to get along
With all the things I can't explain
I can learn to resist
Anything but frustration
I can learn to persist
With anything but aiming low
I can learn to close my eyes
To anything but injustice
I can learn to get along
With all the things I don't know
You can surrender
Without a prayer
But never really pray
Without surrender
You can fight
Without ever winning
But never ever win
Without a fight