Pular para o conteúdo principal

Contratempos no Trânsito.

Era uma manhã comum, num engarrafamento comum, com um Cidadão Comum. Nosso herói estava atrasado para o trabalho, e como desgraça pouca não tem graça, aquele era um daqueles dias de reunião EXTREMAMENTE IMPORTANTE PARA O FUTURO DA EMPRESA, ou coisa que o valha. Claro que justamente neste dia o trânsito tinha que estar mais lento que jabuti, além do que o carro imediatamente a sua frente estava mais lento que lesma, chegou a demorar cinco minutos para sair no sinal verde da ultima vez, quase nosso amigo ficava parado de novo.

Seguindo a passo lento outro sinal vermelho. O Sol já estava quente aquela hora, o rádio tava quebrado e o cheiro de cano de descarga perfumava o ar. Enfim veio o sinal verde. Porém. Nenhum movimento no carro da frente.

Educado o cidadão comum deu um suspiro “Ai Meu Deus hoje vai ser um dia daqueles”, e como seria, conjuntamente com uma educada buzinada dupla. Nada. O sujeito na frente só podia ter dormido no transito. Mais uma buzinada dupla, dessa vez mais prolongada, pra ver se o cara se mancava de vez. Ainda nada. O Cidadão Comum, se remexeu desconfortável, coçou a nuca de mais uma vez buzinada, agora acompanhado de um levemente irritado “Amigo acorda aí!”. Nada de novo.

Claro que o pessoal atrás já tava puto, o sinal ficara vermelho de novo. E lá ficou o cidadão comum dando compulsivas olhadelas no relógio. Sinal verde e nem sinal de movimento.

PAAAAAAAAAAAAMMMMMMMMMMM!!!!!!!!!!!!!!!!!!

“Anda aí cacete!”, dessa vez decidiu o Cidadão Comum por um tom mais ameaçador, porém nada, o cara na frente não se mancava de jeito nenhum. Nova buzinada, prolongada e irritante acompanhada do bom e velho. “Não me faça ir aí!”. Ameaçador, mas ineficaz, o carro não se mexia. Muito puto, nosso companheiro respirou fundo, olhou o relógio e por algum motivo que mais tarde ele não soube explicar, conferiu se a braguilha estava devidamente fechada.

Saiu do carro, bateu porta com violência, fez cara de macho e encostou na janela do carro da frente. “Afinal de contas qual é o teu problema ?!”,começou ele cheio da razão, até ele identificar qual o problema do sujeito. Estava morto. Da Silva, era o nome escrito no crachá do defunto. Sabe-se lá o motivo causa ou circunstância.

Claro que nosso amigo chegou atrasado no trabalho, a reunião já fora, e seu chefe adentrou sua sala soprando fogo pelas ventas. “Mas eu não lhe falei a importância dessa reunião?”, acuado e meio que gaguejando ele contou sua história. Ao terminar rolou aquele minutinho de silêncio tenso. “E o senhor de fato crê que eu vou acreditar em tamanho besteirol? Essa foi a pior desculpa que eu já ouvi. Vou descontar essa horas do seu salário.”, infeliz e sem saída o cidadão comum aceitou.

“Bem, agora vou ter que sair.”, disse o chefe, “Não devo voltar por hoje. Minha mãe ligou, meu Tio Da Silva sofreu um infarto no trânsito, também como todo aquele stress da manhã”.

Sem saber se gritava, quebrava alguma coisa ou simplesmente tomava um copo d’água, o Cidadão Comum sentou em sua cadeira. Decidiu por fim jogar uma partida de Paciência.

Comentários

Samuel Bryan disse…
engraçado, eu li esse texto e lembro de ter comentado...
vc apagou meu comentário?
ou deu erro?
ah, sei la...
enfim, comento de novo, mas eu ja comentei dizendo q o texto tava bom, alias, eu nao falei so isso na situação, eu disse um monte de coisa, mas eu nao vou repetir nao
vou so dizer: vamo atualizar? ta parecendo eu

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha - O Rei de Amarelo de Robert W. Chambers

  Publicada em 1895, pelo autor americano Robert W. Chambers, O Rei de Amarelo é uma coletânea de nove contos sendo os quatro primeiros de horror sobrenatural centrados numa peça fictícia, que leva o mesmo título da coletânea, e supostamente causa loucura em quem a lê. Os demais textos alteram-se entre temáticas fantásticas diversas, e contos mais realistas centrados ou no drama ou no romance. Mas é claro que o crème de la crème do livro são os contos de horror do Rei Amarelo. Esses contos influênciaram vários autores como H.P. Lovrecraft que inclusive incluiu elementos do Rei de Amarelo em sua mitologia de horror cósmico envolvendo a entidade Cthulhu tais como Hastur, Carcosa e o emblema amarelo (falaremos deles mais adiante). Elementos estes que também aparecem na primeira temporada da série True Detective, o que evidencia como a influência da literatura de Chambers tem sido duradoura, afinal é um livro de mais de cem anos de idade. Quantos aos contos segue um breve sinopse de ca...

Resenha: Uma Confraria de Tolos de John Kennedy Toole

“Quando surge no mundo um verdadeiro gênio, pode-se identificá-lo por este sinal: contra ele juntam-se em aliança todos os tolos” Jonathan Swift Ignatius J. Reily, intelectual obeso, desagradável, preguiçoso e egocêntrico, passa os dias trancado em seu quarto de camisolão rabiscando em seus cadernos suas invectivas contra a idade moderna ao mesmo tempo em que sofre de seus intensos problemas de gases. Ignatius é uma mente medieval que foi lançada catastroficamente no século errado. Para ele, o iluminismo foi uma grande mentira, a cultura não passa de um amontoado de afrontas aos bons costumes e a decência. Toda sua visão do mundo é embasada nos pensadores medievais como Boécio e Tomás de Aquino, além dos quadrinhos do BATMAN. Este é o (anti) herói dessa obra única de J. K. Toole. A história começa quando sua mãe o obriga a sair às ruas em busca de emprego, porém sua mera presença fora do lar atrai uma série de desventuras quixotescas que quase sempre acabam em co...

Um país que cresce pouco e paga caro: o retrato econômico de 2025 na análise do PCB

  Em um momento em que o debate econômico volta ao centro da vida nacional, o economista Edmilson Costa apresenta no site do Partido Comunista Brasileiro (PCB) o artigo “Um balanço da economia brasileira em 2025” , trazendo uma análise crítica sobre os rumos do país. O texto questiona a qualidade do crescimento registrado no último ano, sustentado sobretudo pela exportação de commodities e por setores de menor valor agregado. Costa também chama atenção para o baixo nível de investimentos e para a desaceleração econômica observada ao longo de 2025. Um dos eixos centrais do artigo é a crítica à política de juros elevados conduzida pelo Banco Central, apontada como um dos fatores que restringem o consumo, o crédito e a expansão produtiva. O autor também aborda os impactos sociais desse modelo, como a manutenção de salários baixos, além de comentar medidas recentes que buscam aliviar a carga tributária sobre trabalhadores. Vale a leitura para quem quer entender — e questionar — os...