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Mostrando postagens com o rótulo Música

Lux Vivens: a música medieval de Hildegard von Bingen pelas mãos de Jocelyn Montgomery e David Lynch

Santa Hildegarda de Bingen, ou em alemão Hildegard von Bingen , foi uma mulher marcante: monja beneditina, mística, escritora, teóloga, dramaturga, poeta e, principalmente, compositora. Viveu entre 1098 e 1179, na terra que hoje é a Alemanha. Foi canonizada em 1584, embora a canonização formal só tenha sido reconhecida oficialmente em 2012, pelo então Papa Bento XVI. A obra musical milenar de Hildegard faz parte da música sacra medieval de seu tempo, ou seja, sua obra está completamente ligada a seu trabalho teológico, tem cunho moralizante e pedagógico de acordo com a doutrina cristã medieval que era pregada pela compositora. Não esquecer que estamos frente à obra musical de uma santa católica. Mas o que realmente é interessante na obra é que esta foi inspirada por visões da santa. Acredita-se que ela não tenha recebido uma educação formal nos moldes que hoje conhecemos e que sua inspiração para a escrita, para a música, para a medicina e para a teologia lhe viesse pela inspiração di...

Angels Cry - Um marco histórico do Heavy Metal brasileiro

  Hoje o disco de estreia do Angra, Angels Cry, completa 32 anos de existência. Gravado na Alemanha e cantado totalmente em inglês o disco foi o ponto de partida de um dos mais conhecidos nomes do Heavy Metal brasileiro. Filho de sua época, o álbum é uma mescla de um Heavy Metal muito técnico, composto e executado por músicos profissionais e estudantes de música, com influências de música clássica e (no que é o diferencial da banda) musicalidade brasileira. O resultado foi um disco que marcou sua época e transformou o Angra numa banda que é até hoje referência no estilo. Musica importada, mas com um toque brasileiro Como disse antes, o disco é totalmente cantado em inglês, uma característica peculiar do Heavy Metal que mesmo tendo sido adotado como estilo pelos artistas brasileiros continuou a ser cantado, majoritariamente, em sua lingua materna. Além disso, o disco traz diversas marcas da educação formal em música clássica ocidental de seus integrantes: um pequeno trecho de Sc...

Tiffany Poon e “O Cisne”, de Camille Saint-Saëns: quando a música clássica encontra a natureza

Foto: Instagram Próxima do lançamento de seu novo álbum Nature , a pianista clássica Tiffany Poon divulgou hoje mais um vídeo promocional — desta vez interpretando a belíssima peça O Cisne , do compositor francês Camille Saint-Saëns . Essa composição é a décima terceira parte de uma obra maior chamada O Carnaval dos Animais , e se tornou a mais conhecida entre as quatorze peças que compõem o ciclo. “O Cisne” é uma excelente porta de entrada para quem deseja se aproximar do universo da música clássica europeia , especialmente da música clássica francesa . Com uma melodia suave , ritmo tranquilo e harmonias delicadas, a peça convida o ouvinte a imaginar o cisne do título deslizando serenamente sobre as águas calmas de um lago. A natureza como palco para a música clássica No novo vídeo, Tiffany Poon rompe com o formato tradicional dos concertos gravados em salões e leva a música para um ambiente natural, onde a água é o elemento central . O cenário dialoga diretamente com a obr...

RESENHA: Anjo Gabriel - Lucifer Rising

Lucifer Rising é o segundo álbum da banda pernambucana Anjo Gabriel, trata-se de uma trilha sonora alternativa para um curta metragem dos anos 70 dirigido por Kenneth Anger. O curta, sem diálogos,  trata de "deuses Egípcios invocando o anjo Lúcifer a fim de inaugurar uma nova era do oculto" (que viagem!), palavras do próprio Anger que inclusive nega que o filme seja psicodélico e ainda por cima desaprova o uso de drogas "Eu acho que drogas são muletas, você não precisa delas para ser criativo". O filme é basicamente uma síntese da contracultura dos anos 70 que flertava com diversas vertentes místicas indo do satanismo à busca pela dita sabedoria oriental, tendo, por isso, cenas filmadas no Egito e nos nos Stonehenge da Inglaterra, além da farta utilização de elementos Egípcios como ideogramas e figuras piramidais, também constam referências à Thelema e a seu mentor Aleister Crowley, que Anger considera um gênio britânico. Não é a toa que esse projeto chamou ate...

JON LORD CONCERTO FOR GROUP AND ORCHESTRA um legado para a música

Foi há 44 anos que um Deep Purple ainda jovem com um recém chegado Ian Gillan reuniu-se no Royal Albert Hall com a Royal Philharmonic Orchestra num grande concerto que misturava música clássica e rock, esse show terminou com a execução de uma peça escrita pelo tecladista da banda, Jon Lord, chamada de Concerto For Group and Orchestra onde banda e orquestra dialogavam, ou melhor, digladiavam-se num feroz embate entre música erudita, rock e blues. O resultado foi um disco ao vivo que por muitos anos foi o único registro desse espetáculo, pois nos anos 70 as partituras do Concerto foram perdidas acabando com as possibilidades de realizarem novamente a performance por anos. Porém, em 1999 a partitura foi restaurada por Marco de Goeji e novamente Jon Lord e o Deep Purple executaram a obra no Royal Albert Hall, dessa vez ao lado da London Symphony Orchestra, conduzida por Paul Mann, contando ainda com a participação especial de diversos artistas, dentre eles o saudoso Dio. Esse show f...

GHOST

Quando conheci a banda sueca Ghost ela já era famosa e sucesso de crítica na maioria dos sites que acompanho, mas nunca tinha me chamado a atenção, a maquiagem do vocalista e as vestimentas do resto da banda me fizeram pensar que se tratava de mais uma dessas bandas de Black Metal revoltadas com Deus e fazendo um som extremo com vocal gutural e uma bateria na velocidade da luz. Sorte minha que um amigo (valeu Oscar) me indicou a banda e me esclareceu do que se tratava, fiquei curioso, fui procurar e conheci uma das minhas bandas favoritas da atualidade. Apesar de ser recente, estrearam em 2010, o Ghost faz um som que poderia muito bem ter surgido na década de 70, não há traços de modernidade aqui tudo soa bastante datado, embora seja muito bem produzido. O vocalista apesar da aparência externa, um papa satânico, canta com uma voz limpa e até mesmo lírica em alguns momentos. O som não tem palhetadas distorcidas, efeitos eletrônicos ou coisas do gênero, ao contrário, bebe de fon...