domingo, 12 de fevereiro de 2017

Escuta só: Figueroas


Quem aí tem saudade da Lambada? Quem ainda sabe o que é lambada? Bom, quem quiser relembrar ou conhecer uma boa opção é o grupo Figueroas que lançou seu segundo disco "Swing Veneno" nesse mês de fevereiro e é simplesmente sensacional.

Totalmente dançante, com letras minimalistas e bem humoradas o grupo resgata a Lambada com muita dignidade e estilo em músicas curtas e muito bem arranjadas. Não deixe de conferir.

Forte candidato a disco do ano (na lista Seringueiro Voador, é claro), já posso dizer isso.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Estrelas Além do Tempo - Figuras Escondidas

A segregação ao negros nos Estados Unidos era rídicula, matemática é incrível, a ciência levou homens ao espaço na ponta de um lápis. Essas foram algumas das impressões que ficaram em mim ao terminar de assistir o filme Estrelas Além do Tempo. Ou como no título original Figuras Escondidas. É exatamente disso que trata o filme, figuras que ficaram nos bastidores, figuras cujas inteligências eram usadas para o progresso da ciência, mas destinadas a permanecerem nas sombras.

A história é focada em Katherine, exímia matemática chamada para realizar cálculos e conferir as contas do grupo de cientistas responsáveis por levar o primeiro homem ao espaço. Além de contar também com duas coadjuvantes de peso Mary e Dorothy, ambas personagens fortes com arcos completos no filme. Todas as três mulheres, negras e talentosas, buscando a chance de serem reconhecidas numa sociedade extremamente racista como era o sul dos Estados Unidos na década de 60.

A segregação aos negros nos EUA, um dos focos principais do filme, é exposta ao ridículo, pois é mostrada com uma certa dose de ironia-cômica, as personagens não tomam a posição de vítimas e usam de toda sua esperteza para contornar as situações em que são colocadas por sua cor (vide a cena em que Mary consegue na justiça sua vaga para faculdade). Só Katherine protagoniza uma cena mais dramática envolvendo a questão racial, quando leva a famosa "mijada" do seu chefe por seu ausentar por quase 40 minutos por dia e ela joga na cara dele que tem que mijar no banheiro de negros há quase 800 metros do prédio onde ela trabalha, tomar café frio numa garrafa separada e receber um salário menor que seus colegas brancos.

Kevin Costner faz o chefão branco bonzinho Al Harrison, um personagem meio clichê, mas muito bem construído. Um personagem interessante, apesar dele próprio não se importar com questões de cor, também nunca tinha prestado atenção ao ridículo da situação que sua funcionária negra passava todo dia, até que ela finalmente lhe joga na cara. Jim (Sheldon Cooper) Parsons faz o papel do branco antagonista, mas que por fim acaba reconhecendo a capacidade de Katherine a cada sucesso matemático que ela vai conseguindo.

Katherine é uma personagem incrível, sempre ciente de sua situação ela vai, com inteligência e aos poucos, impondo sua inteligência sobre um grupo de homens brancos hostis, mas não tão bons quanto ela, galgando seu lugar onde jamais se imaginou que ela pudesse estar. A coroação de seu personagem acaba ocorrendo com Parsons cedendo e a tratando com o uma igual ao final do filme.

Outro foco incrível do filme é a ciência, um grupo de pessoas focados em levar o homem ao espaço, tendo que fazer cálculos jamais feitos antes. Levando o homem ao espaço graças a cálculos extremamente específicos feitos na ponta do lápis/giz. Além do que, cada vitória científica eram sempre os momentos em que a questão racial sumia no filme e todos esqueciam suas diferenças e focavam-se apenas em duas coisas: o sucesso da missão e derrotar os comunistas. Sim, obviamente temos citações à corrida espacial e á Guerra Fria, do ponto de vista "Deus Salve a América" é claro.

Mahersala Ali, que já tinha roubado a cena em Luke Cage como Cotton Mouth, aparece numa ponta aqui como interesse amoroso de Katherine, embora seu personagem não envolva a trama principal, esse cara é um ótimo ator, quero muito ver ele em Moonlight. Foi só eu ou alguém mais achou o Costner a cara do Michael Keaton nesse filme?

E o que dizer do trio principal de atrizes? Taraji Henson, Octavia Spencer e Janele Monae, brilham como verdadeiras estrelas em seus personagens. Você se identifica com elas, você torce por elas, você vibra com elas a cada vitória sobre a sociedade. Elas não deixam suas personagens caírem na pieguice, dominam as cenas em que aparecem.

Ao final das contas é uma história de superação, socialmente e cientificamente falando. É inspirador, olha eu gostaria de ter visto filme assim quando ainda tinha idade pra querer aprender matemática ou ser engenheiro. Quanto ao Oscar? Ainda sou #TeamAChegada, mas esse é um excelente filme, recomendo fortemente que você assista!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

40 anos do porco voador


Animals, décimo álbum do Pink Floyd, foi lançado no dia de hoje, 23 de janeiro, há exatos quarenta anos. A banda já tinha lançado dois discos marcantes "The Dark Side of The Moon" e "Whis You Where Here" que catapultaram a banda de mais um grupo de progressivo para fenômenos pop. Verdadeira máquina de lotar estádios e fazer dinheiro. 

Foi a partir de Dark Side que as letras de Roger Waters começaram a se tornar cada vez mais ácidas, processo que continuou em Whish... tornando-se, em Animals, também politizadas. O álbum, conceitual assim como seus antecessores, baseia-se livremente no livro de George Orwell, "Animal Farm" (A Revolução dos Bichos). Assim como Orwell fez uma metáfora da Revolução Russa usando animais, Waters faz uma metáfora da sua sociedade dividindo-a em cães, porcos e ovelhas. "Dogs" representando os homens da lei, "Pigs (Three Different Ones)" os políticos corruptos e "Sheeps" o povo sem pensamento próprio seguindo o líder. 

Musicalmente o disco oferece uma sonoridade mais enxuta, embora o disco seja basicamente composto de três longas canções mais uma curta e acústica introdução e encerramento. Há um peso maior nas canções e uma grande dose de ironia em cada uma, cortesia da vocalização de Roger Waters que exala sarcasmo no seu modo de cantar, ele canta em todas as canções do disco, Gilmour apenas canta a primeira parte de Dogs, de voz mais suave e melodiosa, faz com que o início de Dogs seja a única parte do disco que lembra a beleza onírica dos discos anteriores. Não que isso seja ruim, sendo a proposta de "Animals" ser uma paródia da sociedade britânica dos anos 70, o estilo de Waters cai como uma luva.

Outra característica interessante desse disco foi a notável redução da participação dos demais membros da banda. Waters é quem compôs a maior parte do disco e seu estilo claramente domina as canções, Gilmour divide com ele a composição de Dogs, mas só. Richard Wright não compôs nada para esse disco, isso apesar seu teclado ter destaque em diversos momentos do álbum, Nick Manson já não costumava compor muito na banda, mas sua bateria lenta e ritmada também é um ponto marcante do Floyd.

O relacionamento entre os membros do Pink Floyd já não andava bem no período de Animals e só pioraria causando o desmantelamento da banda na década de 80. Waters nesse período começou a acreditar que era o único grande compositor da banda e que era ele que a carregava nas costas, logo começou a querer se impor cada vez mais sobre seus colegas. Durante a turnê de Animals, irritado com um fã, Waters lhe cuspiria na cara, situação que o levou a imaginar um muro separando a banda do público. Essa ideia, somada a seus diversos traumas de infância, mas sua pose ditatorial sobre os rumos do Floyd culminariam num clássico chamado "The Wall", para o qual Animals funciona como uma forma de preparação, um ponto de ruptura do Pink Floyd a banda para o Pink Floyd de Waters. 

Obviamente a banda não sustentaria muito depois disso, e jamais seria a mesma depois, deve ser o preço que se paga por gerar tantas obras primas, mas estou me adiantando, a questão é que toda essa crise começou em Animals, ouça!



Caso alguém tenha se perguntado: por que porco voador no título, a foto que ilustra essa matéria e da estação termelétrica Battersea em Londres, a banda encomendou um porco gigante inflado a hélio pra ficar flutuando sobre a estação enquanto a equipe de fotógrafos registrava vários ângulos da imagem. Ocorreu que o porco se soltou dos cabos que o seguravam e saiu flutuando, mais tarde chegou a ser recuperado, mas no final das contas usaram um foto sem o porco e colaram a imagem por cima para a capa.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Jack the Joker na Progressive Metal do Spotify

Já falei da Jack The Joker por três vezes nesse espaço aqui, aqui e aqui  e por que tanta insistência em falar dessa banda? Porque acho eles muito bons. É uma das minhas bandas nacionais favoritas desde que meu amigo Oscar me apresentou eles, lá por 2013 eu acho. Em 2014 eles lançaram o primeiro disco In The Rabbit Hole e foi quando tive certeza que essa banda merecia ser conhecida e reconhecida no cenário metal nacional. 

Hoje o mesmo amigo que me apresentou a banda me avisou que duas músicas dos caras tinham entrado em um playlist oficial de Progressive Metal do Spotify, conhecido servido de streaming que vivo usando aqui no blog. As músicas "Volte Face" e "Brutal Behavior" tão lá listadas ao lado de nomes consagrados do Prog Metal como Dream Theater, Symphony X e Evergrey. 

Ainda não é o Grammy, mas um dia eles chegam lá. Acredito muito nessa banda. A playlist você confere aí embaixo.



domingo, 15 de janeiro de 2017

Sepultura - Machine Messiah

Existem duas coisas nas quais o Sepultura não tem interesse. Uma é perder sua identidade e a segunda é se repetir. Há uma pequena interseção entre esses dois pontos onde a banda consegue fazer um trabalho original sem deixar de ser quem é. Machine Messiah, seu 14º disco, consegue acertar precisamente nesse ponto ao se mostrar um disco moderno, original, inovador e ousado, até onde o limite da prudência admite para que sua sonoridade não deixe de soar Sepultura.

Muito da inovação nesse disco, a própria banda credita ao seu produtor, o sueco Jens Borgen, que teve total liberdade para opinar e trazer novas idéias às composições, tornando-se de certo modo o quinto integrante do Sepultura nesse disco.

Vemos um Sepultura trazendo elementos novos às suas composições. Um deles, cortesia de Borgen, é a orquestra tunisiana que dá um leve toque médio oriental às canções "Phantom Self",  "Sworn Oath" e "Resistance Parasites", sonoridade que caiu muito bem no som da banda, muito mais do que uma orquestra ocidental teria conseguido.

Outra novidade é Derrick Green explorando outras facetas de sua voz na faixa título "Machine Messiah", uma canção pesada, sombria e climática, e na música de fechamento "Cyber God", dois momentos em que o Sepultura soou, pelo menos para mim, como o Machine Head em seus mais recentes trabalhos, mas sem deixar de lado as características sonoridades do Sepultura, seja nos riffs ou no ritmo da bateria.

O Sepultura clássico aparece nas faixas "I am the enemy" e "Vandals Nest", trash acelerados, baseadas em riffs certeiros de Andreas Kisser, serão excelentes trilhas sonoras para as rodas de mosh quando tocadas ao vivo.

"Aletheia" para mim foi o patinho feio do disco. Mostra as capacidades técnicas da banda, com destaque para o baterista Eloy Casagrande, entretanto, apesar de ser uma composição ousada, para mim foi exagerada, tornando-se confusa.

A instrumental "Iceberg Dances" reúne o que de melhor tem o Sepultura, bons riffs, muito groove, musicalidade latina com utilização de instrumentos acústicos dando uma bela adição de harmonia ao peso da banda. A canção do disco que mais remete aos tempos de Chaos A.D. e Roots.

Machine Messiah é um dos discos mais interessantes do Sepultura, para mim é consideravelmente superior aos dois últimos "Kairos" e "The Mediator...", isso porque me mostra um Sepultura interessados em fazer coisas novas e com resultados excelentes como foram nos discos "Dante XXI" e "A-lex", discos que eu mais gosto da era Derrick Green. Torço para que a banda faça mais lançamentos como esse, com o olhar no futuro.

Disse lá no primeiro parágrafo que o Sepultura não é uma banda interessada em perder sua identidade, bem, se nos próximos lançamentos eles quiserem abrir mão um tiquinho mais da identidade em busca de novos sons, eu certamente não vou achar ruim. E você?





quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Moana - Um mar de aventuras ou uma jornada de autoconhecimento

Em determinado momento do filme Maui, o semideus, define a aventura como saber para onde se quer ir, sem que esquecer por onde você já passou. Alcançar esse equilíbrio entre o familiar e o desconhecido, passado e presente, o tradicional e o novo parece ser a verdadeira busca da jovem heroína do mais recente filme da Disney: Moana - Um Mar de Aventuras.

A jornada de Moana traça vários paralelos com o conceito de jornada do herói: o chamado para aventura; a reticência do herói; o mestre, no filme representado pela avó; o aliado, Maui (Semideus, transmorfo, heroi do mundo, em sua própria descrição); a superação dos primeiros desafios; uma ligeira derrota traumática e por fim a recompensa. Todas as características do estilo estão lá, entretanto, é em sua conclusão que Moana se revela muito mais uma jornada de autoconhecimento. 

Saber quem você é e onde está é a tônica que guia o filme, tanto em sua narrativa quanto nas canções tema que o embalam, todas excelentes diga-se de passagem. Da tradicionalista e conservadora Where You Are (Onde você está), cantada pelo pai de Moana, apegado a terra e à tradição de seus antecessores, à linda How Far I'll Go (Quão longe irei), onde a personagem principal expressa seu desejo de saber até onde pode chegar através do oceano, passando pela, também linda, Whe Know The Way (Conhecemos o caminho), canção dos ancestrais de Moana. 

A chave para o sucesso da aventura surge justamente quando Moana, após todos os quilômetros percorridos, lembra quem é e de onde veio e percebe onde quer chegar alcançando assim o equilíbrio entre as duas vontades conflitantes dentro de si o que a leva a descobrir quem ela é, e tal qual seus ancestrais, saber o seu caminho. E é através desse conhecimento que a personagem percebe que ao final não havia real vilão a ser derrotado, apenas recuperar o que há muito tempo fora perdido, tanto para si, quanto para Te Fiti, quanto para sua vila. 

Tudo isso é mostrado de forma leve, com muito humor politicamente correto e, o que mais me impressionou num filme da Disney, uma pequena dose de auto paródia (repare a descrição de Maui sobre princesas ou a cena pós créditos com Tamatoa o caranguejo gigante). 

Os critério técnicos da animação são soberbos de bons, o movimento das roupas, do mar da natureza são tão perfeccionistas que nos fazem sentir a ambientação. Chega a impressionar saber que é o primeiro trabalho em CG dos diretores. A trilha sonora, também é um espetáculo a parte, é a mais bonita dessa mais recente safra de filmes Disney. 

Um filme infantil sem dúvida, mas recomendado para todas as idades.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Dos Compromissos de ano novo

Obrigado eventual leitor que acompanha meu blog, eu sei que pelo menos um leitor fixo eu tenho, além de eu mesmo óbvio. Pretendo escrever mais esse ano. Mais e melhor. Não vou estabelecer metas, elas foram feitas pra gente deixar de lado ao longo do ano, vou estabelecer um compromisso. Não deixar a preguiça vencer, forçar minha mente a produzir.

É um compromisso não especialmente para esse blog, mas para vida, venho forçando isso desde 2015. Até essa data eu estava num ostracismo, tinha caído naquela zona de conforto que não exatamente onde a gente quer estar, mas também não é tão ruim. Resolvi sair, não exerci a faculdade que me formei, não gostava mais do curso que eu estava fazendo (fazendo não, empurrando com a barriga), então, qual o sentido disso? Queria estudar algo e exercer esse algo no futuro, não ficar na zona de conforto achando que todos os meus anos de faculdade foram em vão. Voltei para a faculdade no curso que eu queria estar e estudando a sério.

Outra coisa foi a leitura, estava lendo pouco, muito pouco. O que não me era natural há alguns anos, quando lia muito e lia de tudo, ano passado foi o ano de voltar ao hábito da leitura. Hábito que esse ano pretendo expandir, junto com outro hábito que há muitos anos deixei para trás, mas que me faz falta, escrever, não que eu não tenha escrito, mas escrevi pouco, muito pouco e não gostei de maior parte do que escrevi. Quero escrever mais esse ano, quero tornar um hábito de novo e quem sabe até o fim do ano eu escrevo algo que preste.

Esse ano também quero fazer algo que já fiz na infância, mas fiz de forma muito ruim, video games. Bateu uma vontade de jogar, já sei até o jogo que quero. Esse objetivo é um pouco mais dificil porque envolve investimentos financeiros, mas vá lá, a gente dá um jeito, até o fim do ano quero ter aprendido a jogar aquele jogo, depois a gente aprendendo o resto.

Então, eventual leitor, espero que você veja atualizações mais constantes aqui no blog, se você ver então terei cumprido meus objetivos.

Feliz Ano Novo, do fundo do meu coração não acho que o ano vá ser lá essas coisas, mas um bom ano se constrói baseado em como a gente enfrenta as adversidades que vêm de encontro a nós. Pra encarar esse ano transcrevo pra vocês Resist do Rush. Força aí e bom 2017

Resist

I can learn to resist
Anything but temptation
I can learn to co-exist
With anything but pain
I can learn to compromise
Anything but my desires
I can learn to get along
With all the things I can't explain
I can learn to resist
Anything but frustration
I can learn to persist
With anything but aiming low
I can learn to close my eyes
To anything but injustice
I can learn to get along
With all the things I don't know
You can surrender
Without a prayer
But never really pray
Without surrender
You can fight
Without ever winning
But never ever win
Without a fight

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Os discos que mais gostei em 2016

Para não ficar de fora das clássicas listas de final de ano vou fazer uma lista pessoal do que mais consumi em termos de cultura pop esse ano, música, proponho uma lista dos álbuns que mais gostei em 2016 sem pretensão de que sejam considerados os melhores do ano, até porque minha lista abrange basicamente um estilo, o rock/metal, basicamente 90% do que consumo em música. Mas óbvio, a gente flerta com outros estilos também.

Vamos lá:




















David Bowie - Blackstar
Bowie fez sua despedida do mundo acompanhado de um grupo de jazz ao som do sax, sete canções, tristes, porém poéticas, todas lindas, um clássico do músico.






















Gojira - Magma
Unindo peso e groove e uma pitada de psicodelia, essa banda francesa faz um trash metal inovador trazendo idéias novas para um estilo que muitas vezes parece estagnado.






















Jack The Joker - Mors Volta
Músicos extremamente técnicos fazem aqui um Metal Progressivo de primeira qualidade, porém o que marca é o groove e o peso que a banda injeta em suas canções com muita criatividade, no âmbito do Heavy Metal foi o melhor lançamento nacional, mais abaixo tem uma resenha bem explicada desse disco, não deixe de conferir.





















Rival Sons - Hollow Bones
Comparada ao Led Zepellin, quando surgiu em 2009, o que não é pouco elogio, a banda vem consolidando sua identidade. Hollow Bones seu mais recente disco, incorpora o blues clássico ao Hardrock com resultados sensacionais, um disco rápido, mas marcante.





















The Baggios - Brutown
Apesar do nome, esse é um duo de rock brasileiro, e dos bons, as canções são cantadas em português e o estilo é um rock blues retrô, porém misturados a elementos da música brasileira, no caso, da música nordestina, provavelmente o melhor disco de rock brasuca do ano...





















Huaska - Fim
... o quarto disco do Huaska, porém é um competidor forte, de estilo mais pesado, aquela zona cinzenta entre rock e metal que chamam Hardcore, essa banda também busca na música brasileira a inspiração para criar um som inovador, nesse caso, as influências principais vêm do samba e bossa nova.





















Ghost - Popestar
Não é um disco de verdade, é um EP, ou seja é um disquinho, com uma canção inédita e quatro covers. Uma coisa que torna o Ghost interessante no mundo Heavy Metal é o constante flerte da banda com o Pop, há muito já se sabe que o satanismo da banda é um pastiche do occult rock dos anos sessenta (ou setenta), agora eles parecem se divertir com isso e sempre escolhem para cover musicas do universo pop, porém sempre dando sua roupagem pesada e retrô às canções. Curtinho e espetacular eu recomendo vivamente esse disco, é diversão na certa!





















Avantasia - Ghostlights
Poucas banda conseguem manter um Power Metal tão clichê e ainda assim continuar legal pra caralho como o Avantasia de Tobias Sammet. Ghostlights é, do início ao fim, estruturado como um musical da Broadway, cheio de duetos e participações e especiais é um disco divertido, tem uma histórinha pra você acompanhar também, mas nem é tão importante assim, o legal mesmo é entrar no clima viajar nos refrões grudentos das canções.





















Baroness - Purple
O disco é do ano passado, mas foi lançado tão no fim que só deu pra curtir mesmo esse ano, então está nessa lista. É muito difícil definir o som dessa banda e creio que é isso que torna ela tão boa, tem peso, muitos riffs marcantes, mas também muita melodia e momentos de verdadeira delicadesa, é marcante, só ouvindo pra sacar, então para de perder tempo e vá atrás da discografia desses caras.





















Leonard Cohen - You Want It Darker
Comecei e agora termino essa lista com mais uma despedida, Leonard Cohen, com menos alarde lançou seu último disco e dias nos deixou para sempre. Música feita de sons e silêncios é o que falei sobre esse disco, a voz profunda, gutural e marcante de Cohen é levada através de belíssimas e delicadas melodias, mas também por silêncios profundos e meditativos.

Boas festas!

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Jack The Joker - Mors Volta

 Metal Progressivo é o nome dado ao subgênero que uniu as experimentações musicais do rock progressivo dos anos 70 com o peso e distorção do heavy metal dos anos 80. Nessa categoria estão juntos bandas com sons tão díspares quanto Symphony X e Opeth, clássicas como Dream Theater e inovadoras como Mastodon. O desafio é agregar ao metal elementos como o jazz, folk e música erudita e daí sair um resultado coeso, o que nem sempre ocorre, fazendo com que o estilo seja conhecido principalmente pelos seus excessos. Porém, o estilo também conta dentre suas características com a habilidade técnica de seus músicos, além da criatividade e inovação de seus compositores.

O paradigma do estilo foi definido nos anos 90 por bandas dos Estados Unidos e Europa, embora nunca tenha sido um estilo massificado, conquistou seu nicho de fãs e influenciou diversas bandas ao longo dos anos. O Brasil não chegou a produzir um grande nome no estilo, embora características do prog estejam presentes nas duas mais famosas bandas nacionais Angra e Sepultura. É certo que há uma grande quantidade de bandas de progressivo de inquestionável qualidade, mas ainda assim não há um grande representante nacional do estilo. Lacuna que pode ser preenchida com o trabalhando da banda cearense Jack The Joker.

Será cedo para dizer que a banda está aí para suprir essa lacuna? Após o ouvir o segundo e mais recente disco da banda, creio que não. 

"Jack The Joker" é um quinteto surgido em Fortaleza, lançou seu debut "In The Rabbit Hole" em 2014 e surpreendeu tanto pelo virtuosismo técnico de seus membros quanto pela altíssima qualidade das composições: intrincadas, complexas, ora mais extremas e pesadas, ora mais suave e acústicas, mas sempre coesas, sem se perder na virtuose de seus músicos. A banda vem divulgando seu trabalho principalmente através da internet, seus discos estão disponíveis em plataformas de streaming, youtube, download, venda física, além de intensa atividade no facebook oficial onde divulgam seus shows, lançamentos e vídeos.

Dois anos após a estreia, a banda lança seu segundo disco "Mors Volta". Dizem que o segundo disco é um teste. Os primeiros discos, em geral, são reuniões de composições que foram amadurecidas ao longo dos primeiros anos de ensaio e apresentações de uma banda, já o segundo chega com menos tempo e mais exigência para compor um disco inteiro, fechado e redondinho para lançamento. É quando a banda mostra a que veio, mostra seu poder de composição e capacidade de manter ou até superar a qualidade inicial. Jack The Joker passa no seu teste? Com louvor.

"Mors Volta" é superior a seu antecessor, mostra um banda com sua identidade definida, mas sem abandonar a criatividade com composições ainda mais coesas. A banda escolheu investir em peso e "groove" que permeiam todo o álbum dando um ar "jam" a certos trechos e chegando a ser quase dançante na canção "Brutal Behavior". É difícil dizer, no meio tantos músicos talentosos, quem se sai melhor, como os guitarristas Lucas Colares e Felipe Facó, milimetricamente técnicos ou a capacidade do vocalista Raphael Joer que consegue ir do gutural ao agudo, mas é preciso destacar a cozinha formada por Vicente Ferreira, cuja bateria executa dos movimentos complexos ao simples com precisão e o baixo de Lucas Arruda que injeta groove com seus slaps nos momentos certos de cada canção.

O disco impressiona desde seu início com as viradas de bateria que lembram muito a introdução de "The Wolf is Loose" do Mastodon, mas que segue numa pegada que lembra essa fase mais pesada de prog metal que o Symphony X vem mostrando desde "Paradise Lost", com a diferença que o Jack the Joker tem mais ritmo e menos interesse em compor baladas. O que não quer dizer que a banda não tenha um lado mais melódico, se em seu primeiro disco já haviam mostrado bom gosto ao enxertar instrumentos acústicos em algumas composições, em "Mors Volta" ela se guarda para o final. "Venus & Mars", canção de encerramento é a mais ambiciosa do disco, tem 24 minutos de duração e busca um síntese de toda a musicalidade apresentada pela banda: peso, groove, jams instrumentais, virtuosismo correndo solto, somados à adição de trechos acústicos belíssimos com flautas e violões construindo momentos contemplativos na cação, sem dúvida a melhor composição do disco. Tudo isso embrulhado numa capa cuja arte me remete ao primeiro disco do Black Sabbath, além de uma altíssima qualidade de gravação, basta uma audição atenta ao disco e todos os instrumentos se mostram claros e límpidos aos ouvidos, ressaltando o talento de cada músico.

Jack The Joker é uma banda que faz bonito e tranquilamente pode ser colocada ao lado dos grandes nomes do metal progressivo como Dream Theater, Opeth, Symphony X, etc. sem ficar devendo em nada aos clássicos. Só o que falta agora é o mundo e os metaleiros do Brasil conhecerem esse nome promissor do metal brasileiro.


Ouça no Spotify:



domingo, 20 de novembro de 2016

Pink Floyd: os primeiros anos

O Pink Floyd é uma banda de várias facetas. Começou em meados dos anos 60 carregando o nome de dois blues mans, porém fazendo um som psicodélicos que misturava rock, jazz, o próprio blues e várias outras viagens sonoras inclassificáveis. Eram guiados pelo gênio de Sid Barret e ao longo de seus primeiros anos lançaram uma série de materiais que não entraram na discografia oficial da banda.

Isso tudo foi antes da fase mais pomposa da banda, que compreende o lançamento de The Dark Side of the Moon à The Wall basicamente, época em que o Floyd se tornou uma máquina de lotar estádios e fazer dinheiro. Época também, dos show grandiloquentes, cheio de efeitos e luzes, que tiveram sua representação máxima nos shows megalomaníacos de The Wall, uma turnê que praticamente acabou com a banda. Essa fase se tornou o rosto do Pink Floyd para o mundo.

A época anterior, entretanto, foi bem diferente, shows pequenos clubes, menos dinheiro e menos efeitos, mas muita música e principalmente muita viagem inspirada em alucinógenos e criatividade. Foi um época de composições mais curtas, mas nem por isso menos inspiradas. Essa fase é que o está retratado num recente box lançado pela banda, que também conta com uma versão para os serviços de streaming.

Não sou muito fã desses lançamentos caça niqueis
, mas esse é bastante interessante, por ser completo e conter muitas músicas fora da discografia oficial que não são exatamente fáceis de encontrar por aí. Abrange toda a época do inicio da banda até o disco Obscured By Clouds, anterior a Dark Side, ou seja, toda a fase menos famosa da banda. É muito bacana ouvir raridades como Embryo, Point Me At The Sky, as músicas que a banda compôs para um filme chamado Zabriskie Point, além de primeiras versões como Nothing, prévia de Echoes. Um perfil do Pink Floyd antes de ser o Famoso Pink Floyd.

Recomendo.