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Lux Vivens: a música medieval de Hildegard von Bingen pelas mãos de Jocelyn Montgomery e David Lynch

Santa Hildegarda de Bingen, ou em alemão Hildegard von Bingen, foi uma mulher marcante: monja beneditina, mística, escritora, teóloga, dramaturga, poeta e, principalmente, compositora. Viveu entre 1098 e 1179, na terra que hoje é a Alemanha. Foi canonizada em 1584, embora a canonização formal só tenha sido reconhecida oficialmente em 2012, pelo então Papa Bento XVI.

A obra musical milenar de Hildegard faz parte da música sacra medieval de seu tempo, ou seja, sua obra está completamente ligada a seu trabalho teológico, tem cunho moralizante e pedagógico de acordo com a doutrina cristã medieval que era pregada pela compositora. Não esquecer que estamos frente à obra musical de uma santa católica.

Mas o que realmente é interessante na obra é que esta foi inspirada por visões da santa. Acredita-se que ela não tenha recebido uma educação formal nos moldes que hoje conhecemos e que sua inspiração para a escrita, para a música, para a medicina e para a teologia lhe viesse pela inspiração divina através de suas visões.

Imagina-se também que parte do mito em torno da figura de Hildegard veio do fato de que, naquela época, nos primeiros séculos do segundo milênio e em plena Idade Média, o acesso das mulheres à educação formal era bastante restrito e que essa possível educação, realizada de maneira reservada, teria sido uma das fontes de todo o talento da santa.

A obra mais conhecida da santa foi o Ordo Virtutum, uma dramatização musicada de uma alma que caiu em pecado em busca de redenção, considerada uma das mais antigas peças dramáticas musicais de que se tem notícia. Mas, para além disso, Hildegard possui uma vasta obra a ser explorada.

Lux Vivens: Hildegard von Bingen encontra David Lynch

Em 1998, a cantora Jocelyn Montgomery, em parceria com David Lynch, se debruçou sobre a obra de Santa Hildegard e produziu Lux Vivens, um belíssimo trabalho de música medieval que une a musicalidade milenar da obra original com a modernidade de instrumentos e recursos sonoros contemporâneos.

O álbum combina a voz de Montgomery com instrumentos e texturas que passam por órgão, violino, acordeão, guitarras, sintetizadores, cordas, efeitos sonoros e sons da natureza. O resultado é uma espécie de ponte entre o universo musical do século XII e a atmosfera experimental
tão característica do trabalho de David Lynch. Lux Vivens foi lançado pela Mammoth Records em 1998 e reúne 15 faixas, com cerca de uma hora de duração.

E o resultado não podia ser mais belo.

Um álbum contemplativo, introspectivo, quase New Age, mas com aquele toque místico que a música sacra da Idade Média carregava: a ânsia pelo transcendental, pelo divino.

É curioso ouvir uma composição com quase mil anos de história ganhar uma nova dimensão pelas mãos de um artista como David Lynch. Existe algo de estranho, sombrio e hipnótico em Lux Vivens, mas, ao mesmo tempo, existe uma serenidade que parece transportar o ouvinte para muito longe do mundo contemporâneo.

De um lado, temos Hildegard von Bingen, uma religiosa do século XII, cuja música nasceu dentro de um universo profundamente espiritual. Do outro, temos Jocelyn Montgomery e David Lynch, artistas contemporâneos reinterpretando essas obras e acrescentando a elas novas camadas sonoras.

O resultado é uma música que parece estar fora do tempo.

Não é exatamente música medieval, mas também não é música contemporânea no sentido tradicional. É uma experiência sonora que transita entre o sagrado, o experimental e o contemplativo.

Uma obra que vale a pena ser conhecida.

Ficha técnica — Lux Vivens

Álbum: Lux Vivens – The Music of Hildegard von Bingen
Artistas: Jocelyn Montgomery & David Lynch
Ano: 1998
Gravadora: Mammoth Records
Duração: aproximadamente 60 minutos
Faixas: 15
Idioma dos textos: Latim
Voz: Jocelyn Montgomery
Produção: David Lynch
Estilo: música medieval / música sacra / experimental / New Age

O álbum reúne interpretações de obras de Hildegard von Bingen, incluindo O virtus sapientiae, O tu illustrata, O viridissima virga, O gloriosissimi lux vivens angeli, Caritas abundat, Kyrie, Hodie e Alleluia.


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