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Um Conto Civilizado - Parte 3

O cidadão comum em: Visita Religiosa.

Nosso amigo o cidadão comum, também conhecido por brasileiro médio, não tinha nenhuma religião específica, apesar disso possuía lá nos antigamentes da sua vida, um que de raízes católicas. Apesar disso, constantemente recebia visitas religiosas, e essas eram as mais variadas, sempre eram pessoas com Bíblias nos braços e folhetinhos nas mãos, vinham com gestos delicados e voz educada, e pediam para entrar. O cidadão comum, porém não tinha lá muita paciência para essas coisas, embora afirmasse a plena pulmões que respeitava todas as religiões, e respeitava mesmo, são não gostava de nenhuma delas, por isso sempre agradecia, negava a entrava, dizia uma das desculpas que guardava no estoque, e volte sempre. Daí ele voltava para a sala, tirava a blusa, abria uma cerveja e ia ver a Fórmula 1, afinal de contas era domingo, a mulher tava na missa e ele em paz.

Porém certo dia, houve uma visita inesperada, estava ali o cidadão comum brasileiro médio, em seu domingo e em seu sofá, com sua cerveja e sua Fórmula 1, quando veio as batidas de palmas, resmungou alguma coisa irritada, não que estivesse irritado de verdade, mas achava que um dos requisitos mais sagrados das visitas religiosas era: visitante alegre, visitado irritado. Quando desceu ao portão teve sua primeira surpresa, o cara ali na frente usava uma blusa de Nossa Senhora, o que soou estranho, assim que chegou mais perto o visitante perguntou se ele era católico, resposta afirmativa, mais para termos de estatística do IBGE. Em seguida o visitante se apresentou como sendo da entidade católica fulana de tal, vinculada a CNBB, que fazia algum trabalho de assistência social e alguma coisa relacionada a um padre famoso e perguntou se poderia entrar e...

_ Peraí, o senhor é da igreja católica? – perguntou o cidadão comum.

_ Sim, assim como o senhor. – respondeu o visitante.

_ Bem, é que vem muito evangélico me visitar sabe, nunca tinha recebido um católico.

_ É verdade, nós estamos agora querendo mudar um pouco, se aproximar dos fieis e...

_ Mas é que, eu não costumo deixar os evangélicos entrarem sabe.

_ Compreendo perfeitamente, mas sendo eu católico...

_ Além do que eu respeito todas as religiões sabe, sem distinção.

_ Acho que agora não entendo onde o senhor quer chegar.

_ Então não posso deixar o senhor entrar, muito obrigado e bom domingo.

E o cidadão comum voltou para dentro de casa. Sentado em seu sofá, depois do primeiro gole de cerveja ele pensou que no final das contas ele havia privilegiado o católico, afinal das contas ele não tinha mentido dessa vez. Bebeu mais um pouco e começou pensar onde ia almoçar naquele domingo.

Comentários

Samuel Bryan disse…
Agora tenta apresentar esse texto pro Willian Bonner e o Edir Macedo numa mesma sala.
hahaha
gostei, Gil.
:P

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