Pular para o conteúdo principal

Enquanto isso numa realidade não tão distante... (uma crônica)

O ano é 20xx, depois de uma série de revoluções pacíficas, algumas armadas, greves sindicais, passeatas nas ruas e uma série de épicos twittaços, foi a aprovada a lei a PLC n° 24.567 que proibiu terminantemente os abusos de chefes para com seus funcionários. As penas iam de pagamento de multa em caso de alteração no tom de voz até cinco anos de prisão no caso de café jogado na camisa.

Foi uma festa para os trabalhadores, por muito tempo, isso foi bom. Porém o excesso de stress que a vida moderna causa àqueles de alto cargo somado a falta de um bucha em quem descontar as frustrações cotidianas acabou causando um série de suicídios em massa como nunca se viu na história desse país. Os nervos estavam a flor da pele, os altos executivos, secretários e até mesmo político não sabiam mais o que fazer, em quem descontar, nos filhos não podiam, a lei deles já fora aprovada muito tempo antes.

A situação era grave, urgia uma medida. Foi quando surgiu a grande idéia, crie-se um cargo para isso: Aguentador de Abuso, uma pessoa que não pudesse dizer: "não sou pago pra aguentar isso", por que ele seria pago justamente para aguentar isso. Era genial, uns disseram.

Mas não há dinheiro pra criar novos cargos disse o setor público, não importa, é simples, cortamos do setor de comunicação. Assim se fez, e muitos assessores de imprensa foram demitidos e mais tarde readmitidos como Aguentadores de Abuso, porque afinal é preciso se alimentar.

Cursos foram criado para suprir a demanda, o mercado era grande, todo chefe queria no mínimo dois aguentadores de abuso, foi um sucesso a nova profissão. O trabalho era complicado, as vezes, alguém ia parar no hospital, formaram-se sindicatos, queriam a insalubridade ou até mesmo periculosidade, por que a barra naquele serviço era pesada.

Graças a essa reivindicações não atendidas acabou estourando a greve dos aguentadores de abuso que culminou com uma grande passeata através das ruas da capital. Infelizmente, a passeata foi interceptada por uma força policial, que não economizaram no abuso de poder.

O resultado foi pra lá de quinhentos mortos na avenida, sendo uma das maiores tragédias já registradas no local desde as guerras de rua entre rockeiros old school e os rockeiros coloridos acontecidas anos atrás. A comoção social pelos mortos durante a passeata foi tão grande quem é uma supreendentemente rápida votação no Congresso, demorou apenas três ano pra votarem, aprovaram a periculosidade para aguentadores de abuso, além de uma série de outras vantagens que os tornaram uma das classes mais bem pagas do país.

Em compensação teriam que aguentar todo tipo de abuso, desde abuso do chefe, truculência policial, ligações de telemarketing, visitas religiosas no sábado (e domingo) pela manhã entre outros.

Fim!

Gildson Góes

Comentários

Zovmx disse…
Rachei, cara!!! XD No-sense inteligente =D
Fábio Lima disse…
Meu amigo seringueiro, estou vendo que suas crônicas estão se refinando, gostei da idéia de um receptor de abusos como profissional do futuro, já pensou: - que curso vc faz cara?
- Metodologia do abuso no âmbito do serviço público.

-Paga bem?!

Materializa a cena, rsrsrsrs
Só se o ano for 20xx mesmo!!!
ótima crônica, seringueiro!

Postagens mais visitadas deste blog

A Balada da Meia Noite.

O jovem senhor andava pelas ruas, as estrelas no céu, a lua cheia pairava num devaneio ilusório, cinco minutos faltavam para a meia noite. A rua esguia, calçada em tijolos, onde almas repousavam naquela noite, menos a do andarilho. A sombra do chapéu cobria seus olhos. Lá estava o velho casarão mal-assombrado, ele e seus fantasmas do passado, da janela uma sombra etérea aparecia, o fantasma da garotinha, ela lhe acenava, ele lhe retribuiu o aceno. E seguiu com a doce melodia do vento a lhe fazer companhia. O som das árvores e ar-condionados, seus passos seguiam o ritmo daquela noite profunda, a balada da meia-noite tocava, os fantasmas cantavam em um único som, suas almas se erguiam do solo, e mil coros de vozes defuntas entoavam aquela canção, era uma bela noite. O intrépido rapaz não se assutava, ele até gostava da companhia dos mortos, eles lhe aplaudiam. O jovem andarilho levava o buquê para sua amada. Lá estava a janela, ele entrou, depositou o buquê ao lado da jovem....

Evangelion 3.33 You Can (Not) Redo

 "Perdão, essa não era a felicidade que você queria" - Kaworu Nagisa Para aqueles que não acompanham a série, vale uma pequena introdução. Neon Genesis Evangelion foi uma série de animação japonesa surgida em meados dos anos 90 com direção de Hideaki Anno, a serie contou com 26 episódios e dois longas metragens, realizados ainda naquela década, onde o primeiro, Death and Rebirth se tratava de um “resumão” dos episódios anteriores e o segundo The End of Evangelion era a tão esperada conclusão épica da série. Evangelion é basicamente duas coisas, uma série sobre robôs gigantes, famosíssimas no Japão, e uma das visões mais originais sobre o Apocalipse onde o destino do mundo é colocado na mão de crianças problemáticas e manipulado conforme um plano milenar (os Manuscritos do Mar Morto) regido por uma organização/seita religiosa, sombria. Não vou entrar em detalhes aqui, há farto material espalhado pela internet. Mas enfim, os anos 90 passaram, Anno se envolveu em ou...

News of the World. (ou Era uma vez em um lugar qualquer)

Ditadura de 70 anos chega ao fim em Lugar Qualquer Cicrano de Souza – Enviado especial à Lugar Qualquer. O clima continua tenso em Lugar Qualquer, o ditador Mão de Ferro teve de fugir na calada da noite junto com sua família para fugir à fúria dos manifestantes. As ruas estão tomadas de populares, os conflitos com o exército são freqüentes, as lojas estão fechadas, os turistas se escondem apavorados nos hotéis ou tentam fugir em massa através dos aeroportos congestionados. Os saques a lojas e bancos ainda continua e não há dia em que não possa ser visto carros incendiado nas ruas e estradas da grande capital de Lugar Qualquer, Cidade Grande. Os manifestantes exigem a prisão do ex-ditador Mão de Ferro, porém até o momento não se sabe onde ele e sua família podem estar escondidos. Todas as residências oficiais já foram tomadas, e as propriedades particulares do ditador foram incendiadas. Há suspeitas de que eles podem estar escondidos nas regiões m...