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RESENHA: Pink Floyd – The Endless River


Já disse no facebook , torno a dizer aqui, não confie na opinião de fã. Sou fã do Pink Floyd, logo, minha opinião sobre seu mais recente disco, The Endless River não é confiável. Mas mesmo assim vou dá-la a vocês.

Quando foi anunciado o novo disco do Pink Floyd depois de mais de vinte anos de hiato, aconteceu aquele fenômeno que é uma maldição na vida de toda grande banda, a expectativa dos fãs. A banda foi sempre muito honesta na divulgação do disco sendo abertos em dizer que era um disco de sobras de estúdio da gravação do disco anterior The Division Bell, também uma homenagem ao falecido tecladista Richard Wright e por fim a última despedida do Pink Floyd.

Mesmo sendo fã da banda para mim estava bem claro que a fase áurea do Floyd se encerrou com The Wall, tudo o que veio depois com Waters e Gilmour assumindo sozinhos a liderança da banda, respectivamente jamais chegou aos patamares de originalidade e genialidade musical de antes. Então, quando chegou o anúncio de The Endless River eu fiquei muito feliz, mas em momento nenhum me iludi com a potencial qualidade do álbum, também não sofri com isso, pois tinha duas grandes certezas: a primeira, o disco não seria genial, nem chegaria aos pés dos clássicos da banda; a segunda, que eu iria adorá-lo.

Agora com disco a todo volume nos ouvidos eu constato que ambas certezas se confirmaram, The Endless River é sim um ótimo disco do Pink Floyd, mas não é genial, nem chega perto disso. Não é original, inovador, nem vai estar na lista de melhores do ano. Essa época do Pink Floyd já passou. O disco é pura nostalgia do passado, reutilizando e reciclando ideias que já foram usadas em vários outros discos e registros da banda, há ecos de diversas fases e até algumas referências mais diretas como belíssimo solo de órgão “Autumn’68”, referência direta a Summer’68 do disco Atom Heart Mother (1070) ou ainda “Talking Hawking”, composição baseada num lindo movimento de piano, onde o cientista Stephen Hawking faz outra participação especial como já fez antes em “Keep Talking” do Division Bell.

Aliás, a homenagem a Wright se justifica nesse disco, a base de muitas composições está no piano onde se destaca o talento de Wright para criar belíssimas composições baseadas em movimentos simples e suaves onde cada nota flui com naturalidade ao longo das canções. Para mim, essas inserções de piano, sempre foram a maior riqueza que Wright trazia a música do Pink Floyd. Confirme o que digo ouvindo Anisina, o som daquelas teclas vai demorar a sair da sua cabeça. Gilmour também manda muito bem no disco, Allons (y) parte 1 e 2 são calcadas em excelentes riffs de guitarra, além da música de encerramento Nervana, um dos riffs mais legais dele que já ouvi, (É SÉRIO!!!) merecia uma composição completa. Além de Louder than Words a única que apresenta os clássicos vocais do guitarrista em conjunto com seus elegantes solos de guitarra.

Os defeitos de Endless River estão nas canções que passam batidas aos ouvintes, muitas delas são sim meras curiosidades e sobras de estúdio e não destacam no albúm, coisas que se assemelham a trilha sonoras ou canções ambientes que você nem vai perceber quando mudar de uma para outra. Alguns trechos funcionam muito bem, particularmente de Allons (y) até Talking Hawking e Surfancing como uma ótima introdução á Louder than Words. A maioria das canções serve apenas como pedestais para as que realmente se destacam, isso transforma uma quantidade considerável de minutos do disco em mera música ambiente que você ouve enquanto está fazendo outra coisa (enquanto escreve uma resenha, por exemplo).


Por fim, não é aquele disco sensacional que talvez você estivesse esperando, mas também acho injusto dizer, como já vi em resenhas, que não merece carregar o nome do Pink Floyd, é claro que merece, se o pavoroso disco Ummagumma merece esse título, porque não The Endless River? Por outro lado, o disco realmente decepciona enquanto encerramento de atividades, como Gilmour já deixou bem claro que seria, a solução mais correta e utópica, seria Waters voltar pra banda e junto com Gilmour e Mansom gravar um novo e derradeiro disco, como fez o Black Sabbath. Sim, sabemos que os dois iam brigar no estúdio, mas afinal a música do Floyd sempre foi fruto de conflitos e o resultado com certeza sairia fantástico.

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