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Evangelion vol 14

Nem sei mais quanto tempo foi desde a primeira vez que comprei o primeiro volume de Evangelion, sei que faz mais de dez anos pelo menos! E olha que cheguei atrasado, já era o volume 10 ainda pela há muito falida editora Conrad. Foi mais ou menos pelo mesmo período que assisti ao Anime na Filmoteca Acreana, não essa que tem hoje, bonita e reformada, mas a antiga, uma salinha escura, apertada e com cheiro de mofo, foi lá que vi os primeiros episódios da série que, de fato, consolidou meu gosto pelos desenhos animados japoneses, vulgo Anime, foi também a primeira que vi legendada.

Antes de Evangelion já havia para mim Os Cavaleiros do Zodiaco, Dragon Ball, Yu Yu Hakusho, mas todas essas eu via na TV aberta, dubladas e confesso que pra mim tudo era desenho, não fazia muita diferença de que país vinha. Eva, apelido carinhoso, foi diferente! A começar os personagens falavam em japonês e cara, isso faz uma diferença danada pra mim, segundo tinha robôs gigantes esquisitíssimos que pareciam monstros e sangravam que nem gente! Os vilões eram seres de formatos bizarros chamados Anjos, que não falavam e por tinham uma obsessão enorme por alcançar uma base secreta chamada NERV e se conectar com a criatura escondida lá dentro, fora que quando morriam sempre explodiam em forma de cruz. Outra coisa eram os personagens, pouquíssimos eram o que se pode chamar de pessoas normais, no fundo todos eram bem estranhos e problemáticos, meio como os personagens de David Lynch. 

Fora isso tinha o enredo, um quebra cabeça fragmentado onde as peças nunca vinham em blocos, mas em informações espaçadas ao longo da série. A base era um apocalipse chamado Segundo Impacto que teria acontecido no ano 2000 e dizimado metade da população da Terra, anos mais tarde haveria um Terceiro Impacto que terminaria de devastar o resto, para impedir isso a Nerv e os Evas (os robôs gigantes) foram criados. Tudo isso previsto com exatidão em documentos encontrados no Mar Morto e dirigido conforme o roteiro por uma organização secreta chamada Seele que pretende pelo visto não evitar o Terceiro Impacto, mas sim usá-lo conforme seus planos para executar um tal Plano de Complementaridade Humana que nunca explicam exatamente o que é! Fim do mundo, robôs gigantes, tramas psicológicas intelectualóides, nudez moderada, se essa for sua praia então Evangelion é um prato cheio.

Voltemos ao mangá, publicado há anos, nem sei quantos, acho que desde que a série estreou para o mundo em meados dos anos 90, escrita bem... e digo bem.... lentamente por Yoshiyuki Sadamoto, Eva encontrou uma base consolidada de fãs ao redor do mundo. O mangá seguiu bem os passos da série, com alterações em diversos momentos, mas nada drástico, acabou parecendo uma versão estendida da história contada no Anime e muitos anos depois que a série original se encerrou e já na metade do remake que tá sendo lançado no formato de filmes, o mangá finalmente se encerra, e com ele se encerra um segundo ciclo de histórias de Evangelion.

Faz meses que isso já aconteceu para o mundo, mas só na semana passada que isso chegou ao Acre e só agora li. Lançado por uma nova editora, num novo formato, com o dobro de páginas do formato anterior, finalmente li o volume 14 ou 27-28, pra quem lê no formato antigo. O volume tem poucos diálogos, visualmente é belíssimo, pena que mangás são publicados em preto e branco, pois as imagens contidas nesse volume bem que mereciam cores e papel couchê. Na capa está Shinji Ikari o heroi mais chato da história, neva e atrás dos escombros de Tokyo 3 está a Unidade Eva 001 como que crucificada. A história é praticamente a transcrição do final do filme The End of Evangelion, mas com cenas adiconais, e nele vemos o Apocalipse final do mundo, todas as consciências se dissolvendo e por fim cabendo a Shinji a decisão final: ficar num mundo sem sofrimento, mas também sem alegria, sem nada ou voltar ao mundo como ele era e pelo qual já fora tão ferido.

Quem já viu The End... sabe a decisão do personagem, aqui é exatamente a mesma, com a diferença que aqui se acrece uma conclusão mais bonita e "happy end" que a cena final do filme, que eu ainda prefiro. Porém, não para por aí, a cereja do bolo está no capítulo extra, uma espécie de Epílogo que Sadamoto nos dá brinde onde ele faz aquilo que todo roteirista da Marvel já tá craque em fazer, puxar ganchos e aqui o gancho é puxado diretamente para os Rebuilds a série de filmes que está sendo lançados e praticamente reescrevendo (ou continuando, segundo teorias) a história original do Anime. Eu não poderia pedir final melhor! Bola dentro Sadamoto, ainda serve como desculpa pra demora nos lançamentos, não fosse esperar os filmes não daria pra fazer o gancho!
Belíssima cena final de The End of Evangelion

O que resta agora é esperar, ainda temos um Rebuild pra ser lançado, que vem aí cheio de promessas e muitas perguntas que, se eu conheço bem Hideaki Anno e a equipe da Gainax, jamais serão devidamente respondidas e Evangelion seguirá ainda por muitos anos temas de debates acalorados nos fóruns de internet ou entre conversas com o pequeno punhado de amigos que tenho que conhecem a série!

Vida longa Neon Genesis Evangelion!

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