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Os Descordantes: duas músicas

Um nome interessante na cena musical acreana é a banda Os Descordantes, nome referente ao termo descordo, que era o nome dado ao um específico tipo de trova que discorria sobre paixões não correspondidas, daí você já pode adivinhar o tema principal das canções desse grupo, paixões seguidas de pés na bunda e muita, mas muita dor de cotovelo e tudo isso embalado não em alguma espécie de rock erudito medieval, mas na mais tradicional forma de descordo brasileiro a música brega, o samba e um pop rock melodioso e choroso. Mistura que vem funcionando muito bem ao vivo nas casas noturnas e festivais de Rio Branco e outros estados do Brasil. De fato, a banda inclusive já tem um bom conjunto de fãs, tanto é que organizou um show de lançamento numa das casas mais tradicionais de dança e música brega da capital a Saudosa Maloca lotando lugar. A grande expectativa do ano é o lançamento do primeiro disco da banda Espera a Chuva Passar, que reunirá muitas das canções pop/brega já conhecidas do p...

RESENHAS: Dois livros

O Dia Em Que O Rock Morreu – Andre Forastieri. Esse livro é um epitáfio para o Rock'n Roll escrito por Andre Forastieri, jornalista com gabarito, foi editor da Bizz, fundou a revista Herói e publicou diversos livros e mangás através de sua editora a Conrad, pioneira no ramo dos quadrinhos japoneses no Brasil, enfim um cara com bagagem pra falar de muita coisa, mas aqui o assunto foi Rock, sobre o que ele foi, como morreu e como somos todos um bando de necrófilos por continuarmos nessa teimosia de acharmos que ele ainda é relevante para o mundo. Editado a semelhança de um disco punk, porém conceitual, conceitual porque dividido em quatro partes que se alinham conceitualmente e seriam como lados A e B de um disco duplo, punk porque é livro pequeno, de textos curtos e grossos, daqueles que não deixam a gente ficar indiferente, daqueles que mexem, irritam, abalam suas estruturas, seus conceitos e por que não? Te fazem refletir. Ao mesmo tempo que enterra o rock o livro e...

O ANGRA VEM AÍ!!

Dia 31 de maio a cidade de Rio Branco será palco de um evento inédito quando se fala em Heavy Metal, falo do show da banda paulistana Angra, que durante os anos 90 e início dos anos 2000 foi um dos maiores e mais influentes nomes do metal brasileiro. Após seu sexto álbum “Aurora Consurgens” a banda passou por altos e baixos como: má aceitação do disco, saída de membros, etc., enfim a banda começou a sumir da mídia dando lugar aos projetos paralelos de seus integrantes. Em 2010 foi feita uma tentativa de retorno às atividades com uma turnê conjunta ao lado do Sepultura, também com o lançamento do disco Aqua, mas, por problemas que só os membros da banda sabem totalmente, a química não rolou como antes e, creio, a gota d'água foi fraquíssimo show no lendário festival Rock in Rio, que culminou com a saída do vocalista Edu Falaschi pouco tempo depois. Uma nova tentativa para reativar a banda  está sendo feita com a turnê de 20 anos de aniversário do disco Angels Cry, debut da ...

RESENHA: Anjo Gabriel - Lucifer Rising

Lucifer Rising é o segundo álbum da banda pernambucana Anjo Gabriel, trata-se de uma trilha sonora alternativa para um curta metragem dos anos 70 dirigido por Kenneth Anger. O curta, sem diálogos,  trata de "deuses Egípcios invocando o anjo Lúcifer a fim de inaugurar uma nova era do oculto" (que viagem!), palavras do próprio Anger que inclusive nega que o filme seja psicodélico e ainda por cima desaprova o uso de drogas "Eu acho que drogas são muletas, você não precisa delas para ser criativo". O filme é basicamente uma síntese da contracultura dos anos 70 que flertava com diversas vertentes místicas indo do satanismo à busca pela dita sabedoria oriental, tendo, por isso, cenas filmadas no Egito e nos nos Stonehenge da Inglaterra, além da farta utilização de elementos Egípcios como ideogramas e figuras piramidais, também constam referências à Thelema e a seu mentor Aleister Crowley, que Anger considera um gênio britânico. Não é a toa que esse projeto chamou ate...

Hyouka – Uma homenagem escolar à literatura policial

A frente: Oreki e Chitanda. Atrás: Fukube e Ibara A ficção escolar, ou seja, aquela que é ambientada em colégios ou faculdades, é um gênero muito comum na produção ficcional para jovens, creio que por ser mais fácil criar um reconhecimento entre obra e público quando a trama se desenvolve em um ambiente familiar e com personagens na mesma faixa etária de seu público alvo. Assim é com diversas séries de TV americanas, assim é na literatura e cinema (exemplo mais fácil é a saga Harry Potter) e assim também na produção ficcional japonesa. Há no Japão um verdadeiro nicho voltado para a ficção escolar, seja nos mangás, animes, light novels, games e até mesmo na área dos eróticos. São tantas e variadas obras que é quase possível virar um especialista no sistema educacional japonês. Hyouka surgiu como uma light novel que como tantas outras é ambientada no ambiente escolar e vivida por adolescentes, com o sucesso ela acabou se tornando uma série em mangá e em seguida adaptada para...

Resenha: Uma Confraria de Tolos de John Kennedy Toole

“Quando surge no mundo um verdadeiro gênio, pode-se identificá-lo por este sinal: contra ele juntam-se em aliança todos os tolos” Jonathan Swift Ignatius J. Reily, intelectual obeso, desagradável, preguiçoso e egocêntrico, passa os dias trancado em seu quarto de camisolão rabiscando em seus cadernos suas invectivas contra a idade moderna ao mesmo tempo em que sofre de seus intensos problemas de gases. Ignatius é uma mente medieval que foi lançada catastroficamente no século errado. Para ele, o iluminismo foi uma grande mentira, a cultura não passa de um amontoado de afrontas aos bons costumes e a decência. Toda sua visão do mundo é embasada nos pensadores medievais como Boécio e Tomás de Aquino, além dos quadrinhos do BATMAN. Este é o (anti) herói dessa obra única de J. K. Toole. A história começa quando sua mãe o obriga a sair às ruas em busca de emprego, porém sua mera presença fora do lar atrai uma série de desventuras quixotescas que quase sempre acabam em co...

JON LORD CONCERTO FOR GROUP AND ORCHESTRA um legado para a música

Foi há 44 anos que um Deep Purple ainda jovem com um recém chegado Ian Gillan reuniu-se no Royal Albert Hall com a Royal Philharmonic Orchestra num grande concerto que misturava música clássica e rock, esse show terminou com a execução de uma peça escrita pelo tecladista da banda, Jon Lord, chamada de Concerto For Group and Orchestra onde banda e orquestra dialogavam, ou melhor, digladiavam-se num feroz embate entre música erudita, rock e blues. O resultado foi um disco ao vivo que por muitos anos foi o único registro desse espetáculo, pois nos anos 70 as partituras do Concerto foram perdidas acabando com as possibilidades de realizarem novamente a performance por anos. Porém, em 1999 a partitura foi restaurada por Marco de Goeji e novamente Jon Lord e o Deep Purple executaram a obra no Royal Albert Hall, dessa vez ao lado da London Symphony Orchestra, conduzida por Paul Mann, contando ainda com a participação especial de diversos artistas, dentre eles o saudoso Dio. Esse show f...