Pular para o conteúdo principal

Postagens

Crítica: A Forma da Água

Chega certa época na carreira de um diretor que parece que ele se sente na obrigação de fazer um filme fofo. Foi assim com Scorcese quando filmou A Invenção de Hugo Cabret, Spielberg sentiu esse necessidade logo cedo com seu ET, fico imaginando quando essa necessidade imperativa de ser fofo no cinema vai acometer Tarantino, tamos aí no aguardo.  De qualquer forma, essa é a vez de Guilhermo Del Toro, excelente diretor que já nos presenteou com o sensacional Labirinto do Fauno, nos divertiu com um pastiche de anime chamado Pacific Rim e vá lá, nos entendiou um pouco com Colina Escarlate. Agora ele chegou para encantar com um conto de fadas de época sobre a luta por um amor impossível. Todos os elementos estão lá, desde a ambientação de época, os anos 60 no caso, a trilha sonora, as referências a filmes clássicos, musicais antigos, de preferência, além dos personagens, todos essencialmente bons, mas vivendo a margem da sociedade que basicamente, os despreza. Mas Del Toro é ...

Os 10 anos de Breaking Bad

Há dez anos atrás Heisenberg e Walter White entravam na cultura pop para marcar época. Para mim passou batido, primeiro porque há dez anos atrás eu nem era de assistir séries, também passou batido nos anos seguintes, só depois da série já ter se encerrado e por recomendação de um amigo é que fui encarar as cinco temporadas da história do professor de química com câncer que se transforma num  maligno traficante de drogas. Muita gente considera, meu amigo inclusive, essa como a melhor série de todos os tempos. É interessante pensar o que faz dessa série tão impactante para os fãs. Certamente um desse elementos é atuação fenomenal de Brian Cranston como Walter White evoluindo de um pacato, medroso e fracassado professor química e lavador de carros para um cruel assassino, sangue frio e temido chefe de tráfico Heisenberg. E seguindo a fórmula de sucesso de Conan Doyle, o personagem principal precisa de seu parceiro, esse é Jesse Pinkerman, personagem do qual vamos sentir pena, ...

Crítica: Jumanji - Bem Vindo a Selva

Jumanji é um filme do qual eu não esperava gostar. Como era o melhor da programação do cinema aqui de Rio Branco, tirando Star Wars que eu já tinha visto, fui sem compromisso e sem nenhuma expectativa. E para minha surpresa adorei o filme. É aventuresco, é divertido, lúdico com clima de sessão da tarde para curtir com toda a família. Minha maior preocupação era que o filme fosse uma repetição do original dos anos 90 com as tais atualizações para soar mais moderno. Bem, as atualizações estão lá, mas não é de forma alguma uma repetição da formula do filme original. O novo Jumanji tem um pé inteiro na comédia e faz paródia com diversos clichês dos video-games, o próprio personagem principal vivido por Dwayne Johnson é uma, o Professor de faculdade fortão com pintas de Indiana Jones ou ainda a personagens de Karen Gillian que usa roupas minúsculas mesmo no meio da selva, além do coadjuvantes Kevin Hart e Jack Black interpretando um biólogo baixinho e um professor gordinho e são os...

Os melhores de 2017 segundo o Seringueiro Voador

Fechando o ano de postagens no blog bastante satisfeito devo dizer. Muito texto ficou por ser publicado, muitos começaram, mas terminaram no limbo dos rascunhos, ainda assim, foi o melhor ano do blog desde 2009. Ano que vem completamos um ano de blog e pretendo escreve ainda mais que neste ano.  Olha, não sei se você é leitor fiel aqui ou está passando pela primeira e última vez, mas se for leitor constante, muito obrigado! Tentarei melhor ano que vem.  Fim de ano é época propícia para relembrar tudo de interessante que aconteceu esse ano, mas que por uma coisa ou outra acabou passando batido, geralmente eu faço isso relacionado a música, área com a qual tenho mais afinidade em escrever e de fato a área que eu mais tenho acesso a novidades. Esse ano vou falar de música, cinema, literatura, televisão e tudo de legal que aconteceu no âmbito cultural ao qual eu tive acesso. A lista que segue não tem pretensões de realmente dizer o que foi MELHOR no ano corrente, mas ...

From the Fire - Greta Van Fleet

O Greta Van Fleet, banda de rock americana formada em 2012 pelos irmãos Josh Kiszka, Jake Kiszka, Sam Kiszka, além do baterista Danny Wagner, foi uma das grandes revelações deste ano. Primeiro por seu EP de estréia "Black Smoke Rising", de 2017, onde a banda mostra uma hard rock poderoso, cativante e uma semelhança absurda com o Led Zeppelin. Dos riffs de guitarra, perpassando as viradas de bateria, as notas de baixo e principalmente os timbres vocais de Josh, assustadoramente parecidos com o do jovem Robert Plant.  A banda soa com o Led dos primeiros anos, particularmente o dos discos Led Zeppelin II e III, mas a força e qualidade das canções é tão grande que não parece uma cópia barata, a sensação é mais como ouvir material inédito do próprio Led. Exceto a canção título, que é um ponto fora da curva, todas as demais, a saber: "Higway Tune", "Flower Power" e "Safari Song" são puro Led Zeppelin redivivo.  Recentemente a banda lançou um...

Somos como o sonhador que sonha e então vive dentro do sonho

Nunca fui fã de Twin Peaks até este ano quando resolvi enfim assistir a série para poder acompanhar os acontecimentos da recentemente lançada terceira temporada e já considero a melhor série do ano e pessoalmente a melhor série que já assisti. David Lynch e Mark Frost, criadores da série são geniais e Lynch especialmente ao dirigir todos os espisódios desta terceira temporada como um enorme filme. O que fascina em Twin Peaks é que por um lado a série é uma novela, tal como aquelas da globo ou ainda como a série Game of Thrones, há mocinhos e vilões, tramas e traições, dramas e romances, mistérios e reviravoltas. Por outro lado desafia padrões de narrativa ortodoxos com personagens estranhos, silêncios constrangedores e situações oníricas que fazem duvidar da noção de realidade. Twin Peaks é um obra de fantasia, terror, ficção científica, comédia, tudo ao mesmo tempo. Difícil de definir, mas fácil de amar. A história que começa como uma noveleta de suspense policial onde o agent...

A Coisa, enfim uma adaptação decente de Stephen King

It ou A Coisa é um dos maiores clássicos do autor norte americano Stephen King. Um tijolaço que varia de 900 e tantas à mais de mil páginas dependendo da edição, a minha tem menos de mil, mas uma letra do tamanho de bula, lê-lo, aos quinze anos de idade, foi quase uma malhação pros bíceps. Pra quem gosta de terror, fantasia e prolixidade o livro é um deleite. Eu adorei quando o li, até chegar ao final, mas disso falaremos em outro momento. A sinopse de It no livro começa falando de uma cidade assombrada no Maine onde sete crianças conheceram o terror pela primeira vez. A tal cidade é Derry uma pequena e pacata (pero no mucho) cidade do interior norte americano, aquele tipo de lugar idílico onde todo mundo se conhece e vive num ambiente de suposta tranquilidade e boa vizinhança. Mas tal tranquilidade é apenas uma fachada, uma presença aterrorizante vive nos subterrâneos de Derry, se alimentando de crianças e medo e as sete crianças, também conhecidos como o clube dos perdedores, s...