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Interlúdio... (um conto civilizado)

Personagem n°1

_ Puta que o pariu, a porra desse transito num anda mais não caralho!!!!

Personagem n°2

_ É bem acidente.

Dialogo:
n°1 com feliz traseunte.

_Tu sabe que foi que houve alí na frente?

_Acidente, seguido de roubo e um assassinato.

_Puta que pariu como é que é?

_ Um carro bateu no outro, daí os dois começaram a briga, um bandido aproveitou a confusão e roubou uma caralhada de carteira, casa e até a pistola do guarda, daí um dos motoristas muito emputecido agarrou o ladrão, encheu o coitado de porrada e descarregou a arma no outro condutor. Foi só.

_ Puta merda SÓ! Imagina se tivesse sido alguma coisa. E tu tava lá é?

_ Tava mermo, é que o outro ladrão tinha um parceiro mané, que sou eu. Então passa logo a grana, a joias da moça aí e me descola um cigarro.

Operação efetuada, ladrão com a grana, relógio e um cigarro.

_ Fogo aí mermão? - pergunta personagem n°1

_ Só mané.

_ Então toma aqui vagabundo filho da puta!!!!

Personagem n°1 descarrega seu calibre 38 no feliz transeunte.

Epílogo.
Logo alí havia uma casinha, toda jardinhada, o portão e as grades, tinham pouco mais que meio metro de altura. Uma pequena estradinha de chão batido levava a uma modesta casinha de madeira, pequena e confortável, lá um rádio tocava e no escuro, sentado, iluminado pela luz da lamparina um velho descansava, embalando-se em sua cadeira de balanço de madeira e tela.

_ No meu tempo, essa cidade era calma, nem precisava fechar a porta, num tinha transito, não tinha arma, só os policial, arma mermo era a faca. Sem tv, só rádio, sem engarrafamento, sem violência, só em bar. Eram bons tempos, tempos seguros.

Um garoto está ao lado do velho, ouvindo atentamente as palavras dele e retruca:

_ Pois é vô, naquela época era tudo primitivo, agora ta chegando a civilização. Olha lá na rua.
Agora aqui é tudo quase civilizado, só falta um fast-food.

Rindo o velho se levanta.

_ Hehehehehe é pode ser, vou me deitar. Passe o cadeado no portão meu filho.

E volta para o seu pequeno pedaço do primitivo e atrasado que tantas saudades lhe dava.

Gildson Góes.

Comentários

Paulo Victor disse…
essa é a nossa sociedade não é?
^^
é por isso que os indios do Brasil, assim que chegaram os portugueses, não sabiam muito bem o que fazer.
ficaram assustados, inquietos.
pensando se aqueles seres visitantes eram civilizados ou não.

e não é que até hoje,
não sabemos a resposta..
: ]

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