Pular para o conteúdo principal

Chico Fuleiro e o Diabo. - Parte 1

Certa vez houve, por essas matas verdejantes, um certo senhor chamado Chico, sujeito casado, com filhos, com amantes e bastardos, desses de não gostar de trabalhar, esperto que só vendo o Senhor Francisco Fuleiro para acreditar em tamanha esperteza, roubava nas cartas, no dominó, no dado, na sinuca, na conta da cerveja e até mesmo no resultado do jogo de futebol. Era um sujeito esperto, ainda assim era pobre. Claro que isso desagradava muito nosso amigo Chico Fuleiro.
Dias e dias, meses e meses, anos e anos ele matutou em como enricar, mas a riqueza não chegava não. Ela parecia até mesmo se esconder dele. Nada do que tentava parecia valer a pena, sempre meios espertos é claro, seu Chico tinha uma filosofia de que só os espertos enricavam nesse mundo e claro, ser esperto é ser malandro, é ser fuleiro. Isso seu Chico era de mão cheia.
Nunca foi homem religioso, tinha lá suas superstições, mas jamais fora religioso. As únicas vezes que foi à igrejinha local, arranjara um modo de roubar parte das ofertas, e de bônus, levou o vinho do padre. Esperto que só o cão era esse seu pensamento.
Nisso apareceu sua ideia brilhante, ideia de gênio, o Diabo, por que não tentar. Era uma boa maneira de enricar, por que não vendia a alma para o diabo? Era uma excelente idéia! Sem falar que ele era esperto o suficiente para enganar o Capeta, levar a grana e de quebra a própria alma. Então ele resolveu, quem não arrisca não petisca não é mesmo?

Então foi numa noite de lua, o demo em pessoa apareceu para Chico, ignoro o procedimento de invocação, mas ele o chamou. Logo o capeta estava em sua frente, envolvido em vestes negras, sobre um cavalo negro de olhos flamejantes.
_ Por que sua pessoa me invoca até estes recantos do mundo?
_Porque minha pessoa está pessoalmente interessada em fechar negócios com a sua pessoa.
_ Negócios? E o que sua pessoa poderia querer negociar com o Rei do Inferno?
_ Minha alma!
_ Em troca de....
_ Riqueza, fortuna, prosperidade. Mas de um jeito fácil.
_ Acordo fechado, mas não aceito só sua alma. Vai ter que me dar sete.
_ Sete?! Onde é que se arranja tanta alma homem de Deus!
_ Não sou de Deus. Mate sete pessoas que vou lhe indicar, então estaremos de acordo fechado, e a oitava alma será a sua. Espero que aprecie o acordo. Até logo, Senhor Francisco.

Continua........

Gildson Góes

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

News of the World. (ou Era uma vez em um lugar qualquer)

Ditadura de 70 anos chega ao fim em Lugar Qualquer Cicrano de Souza – Enviado especial à Lugar Qualquer. O clima continua tenso em Lugar Qualquer, o ditador Mão de Ferro teve de fugir na calada da noite junto com sua família para fugir à fúria dos manifestantes. As ruas estão tomadas de populares, os conflitos com o exército são freqüentes, as lojas estão fechadas, os turistas se escondem apavorados nos hotéis ou tentam fugir em massa através dos aeroportos congestionados. Os saques a lojas e bancos ainda continua e não há dia em que não possa ser visto carros incendiado nas ruas e estradas da grande capital de Lugar Qualquer, Cidade Grande. Os manifestantes exigem a prisão do ex-ditador Mão de Ferro, porém até o momento não se sabe onde ele e sua família podem estar escondidos. Todas as residências oficiais já foram tomadas, e as propriedades particulares do ditador foram incendiadas. Há suspeitas de que eles podem estar escondidos nas regiões m...

Lux Vivens: a música medieval de Hildegard von Bingen pelas mãos de Jocelyn Montgomery e David Lynch

Santa Hildegarda de Bingen, ou em alemão Hildegard von Bingen , foi uma mulher marcante: monja beneditina, mística, escritora, teóloga, dramaturga, poeta e, principalmente, compositora. Viveu entre 1098 e 1179, na terra que hoje é a Alemanha. Foi canonizada em 1584, embora a canonização formal só tenha sido reconhecida oficialmente em 2012, pelo então Papa Bento XVI. A obra musical milenar de Hildegard faz parte da música sacra medieval de seu tempo, ou seja, sua obra está completamente ligada a seu trabalho teológico, tem cunho moralizante e pedagógico de acordo com a doutrina cristã medieval que era pregada pela compositora. Não esquecer que estamos frente à obra musical de uma santa católica. Mas o que realmente é interessante na obra é que esta foi inspirada por visões da santa. Acredita-se que ela não tenha recebido uma educação formal nos moldes que hoje conhecemos e que sua inspiração para a escrita, para a música, para a medicina e para a teologia lhe viesse pela inspiração di...

A Balada de Chico Moreno e Bicho Feio. Canto quinto - parte 2

“Ô velho do capeta Tu ta fazendo a gente de besta?” Bradou Bento enraivecido Chico acalmou o amigo “Te acalma bento Esse velho de trapaceiro tem talento Mas não posso esquecer a missão Mandar o Bicho Feio pro cão Anda sua desgraça Pede logo tua cachaça” Retardando ainda mais o conto O velho tomou gole mais longo Não se fazia de rogado Esvaziava a garrafa num só trago “Então meu generoso senhor Agora lhe conto ainda com pavor Do que fez o cabra afoito Agiu que nem um doido Frustrada a sua vingança Se voltou contra a criança A filha mais jovem chamada Esperança. Bebe ainda novo Tomou-a nos braços a atirou no fogo! Que tamanha tragédia! A mãe ficou histérica Pulou em cima de Camargo com um grito E na testa levou um tiro O filho mais velho pra mata tentou escapar No intuito de seu pai avisar Mas para não deixar testemunho ocular Camargo correu atrás para o capturar Rápido correu o fugitivo Mas Camargo foi expedito P...