Pular para o conteúdo principal

O Diarios Secretos de Seu Zé do Churrasquinho.

Olá, eu sou o Zé.
Meu trabalho é fazer churrasquinhos.

Faço espetinhos de carne, misto de carne e toscana, carne e frango e só frango. Um real o espetinho, e é um dos melhores da cidade. De acompanhamento vem farofa e macaxeira no copinho. Tenho muitos clientes, mais de cem em noites movimentadas, param alunos de escola, pessoas saindo do trabalho, policiais e até alguns deputados vem da Assembléia até minha humilde banca, de carro é claro.

De fato, é muita gente pegando no espeto e botando a macaxeira na boca. (desculpem, não resisti a piadinha).

Minha rotina é a seguinte.

Acordo de manhã, lá pelas nove, afinal chego em casa para dormir de madrugada, vou ao supermercado comprar as melhores carnes para o churrasquinho da noite, compro alguns kilos de toscana e uns tantos peitos de frango, não muito, o frango vende pouco. Depois, vou ao mercado lá no velho Chiquinho do Macaxeirão (não pensem besteira), compro as melhores manteiguinhas que ele tem e depois com um quilo de farinha de Cruzeiro do Sul, volto pra casa para preparar tudo.
Corto a carne, a toscana, o frango, preparo meu tempero especial (meu velho pai me ensinou), deixo as carnes lá de molho, menos a toscana. Descasco a macaxeira e corto meu dedo, de praxe, deixo-a cozinhando e daí vou pra farofa.
Tudo pronto é hora de passar a carne no espeto, como preparo muitos espetos essa é uma atividade que leva a minha tarde inteira. Mas as cinco horas estou lá, firme e forte, vendendo churrasquinho.

Esse é meu dia a dia todas as semanas. Mas as vezes acontece algo fora de rotina.

Fim de semana passado por exemplo meu cunhado me liga, diz pra mim ir lá na casa dele no domingo, ir cedo, ele queria me falar alguma coisa. Então vou, chego as nove horas da matina e descubro que ele, minha irmã, mamãe e até minha esposa, tinham me preparado uma festa surpresa. Lá estava uma faixa escrito: PARABÉNS ZÉ, havia um bolo e uns cajuzinhos. Fazia muito tempo que não tinha uma festa, na verdade nem lembrava que era meu aniversário.

_ E aí Zé, resolvemos fazer alguma coisa diferente esse ano, uma festa surpresa. - disse meu cunhado já trazendo uma latinha de cerveja. - Um Churrasco de aniversário.

Bebi um gole de cerveja.

_ Nossa... um churrasco...

Apesar de viver de churrasco a minha vida toda, resolvi aceitar, pelo menos seria um sabor de churrasco diferente.

_ Beleza, e cadê o churrasco. - perguntei.

_ Então. - disse ele - como você é o melhor churrasqueiro da família, pensei que poderia assar a carne logo né. Mas relaxa meu irmão, já comprei tudo, você só tem que descarcar e cozinhar agora, e pode deixar que eu preparo o fogo.

_ Quer dizer que vou fazer churrasco no meu aniversário? Realmente você sabe fazer surpresa.

Pensando bem, não foi nada fora de rotina.

Ass. Seu Zé.

P.S. Odeio meu cunhado.

Gildson Góes.

Esse conto é uma obra de ficção, qualquer semelhança com qualquer Zé do Churrasquinho real é mera coincidência.

Comentários

Fábio Lima disse…
Também odeio meu cunhado.
P.S. é muito bom o churrasquinho do zé.

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha - O Rei de Amarelo de Robert W. Chambers

  Publicada em 1895, pelo autor americano Robert W. Chambers, O Rei de Amarelo é uma coletânea de nove contos sendo os quatro primeiros de horror sobrenatural centrados numa peça fictícia, que leva o mesmo título da coletânea, e supostamente causa loucura em quem a lê. Os demais textos alteram-se entre temáticas fantásticas diversas, e contos mais realistas centrados ou no drama ou no romance. Mas é claro que o crème de la crème do livro são os contos de horror do Rei Amarelo. Esses contos influênciaram vários autores como H.P. Lovrecraft que inclusive incluiu elementos do Rei de Amarelo em sua mitologia de horror cósmico envolvendo a entidade Cthulhu tais como Hastur, Carcosa e o emblema amarelo (falaremos deles mais adiante). Elementos estes que também aparecem na primeira temporada da série True Detective, o que evidencia como a influência da literatura de Chambers tem sido duradoura, afinal é um livro de mais de cem anos de idade. Quantos aos contos segue um breve sinopse de ca...

News of the World. (ou Era uma vez em um lugar qualquer)

Ditadura de 70 anos chega ao fim em Lugar Qualquer Cicrano de Souza – Enviado especial à Lugar Qualquer. O clima continua tenso em Lugar Qualquer, o ditador Mão de Ferro teve de fugir na calada da noite junto com sua família para fugir à fúria dos manifestantes. As ruas estão tomadas de populares, os conflitos com o exército são freqüentes, as lojas estão fechadas, os turistas se escondem apavorados nos hotéis ou tentam fugir em massa através dos aeroportos congestionados. Os saques a lojas e bancos ainda continua e não há dia em que não possa ser visto carros incendiado nas ruas e estradas da grande capital de Lugar Qualquer, Cidade Grande. Os manifestantes exigem a prisão do ex-ditador Mão de Ferro, porém até o momento não se sabe onde ele e sua família podem estar escondidos. Todas as residências oficiais já foram tomadas, e as propriedades particulares do ditador foram incendiadas. Há suspeitas de que eles podem estar escondidos nas regiões m...

A Balada da Meia Noite.

O jovem senhor andava pelas ruas, as estrelas no céu, a lua cheia pairava num devaneio ilusório, cinco minutos faltavam para a meia noite. A rua esguia, calçada em tijolos, onde almas repousavam naquela noite, menos a do andarilho. A sombra do chapéu cobria seus olhos. Lá estava o velho casarão mal-assombrado, ele e seus fantasmas do passado, da janela uma sombra etérea aparecia, o fantasma da garotinha, ela lhe acenava, ele lhe retribuiu o aceno. E seguiu com a doce melodia do vento a lhe fazer companhia. O som das árvores e ar-condionados, seus passos seguiam o ritmo daquela noite profunda, a balada da meia-noite tocava, os fantasmas cantavam em um único som, suas almas se erguiam do solo, e mil coros de vozes defuntas entoavam aquela canção, era uma bela noite. O intrépido rapaz não se assutava, ele até gostava da companhia dos mortos, eles lhe aplaudiam. O jovem andarilho levava o buquê para sua amada. Lá estava a janela, ele entrou, depositou o buquê ao lado da jovem....