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Boarding House Reach de Jack White

Jack White não entra em estúdio pra fazer feio. Seu terceiro disco é fácil um dos melhores lançamentos de 2018. É um disco bem difícil de classificar já que ao que parece White usou todas as referências musicais que ele possui em sua composição. São treze canções que variam entre o hard rock, o blues, o noise, o psicodélico, o jazz, a poesia, enfim uma grande mistura que poderia soar insano, mas não soa, pelo contrário, é muito bom!

O disco começa pomposo com "Connected by Love" com andamento mais lento e corais gospel, fica ainda mais lento e mais pomposo com "Why Walk a Dog" e seus órgãos de igreja pra cair num groove dançante na animada "Corporation", onde Jack recita a letra e grita com a potência de uma sirene sobre uma base musical sólida e suingada. Destaque ainda para o poema recitado ao som de piano e violino em "Abulia and Akrasia" e a canção final "Humoresque" adaptação do músico erudito Antonín Dvorák.

Seria fútil tentar descrever todas as canções, já que a tônica do disco parece ser o bizarro, o próprio músico já avisou que seria assim. Uma olhada rápida na ficha técnica com mais de 24 músicos de estúdio e uma variedade enorme de instrumentos, e creia, todos eles com um momento de destaque no disco, já demonstra toda a variedade musical que o compositor tentou trazer para seu disco.

Jack White e suas guitarras são as estrelas do disco por óbvio, mas pra mim também merece destaque a excelente cozinha formado pelo baixo e bateria, juntos ambos trazem um groove contagiante que não deixa a peteca cair mesmo nos momentos mais bizarros do disco.

Certamente Boarding House Reach é o disco mais fora da curva da discografia de White e facilmente poderia ser classificado como uma ego-trip do compositor. O que se reforça pela declaração de que o compôs o disco de forma que o som saísse da forma mais parecida possível como soava em sua mente . Se assim for, é uma viagem em que embarquei com gosto. Só com uma ressalva para a arte de capa de extremo mal gosto, mas isso é secundário, afinal o que importa mesmo é a música.

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