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From the Fire - Greta Van Fleet

O Greta Van Fleet, banda de rock americana formada em 2012 pelos irmãos Josh Kiszka, Jake Kiszka, Sam Kiszka, além do baterista Danny Wagner, foi uma das grandes revelações deste ano. Primeiro por seu EP de estréia "Black Smoke Rising", de 2017, onde a banda mostra uma hard rock poderoso, cativante e uma semelhança absurda com o Led Zeppelin. Dos riffs de guitarra, perpassando as viradas de bateria, as notas de baixo e principalmente os timbres vocais de Josh, assustadoramente parecidos com o do jovem Robert Plant.  A banda soa com o Led dos primeiros anos, particularmente o dos discos Led Zeppelin II e III, mas a força e qualidade das canções é tão grande que não parece uma cópia barata, a sensação é mais como ouvir material inédito do próprio Led. Exceto a canção título, que é um ponto fora da curva, todas as demais, a saber: "Higway Tune", "Flower Power" e "Safari Song" são puro Led Zeppelin redivivo.  Recentemente a banda lançou um...

Somos como o sonhador que sonha e então vive dentro do sonho

Nunca fui fã de Twin Peaks até este ano quando resolvi enfim assistir a série para poder acompanhar os acontecimentos da recentemente lançada terceira temporada e já considero a melhor série do ano e pessoalmente a melhor série que já assisti. David Lynch e Mark Frost, criadores da série são geniais e Lynch especialmente ao dirigir todos os espisódios desta terceira temporada como um enorme filme. O que fascina em Twin Peaks é que por um lado a série é uma novela, tal como aquelas da globo ou ainda como a série Game of Thrones, há mocinhos e vilões, tramas e traições, dramas e romances, mistérios e reviravoltas. Por outro lado desafia padrões de narrativa ortodoxos com personagens estranhos, silêncios constrangedores e situações oníricas que fazem duvidar da noção de realidade. Twin Peaks é um obra de fantasia, terror, ficção científica, comédia, tudo ao mesmo tempo. Difícil de definir, mas fácil de amar. A história que começa como uma noveleta de suspense policial onde o agent...

A Coisa, enfim uma adaptação decente de Stephen King

It ou A Coisa é um dos maiores clássicos do autor norte americano Stephen King. Um tijolaço que varia de 900 e tantas à mais de mil páginas dependendo da edição, a minha tem menos de mil, mas uma letra do tamanho de bula, lê-lo, aos quinze anos de idade, foi quase uma malhação pros bíceps. Pra quem gosta de terror, fantasia e prolixidade o livro é um deleite. Eu adorei quando o li, até chegar ao final, mas disso falaremos em outro momento. A sinopse de It no livro começa falando de uma cidade assombrada no Maine onde sete crianças conheceram o terror pela primeira vez. A tal cidade é Derry uma pequena e pacata (pero no mucho) cidade do interior norte americano, aquele tipo de lugar idílico onde todo mundo se conhece e vive num ambiente de suposta tranquilidade e boa vizinhança. Mas tal tranquilidade é apenas uma fachada, uma presença aterrorizante vive nos subterrâneos de Derry, se alimentando de crianças e medo e as sete crianças, também conhecidos como o clube dos perdedores, s...

O Nevoeiro 2017

O Nevoeiro é um dos melhores contos de Stephen King. É a abertura da sua segunda antologia de contos chamada Tripulação de Esqueletos. Enorme como ele só é quase um livrinho separado dentro da antologia, merecendo até divisão em capítulos. Anos mais tarde foi transformado num filme melhor ainda pelas mãos do mestre Frank Darabont que já adaptou com maestria outras duas obras de King, a saber, Um Sonho de Liberdade e À Espera de Um Milagre. Mais cruel, mais visceral e pessimista que a própria obra escrita, o filme é um primor, o próprio autor reconheceu a reviravolta final de Darabont no filme superou a sua no livro. E então veio a Netflix... Eles não destruíram a obra, quem quiser uma excelente experiencia em fantasia, terror e tensão, pode buscar as obras referenciadas ali em cima. Porque com certeza não é o que vocês vão encontrar na versão na Netflixiana da obra. Aparentemente, sem dinheiro para fazer um Nevoeiro decente, os produtores da série resolveram focar nos as...

Death Note (2017)

Light Turner é manezão A verdadeira musa sociopata do filme. Como você utilizaria um caderno que tem o poder de matar pessoas? Essa questão é crucial para compreender a diferença entre a produção norte-americana de Death Note da Netflix e o original japonês. Vamos lá: opção 1: você não mata ninguém conhecido, monta um esquema baseado em noticiários de televisão, monta um esquema inteligente para que ninguém descubra seu caderno ou Opção 2: você mata seu colega de escola, executa uma vingança pessoal com ele e o mostra pra aquela garota que você é afim, mas nunca falou com você. É nesse esquema que reside a maior fraqueza de Death Note, seu protagonista e também vilão, Light Turner é um jovem bastante mediano que recebe um grande poder e não sabe muito bem como lidar com ele, seu duplo animado japonês é um jovem gênio sociopata que decide criar um mundo novo executando bandidos da solidão de seu quarto e jamais duvida da justiça de seu comportamento e não tem um pingo de remorso ...

A influência do ABBA em duas ótimas canções de 2017

Você conhece o ABBA? Certamente conhece. É um absurdo não conhecer ABBA. Mas caso não conheça é um sensacional grupo sueco de musica pop que fez sucesso nos anos 70 com clássicos como Dancing Queen, Money, money, money, The Winner Takes it all, Mamma Mia e mais uma longa lista de outras canções. Com certeza você já ouviu alguma. A banda terminou lá no ano de 1982 e, tal qual Led Zeppelin, nunca mais voltou. Mais de 30 anos depois de seu término continua sendo um nome relevante na música mundial e continua exercendo forte influência nos mais diversos músicos dos mais diversos estilos. Nesse ano me chamaram atenção duas composições, principalmente que têm em comum, além do fato de eu ter gostado delas, ambas terem forte influencia da sonoridade do ABBA. Ambas são alegres e dançantes, têm algo de retrô, mas são essencialmente canções atuais e cheias de personalidade. A primeira, de um dos grandes nomes do Rock Progressivo contemporâneo, Steven Wilson de seu mais recente disco To The...

Quando o Heavy Metal está para a contemplação

Metal é música pesada, barulhenta e muito estimulante. A maneira clássica de curtir o heavy metal consiste em usar preto, fazer cara de mal, bater cabeça, no caso balança-la o mais violentamente possível para cima e para baixo e por fim o mosh, jogar-se e bater-se contra os outros fãs com a maior força possível (mas na paz, fique bem entendido). Em resumo, essa é a imagem consagrada de como curtir de maneira saudável um bom show de metal. Porém, há espécies de metal que convidam a outro tipo de postura, mas calma e contemplativa. Curioso notar que tal tipo de heavy metal ocorra justamente na sua vertente mais extrema e sombria, o Black Metal. É o caso, cite-se como exemplo, do Burzum, projeto de Varg Vikernes, uma das figuras mais controversas do metal, se não da música como um todo, sua proposta nunca foi esse metal citado no primeiro parágrafo, tanto é que ele jamais fez sequer um show ao vivo, aliás jamais tocou Burzum ao vivo, exceto em uma série de vídeos curtos onde ele toca...