Pular para o conteúdo principal

Silverinha - O Editor

Em mais um estressante dia de trabalho Silverinha entra em seu escritório, com a caneca de café na mão apagando a ressaca de mais um final de semana. Sim, é plena segunda feira. Dia de notícia boa, furo de reportagem, alguma coisa lhe dizia que algo extraordinário iria lhe acontecer naquele dia.
Ora, mal sentou na cadeira, a porta se abre num estrondo, Daniel, o repórter que Silverinha mais detesta entra na sala, há meses Silverinha está atrás de demitir o infeliz, mais um daqueles filhos da puta com maniazinha de jornalista investigativo, até o zelador já tava sendo processador por causa dele. Quem sabe hoje não era o dia, mas o infeliz sempre dava um jeito de convencer Silverinha a manter ele alí, de fato, as reportagens que davam mais ibope vinham dele. Então foda-se.
_Diga lá Daniel, quem o corrupto da vez. - falou Silverinha, servindo-se de um bom gole de café.
_ Nenhum Silverinha, é um artigo político que escrevi, bastante interessante, acho que o senhor devia dar uma olhada, vai fazer as pessoas pensarem e...
_ Candidatos do segundo turno pedem apoio do Presidente, porém partirdos de oposição aliados do governo federal pressionam. E agora Presidente? Essa é a questão que tem tirado o sono e blá, blá, blá. Besteira, o que mais você tem?
_ Mas chefe, o senhor nem...
_ O que mais?
_ Bem, tem esse aqui....
Silverinha começou a folhear os papeis entediado e, seus olhos se arregalaram, largou o café, leu tudo num átimo. Novamente o Daniel tinha conseguido.
_ Menina burguesa e bonita sequestrada por namorado feio obsecado por amor! Caralho Daniel! Isso aqui é que eu chamo de furo! Ta meio cru mas já dá pra lançar, quero edição especial, e na edição da tarde quero mais material, começa falando mal da polícia, o povo gosta disso, ah é pega entrevistas com a familia da sequestrada, quero essa menina virando uma santa, porra, ah é quero insinuações de abuso sexual! E entrevistas, quero especialistas, pra falar da polícia neh. E também e também....

Enfim ...

Notícias.


EX-NAMORADO TARADO SEQUESTRA EX E A MANTÉM REFÉM EM SUA PRÓPRIA CASA.
Policia tenta negociações.

"Nós resolveriamos tudo em nove horas"- declara general da Swat.

"A gente teria atirado pra matar. Quero ver quem era o primeiro filho da puta que ia falar em direitos humanos pra mim!" - declara oficial do Bope

"Eu teria" - declara advogado dos direitos humanos.

"Deviam ter votado contra o desarmamento" - declara fanático pela paz.

"Bem lembrado, e o referendo sobre o fuzo horário?" - jornalista blogueiro chato sobre assuntos pouco sensacionalistas.

"O jornalismo atual prefere criar novelas da vida real para alienar a população com relação as questões que realmente importam, a crise econômica e..." - acadêmico de comunicação e discusso repetitivo toda vez que surge assunto sensacionalista na tv (mas que ele acompanhou tudo acompanhou)

"Fizemos a greve na hora errada, ninguém presta mais atenção" - declara oficial mal pago da polícia civil.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Lux Vivens: a música medieval de Hildegard von Bingen pelas mãos de Jocelyn Montgomery e David Lynch

Santa Hildegarda de Bingen, ou em alemão Hildegard von Bingen , foi uma mulher marcante: monja beneditina, mística, escritora, teóloga, dramaturga, poeta e, principalmente, compositora. Viveu entre 1098 e 1179, na terra que hoje é a Alemanha. Foi canonizada em 1584, embora a canonização formal só tenha sido reconhecida oficialmente em 2012, pelo então Papa Bento XVI. A obra musical milenar de Hildegard faz parte da música sacra medieval de seu tempo, ou seja, sua obra está completamente ligada a seu trabalho teológico, tem cunho moralizante e pedagógico de acordo com a doutrina cristã medieval que era pregada pela compositora. Não esquecer que estamos frente à obra musical de uma santa católica. Mas o que realmente é interessante na obra é que esta foi inspirada por visões da santa. Acredita-se que ela não tenha recebido uma educação formal nos moldes que hoje conhecemos e que sua inspiração para a escrita, para a música, para a medicina e para a teologia lhe viesse pela inspiração di...

News of the World. (ou Era uma vez em um lugar qualquer)

Ditadura de 70 anos chega ao fim em Lugar Qualquer Cicrano de Souza – Enviado especial à Lugar Qualquer. O clima continua tenso em Lugar Qualquer, o ditador Mão de Ferro teve de fugir na calada da noite junto com sua família para fugir à fúria dos manifestantes. As ruas estão tomadas de populares, os conflitos com o exército são freqüentes, as lojas estão fechadas, os turistas se escondem apavorados nos hotéis ou tentam fugir em massa através dos aeroportos congestionados. Os saques a lojas e bancos ainda continua e não há dia em que não possa ser visto carros incendiado nas ruas e estradas da grande capital de Lugar Qualquer, Cidade Grande. Os manifestantes exigem a prisão do ex-ditador Mão de Ferro, porém até o momento não se sabe onde ele e sua família podem estar escondidos. Todas as residências oficiais já foram tomadas, e as propriedades particulares do ditador foram incendiadas. Há suspeitas de que eles podem estar escondidos nas regiões m...

Os Fiados de Seu Francisco. Parte 5 - Em que nossos personagens encontram seu fim.

E para fechar o mês...... Ainda lembrava seu Francisco, das gloriosas noites de choperia, dos porres homéricos, das conversas altamente intelectuais, dos risos, das alegrias, da movimentação que havia naquela cidade desde a fundação do empreendimento. Dos domingos de futebol, da sexta de música ao vivo, tudo era agora apenas um lembrança de Seu Francisco. Passou o resto de seu dias a beber e relembrar do mais precioso momento de sua vida. _ Jamais uma cerveja será tão boa quanto a da minha choperia. - falava seu Francisco. Ele cansou da cidade e de seus reclamantes cidadãos, foi-se embora para a cidade grande. Lá virou um velho bêbado e amargurado que caminhava pelas ruas, com uma buchudinha na mão, pedindo esmolas e pratos de comida e falando da lenda que ele era. _ Nunca, nunca aquela cidade ingrata viu uma Choperia como a minha. Eu me tornei uma lenda entre os botequeiros, eu ousei fazer o melhor ponto de bebida daquele interior e fui traiçoeiramente enganado. Ingratos, velhacos. Qu...