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A Balada de Chico Moreno e Bicho Feio. Canto quinto - parte 2

“Ô velho do capeta

Tu ta fazendo a gente de besta?”

Bradou Bento enraivecido

Chico acalmou o amigo

“Te acalma bento

Esse velho de trapaceiro tem talento

Mas não posso esquecer a missão

Mandar o Bicho Feio pro cão

Anda sua desgraça

Pede logo tua cachaça”

Retardando ainda mais o conto

O velho tomou gole mais longo

Não se fazia de rogado

Esvaziava a garrafa num só trago

“Então meu generoso senhor

Agora lhe conto ainda com pavor

Do que fez o cabra afoito

Agiu que nem um doido

Frustrada a sua vingança

Se voltou contra a criança

A filha mais jovem chamada Esperança.

Bebe ainda novo

Tomou-a nos braços a atirou no fogo!

Que tamanha tragédia!

A mãe ficou histérica

Pulou em cima de Camargo com um grito

E na testa levou um tiro

O filho mais velho pra mata tentou escapar

No intuito de seu pai avisar

Mas para não deixar testemunho ocular

Camargo correu atrás para o capturar

Rápido correu o fugitivo

Mas Camargo foi expedito

Pelos cabelos o agarrou

O ergueu do chão e o degolou

Gostaria muito dessa história continuar

Mas minha garganta seca está”

“Pede mais uma garrafa

Mas me termine agora a história velho canalha

Ou o próximo porre vai ser de bala”

Falou o Moreno apontando na cara do velho a espingarda

O velho bebeu tremendo

Até ele conhecia a fama de Chico Moreno

Mesmo com medo de parecer atrevido

Falou algo que não podia passar despercebido

“Mesmo nesta situação

Devo pedir ao senhor de coração

Se o senhor não se importar

Deixa eu ir no banheiro mijar?”

“Vai logo vei mole

E não me demore!”

“Devo também dizer pois

Que preciso fazer o número dois

E pra não ficar me demorando

Conto essa história mesmo cagando!”

“Paulo voltou e viu a matança

Gritou de ódio e quis vingança

Correu num desesperar

Sem perceber Camargo

Na tocaia o esperar

Tão de repente foi o tiro

Que Paulo nem mesmo soltou um grito

E no chão a tombar

Ainda viu Camargo gargalhar

‘Você destruiu minha alegria

Agora mato e você e sua família’

E Paulo morreu afogado em ódio

Na cidade Camargo contava o episódio

Por semanas se vangloriou de seu feito

Até por fim, encontrar o BICHO FEIO!

Ah, meu senhores essa parte é de arrasar

Um clímax de arrepiar

Pois Camargo não esquecia

Da lembrança de Ilza a falecida

E tentava nas mulheres da vida

Apagar aquela paixão maldita

Mas na hora do gozar

A imagem de Ilza o vinha assombrar

E não podia Camargo da mulher desfrutar

Frustrado com sua loucura

Matava a mulher com força bruta

Logo todas temiam seu furor

Mas numa noite de luar

Seu destino Camargo iria encontrar

Pois ao raptar uma rapariga

Uma moça na cidade desconhecida

A levou para mato

Para mais uma tentativa

Mas na hora do vamo ver

Um fenômeno fez seu pau amolecer

Das matas veio um grito medonho

E surgiu um bicho bisonho

E Camargo gritou em seu medo

‘Eita mas que Bicho Feio!’

‘Sou feio e não nego,

Mas pior é tua alma que vou jogar no inferno!’

Replicou-lhe o bicho esquisito

Treplicou-lhe Camargo aflito

‘Mas que lhe fiz eu Seu Bicho

Pra merecer tamanho castigo’

‘Tu me matou mas resolvi voltar

Só para de você me vinga

Você matou a mim e a minha família

Agora deve morre em agonia’

‘Paulo tem piedade

Não me faça essa maldade’

O Bicho Feio riu um riso insano

E das matas veio um pranto

de mortos sem descanso

dos cadáveres assassinados

das mulheres de Camargo

que vinham para o inferno

levar a alma do danado

medroso o homem correu

mas o Bicho o deteu

o pegou com suas garras

e o jogou para as mulheres esfomeadas

e ali o valentão Camargo

foi por suas mulheres devorado

o Bicho Feio ergueu as mãos

e jurou que seria a maldição

de todo o homem valentão

e aqui vou terminar

pois minha garganta seca está!”

“O vei bebo

Pelo menos contou a história direito”

Falou Chico bento

Pois a história lhe estava a contento

“Outra garrafa vou te pagar

Mas me diga onde o Bicho Feio encontrar!”

“Se quer mesmo fazer essa loucura

Lhe direi onde encontrar a criatura

Pois ele ainda mora na casa assombrada

A casa da família assassinada

Mas o senhor esteja certo

Entrar lá é entrar no inferno”

Comentários

Gildson Goes disse…
Bem, o blogger não quis por que não quis postar as estrofes separadas, então vai tudo junto mesmo.

E não percam, o próximo Canto

"A tarde em que Chico Moreno matou Cem homens"

Mortes, ação e nosso heroi botando o dedo no gatilho.
Danna disse…
Desculpe o sumiço... Voltei do Beleléu, a 2ª parte da estória tá lá.
Gostei do canto, aliás, toda a linguagem que tu utilizas cai bem.
Bryce disse…
Muito bom, e cada vez melhor. Creio que esse foi o canto mais longo. Aguardo ansioso os próximos.

Gostei muito da crônica do Silveirinha, gostei principalmente, do nome do Jornalista-Filho-da-puta. Muito bom!

x)

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