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RESNHA: Os Magos de Lev Grossman




Nota: 8
           
     Esta é a história de um otário, um otário chamado Quentin. Ele é aquele tipo de otário introvertido que vive uma vida fútil e sem significado, se entedia com tudo e todos e não vê absolutamente nenhuma perspectiva para seu futuro, pra se distrair desse marasmo ele pratica truques de mágica, no que, aliás, ele é muito bom, além de mergulhar no universo imaginário de sua série de livros favorita as histórias de Fillory. Este é o mundo de Quentin, mas tudo muda quando ele descobre que é um mago e ainda por cima foi selecionado para um teste especial em uma faculdade de magia, a partir daí Quentim entra em um novo mundo de magia, aventuras acadêmicas.
                Onde já ouvi isso antes? Harry Potter é claro, mas não se iluda esse livro nada tem a ver com as histórias de Potter, primeiro, é um romance mais adulto, com doses de cenas sexuais não totalmente explícitas, outro a parte do colégio é apenas uma parte do livro, uma espécie de imenso prólogo onde conhecemos melhor os personagens principais Quentin e Alice, cujo relacionamento amoroso vai dar o tom dramático da história e seus amigos Eliot, Janet e Josh, há ainda outros, mas são coadjuvantes.
                Os Magos impressiona mesmo pela construção da narrativa, começa cheio de pontas soltas e sem um objetivo específico na primeira metade, que chamarei parte da faculdade, porém todas as pontas soltas, sejam situações ocorridas ou personagens que apareceram na primeira parte e sumiram como se fossem simples ocorrências começam a retornar e guiar a história para uma direção de certa forma inesperada no inicio do livro. Então temos a historia de uma cara que não era feliz em sua vida de humano normal, descobre a magia, mas ainda assim ele sente aquele vazio dentro dele e acaba descobrindo que o universo mágico com o qual ele sempre sonhou, os livros de Fillory, não era apenas ficção, mas um universo real, e em toda essa viagem percebemos que de fato o que importa não é a magia, ou derrotar o vilão, só no final do livro descobrimos que havia um no fim das contas, o que importa é Quentin e sua busca por dar sentido a sua vida e parar de se odiar tanto.
                Porém esse fato dele odiar tanto sua vida acaba transformando o personagem principal de Os Magos num tremendo babaca que faz, ao longo do livro e de sua própria vida, uma merda atrás da outra, levando o eventual leitor a quase odiar o personagem, principalmente quando o resultado das suas idiotices acaba por custar muito caro aqueles que ele ama!
                Por fim, OS MAGOS acaba sendo uma mistura de Harry Potter com as Crônicas de Nárnia (sim, é isso mesmo), mas nem por isso é um romance paródia, é uma combinação de dois elementos fazendo surgir um terceiro, não inteiramente original, não inteiramente plágio, digamos então que presta uma homenagem! Seus maiores trunfos é criar uma história com uma boa carga dramática e mostrar que a magia pode ter seu lado trágico e macabro e que se você é infeliz consigo mesmo, não tem solução mágica pra isso, você será infeliz em qualquer lugar.


P.S. E aí, vou começar a fazer resenhas por aqui, digam aí abaixo se gostaram!

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