Pular para o conteúdo principal

Moana - Um mar de aventuras ou uma jornada de autoconhecimento

Em determinado momento do filme Maui, o semideus, define a aventura como saber para onde se quer ir, sem que esquecer por onde você já passou. Alcançar esse equilíbrio entre o familiar e o desconhecido, passado e presente, o tradicional e o novo parece ser a verdadeira busca da jovem heroína do mais recente filme da Disney: Moana - Um Mar de Aventuras.

A jornada de Moana traça vários paralelos com o conceito de jornada do herói: o chamado para aventura; a reticência do herói; o mestre, no filme representado pela avó; o aliado, Maui (Semideus, transmorfo, heroi do mundo, em sua própria descrição); a superação dos primeiros desafios; uma ligeira derrota traumática e por fim a recompensa. Todas as características do estilo estão lá, entretanto, é em sua conclusão que Moana se revela muito mais uma jornada de autoconhecimento. 

Saber quem você é e onde está é a tônica que guia o filme, tanto em sua narrativa quanto nas canções tema que o embalam, todas excelentes diga-se de passagem. Da tradicionalista e conservadora Where You Are (Onde você está), cantada pelo pai de Moana, apegado a terra e à tradição de seus antecessores, à linda How Far I'll Go (Quão longe irei), onde a personagem principal expressa seu desejo de saber até onde pode chegar através do oceano, passando pela, também linda, Whe Know The Way (Conhecemos o caminho), canção dos ancestrais de Moana. 

A chave para o sucesso da aventura surge justamente quando Moana, após todos os quilômetros percorridos, lembra quem é e de onde veio e percebe onde quer chegar alcançando assim o equilíbrio entre as duas vontades conflitantes dentro de si o que a leva a descobrir quem ela é, e tal qual seus ancestrais, saber o seu caminho. E é através desse conhecimento que a personagem percebe que ao final não havia real vilão a ser derrotado, apenas recuperar o que há muito tempo fora perdido, tanto para si, quanto para Te Fiti, quanto para sua vila. 

Tudo isso é mostrado de forma leve, com muito humor politicamente correto e, o que mais me impressionou num filme da Disney, uma pequena dose de auto paródia (repare a descrição de Maui sobre princesas ou a cena pós créditos com Tamatoa o caranguejo gigante). 

Os critério técnicos da animação são soberbos de bons, o movimento das roupas, do mar da natureza são tão perfeccionistas que nos fazem sentir a ambientação. Chega a impressionar saber que é o primeiro trabalho em CG dos diretores. A trilha sonora, também é um espetáculo a parte, é a mais bonita dessa mais recente safra de filmes Disney. 

Um filme infantil sem dúvida, mas recomendado para todas as idades.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

News of the World. (ou Era uma vez em um lugar qualquer)

Ditadura de 70 anos chega ao fim em Lugar Qualquer Cicrano de Souza – Enviado especial à Lugar Qualquer. O clima continua tenso em Lugar Qualquer, o ditador Mão de Ferro teve de fugir na calada da noite junto com sua família para fugir à fúria dos manifestantes. As ruas estão tomadas de populares, os conflitos com o exército são freqüentes, as lojas estão fechadas, os turistas se escondem apavorados nos hotéis ou tentam fugir em massa através dos aeroportos congestionados. Os saques a lojas e bancos ainda continua e não há dia em que não possa ser visto carros incendiado nas ruas e estradas da grande capital de Lugar Qualquer, Cidade Grande. Os manifestantes exigem a prisão do ex-ditador Mão de Ferro, porém até o momento não se sabe onde ele e sua família podem estar escondidos. Todas as residências oficiais já foram tomadas, e as propriedades particulares do ditador foram incendiadas. Há suspeitas de que eles podem estar escondidos nas regiões m...

Lux Vivens: a música medieval de Hildegard von Bingen pelas mãos de Jocelyn Montgomery e David Lynch

Santa Hildegarda de Bingen, ou em alemão Hildegard von Bingen , foi uma mulher marcante: monja beneditina, mística, escritora, teóloga, dramaturga, poeta e, principalmente, compositora. Viveu entre 1098 e 1179, na terra que hoje é a Alemanha. Foi canonizada em 1584, embora a canonização formal só tenha sido reconhecida oficialmente em 2012, pelo então Papa Bento XVI. A obra musical milenar de Hildegard faz parte da música sacra medieval de seu tempo, ou seja, sua obra está completamente ligada a seu trabalho teológico, tem cunho moralizante e pedagógico de acordo com a doutrina cristã medieval que era pregada pela compositora. Não esquecer que estamos frente à obra musical de uma santa católica. Mas o que realmente é interessante na obra é que esta foi inspirada por visões da santa. Acredita-se que ela não tenha recebido uma educação formal nos moldes que hoje conhecemos e que sua inspiração para a escrita, para a música, para a medicina e para a teologia lhe viesse pela inspiração di...

A Balada de Chico Moreno e Bicho Feio. Canto quinto - parte 2

“Ô velho do capeta Tu ta fazendo a gente de besta?” Bradou Bento enraivecido Chico acalmou o amigo “Te acalma bento Esse velho de trapaceiro tem talento Mas não posso esquecer a missão Mandar o Bicho Feio pro cão Anda sua desgraça Pede logo tua cachaça” Retardando ainda mais o conto O velho tomou gole mais longo Não se fazia de rogado Esvaziava a garrafa num só trago “Então meu generoso senhor Agora lhe conto ainda com pavor Do que fez o cabra afoito Agiu que nem um doido Frustrada a sua vingança Se voltou contra a criança A filha mais jovem chamada Esperança. Bebe ainda novo Tomou-a nos braços a atirou no fogo! Que tamanha tragédia! A mãe ficou histérica Pulou em cima de Camargo com um grito E na testa levou um tiro O filho mais velho pra mata tentou escapar No intuito de seu pai avisar Mas para não deixar testemunho ocular Camargo correu atrás para o capturar Rápido correu o fugitivo Mas Camargo foi expedito P...