Pular para o conteúdo principal

Sepultura - Machine Messiah

Existem duas coisas nas quais o Sepultura não tem interesse. Uma é perder sua identidade e a segunda é se repetir. Há uma pequena interseção entre esses dois pontos onde a banda consegue fazer um trabalho original sem deixar de ser quem é. Machine Messiah, seu 14º disco, consegue acertar precisamente nesse ponto ao se mostrar um disco moderno, original, inovador e ousado, até onde o limite da prudência admite para que sua sonoridade não deixe de soar Sepultura.

Muito da inovação nesse disco, a própria banda credita ao seu produtor, o sueco Jens Borgen, que teve total liberdade para opinar e trazer novas idéias às composições, tornando-se de certo modo o quinto integrante do Sepultura nesse disco.

Vemos um Sepultura trazendo elementos novos às suas composições. Um deles, cortesia de Borgen, é a orquestra tunisiana que dá um leve toque médio oriental às canções "Phantom Self",  "Sworn Oath" e "Resistance Parasites", sonoridade que caiu muito bem no som da banda, muito mais do que uma orquestra ocidental teria conseguido.

Outra novidade é Derrick Green explorando outras facetas de sua voz na faixa título "Machine Messiah", uma canção pesada, sombria e climática, e na música de fechamento "Cyber God", dois momentos em que o Sepultura soou, pelo menos para mim, como o Machine Head em seus mais recentes trabalhos, mas sem deixar de lado as características sonoridades do Sepultura, seja nos riffs ou no ritmo da bateria.

O Sepultura clássico aparece nas faixas "I am the enemy" e "Vandals Nest", trash acelerados, baseadas em riffs certeiros de Andreas Kisser, serão excelentes trilhas sonoras para as rodas de mosh quando tocadas ao vivo.

"Aletheia" para mim foi o patinho feio do disco. Mostra as capacidades técnicas da banda, com destaque para o baterista Eloy Casagrande, entretanto, apesar de ser uma composição ousada, para mim foi exagerada, tornando-se confusa.

A instrumental "Iceberg Dances" reúne o que de melhor tem o Sepultura, bons riffs, muito groove, musicalidade latina com utilização de instrumentos acústicos dando uma bela adição de harmonia ao peso da banda. A canção do disco que mais remete aos tempos de Chaos A.D. e Roots.

Machine Messiah é um dos discos mais interessantes do Sepultura, para mim é consideravelmente superior aos dois últimos "Kairos" e "The Mediator...", isso porque me mostra um Sepultura interessados em fazer coisas novas e com resultados excelentes como foram nos discos "Dante XXI" e "A-lex", discos que eu mais gosto da era Derrick Green. Torço para que a banda faça mais lançamentos como esse, com o olhar no futuro.

Disse lá no primeiro parágrafo que o Sepultura não é uma banda interessada em perder sua identidade, bem, se nos próximos lançamentos eles quiserem abrir mão um tiquinho mais da identidade em busca de novos sons, eu certamente não vou achar ruim. E você?





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

News of the World. (ou Era uma vez em um lugar qualquer)

Ditadura de 70 anos chega ao fim em Lugar Qualquer Cicrano de Souza – Enviado especial à Lugar Qualquer. O clima continua tenso em Lugar Qualquer, o ditador Mão de Ferro teve de fugir na calada da noite junto com sua família para fugir à fúria dos manifestantes. As ruas estão tomadas de populares, os conflitos com o exército são freqüentes, as lojas estão fechadas, os turistas se escondem apavorados nos hotéis ou tentam fugir em massa através dos aeroportos congestionados. Os saques a lojas e bancos ainda continua e não há dia em que não possa ser visto carros incendiado nas ruas e estradas da grande capital de Lugar Qualquer, Cidade Grande. Os manifestantes exigem a prisão do ex-ditador Mão de Ferro, porém até o momento não se sabe onde ele e sua família podem estar escondidos. Todas as residências oficiais já foram tomadas, e as propriedades particulares do ditador foram incendiadas. Há suspeitas de que eles podem estar escondidos nas regiões m...

Lux Vivens: a música medieval de Hildegard von Bingen pelas mãos de Jocelyn Montgomery e David Lynch

Santa Hildegarda de Bingen, ou em alemão Hildegard von Bingen , foi uma mulher marcante: monja beneditina, mística, escritora, teóloga, dramaturga, poeta e, principalmente, compositora. Viveu entre 1098 e 1179, na terra que hoje é a Alemanha. Foi canonizada em 1584, embora a canonização formal só tenha sido reconhecida oficialmente em 2012, pelo então Papa Bento XVI. A obra musical milenar de Hildegard faz parte da música sacra medieval de seu tempo, ou seja, sua obra está completamente ligada a seu trabalho teológico, tem cunho moralizante e pedagógico de acordo com a doutrina cristã medieval que era pregada pela compositora. Não esquecer que estamos frente à obra musical de uma santa católica. Mas o que realmente é interessante na obra é que esta foi inspirada por visões da santa. Acredita-se que ela não tenha recebido uma educação formal nos moldes que hoje conhecemos e que sua inspiração para a escrita, para a música, para a medicina e para a teologia lhe viesse pela inspiração di...

A Balada de Chico Moreno e Bicho Feio. Canto quinto - parte 2

“Ô velho do capeta Tu ta fazendo a gente de besta?” Bradou Bento enraivecido Chico acalmou o amigo “Te acalma bento Esse velho de trapaceiro tem talento Mas não posso esquecer a missão Mandar o Bicho Feio pro cão Anda sua desgraça Pede logo tua cachaça” Retardando ainda mais o conto O velho tomou gole mais longo Não se fazia de rogado Esvaziava a garrafa num só trago “Então meu generoso senhor Agora lhe conto ainda com pavor Do que fez o cabra afoito Agiu que nem um doido Frustrada a sua vingança Se voltou contra a criança A filha mais jovem chamada Esperança. Bebe ainda novo Tomou-a nos braços a atirou no fogo! Que tamanha tragédia! A mãe ficou histérica Pulou em cima de Camargo com um grito E na testa levou um tiro O filho mais velho pra mata tentou escapar No intuito de seu pai avisar Mas para não deixar testemunho ocular Camargo correu atrás para o capturar Rápido correu o fugitivo Mas Camargo foi expedito P...