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Um Conto Civilizado (Parte sei lá qual)

Dez para meia noite, lá estava o cidadão comum. Sentado num banco de praça, tomava um refrigerante inocentemente, sem perceber a estranha, e um tanto assustadora, presença que se aproximava pelas suas costas. Não percebeu até que a mão da presença pousasse, de maneira ligeiramente pesada, e por isso mais ameaçadora, em seu ombro. _ Ô tio, compra um chiclete aí. É dois real. O cidadão comum sem querer demonstrar o susto que acabara de levar, se recompos. Respondou num tom meio inseguro, como que pra testar a reação do cidadão alí. _ Não obrigado, não tenho dois reais. _Tem sim tio, compra aí, é pra ajudar nas despesas lá de casa. - como todo bom vendedor ele era persistente, ou simplesmente chato. _ Mas não tenho dois reais trocado? _ Tem quanto aí tio, pra ver seu troco? O cidadão comum se viu num impasse. Tinha na carteira quatro notas de cinquenta reais que imprudentemente deixara de trocar mais cedo e de forma mais imprudente ainda resolvera carregar para uma praça vazia às dez pra ...

Sobre o cinema alternativo.

Terça Feira, 02 de fevereiro de 2010. Estou na filmoteca acreana, assistindo a alguns curtas do 2° Festival do Juri Popular, quando escuto a seguinte crítica, vinda de um cidadão qualquer na fileira acima da minha. "Hoje em dia qualquer coisa vira filme, e é tudo patrocinado isso, ficam gastando dinheiro com esses baitolas que não têm o que fazer" Esse é o cinema alternativo brasileiro empolgando as massas. Enquanto isso leio no G1 que Avatar chegou a soma de 2 bilhões de dólares, tipo, dinheiro pra cacete, o tanto de dinheiro que resolveria minha vida, mesmo aos 21 anos de idade. Sinceramente, não posso tirar a razão desse comentário, o cinema alternativo, feito sob patrocinio, através de escolas de cinema, não empolga mesmo. Muitos deles têm histórias confusas, imagem tremida, a maioria tenta passar uma mensagem, mas será que essa mensagem vale realmente a pena? Será que quem assiste vai realmente se sentir realizado em tentar descobrir um sentido nos dialogos e na montagem...

O Preço do Amor (com adaptações)

Uma tarde, um menino aproximou-se de sua mãe, que preparava o jantar, e entregou-lhe uma folha e papel com algo escrito. Depois que ela secou as mãos e tirou o avental, ela leu: _ Cortar a grama do jardim: R$ 3,00 _ Por limpar meu quarto esta semana. R$ 1,00 _ Por ir ao supermercado em seu lugar. R$ 2,00 _ Por cuidar de meu irmãozinho enquanto você ia às compras. R$ 2,00 _ Por tirar o lixo toda semana. R$ 1,00 _ Por ter um boletim com boas notas R$ 25,00 e _ Por limpar e varrer o quintal. R$ 2,00 TOTAL DA DÍVIDA R$ 36,00 A mãe olhou o menino, que aguardava cheio de expectativa. finalmente, ela pegou um lápis e no verso da mesma nota escreveu: _ Por levar-te nove meses em meu ventre e dar-te a vida. NADA _ Por tantas noites sem dormir, curar-te e orar por ti. NADA _ Pelas preocpaçõs e pelos prantos que me causates. NADA _ Pelo medo e pelas aflições que me esperam por tua causa. NADA _ Por comidas, roupas e brinquedos. NADA _ Por dedicar minha vida a ti, adaptando meu trabalho, minha mor...

Operação Feliz Natal Episódio 1 - Um maníaco a solta.

O delegado Pereira Machado jogou fora o toco de cigarro, ajeitou os óculos e saíu da viatura. Lá dentro os rapazes da perícia já tiraram fotos e jogavam produtos químicos aqui e alí. Um polícial passava o cordão de isolamento pela sala de estar de uma típica casa de suburbio. A mãe da família, chorava abraçada a sua filha, que mostra uma anormal fascinação por tudo, já o pai discutia com um polícial o porque de ele estar levando o Peru da ceia. _ Isso são evidências senhor, a perícia precisa analiasar. - retrucava o policial. O delegado se chegou perto do sargento fulano de tal. _ Então o que temos sargento? _ Um maluco chegou pelo telhado com um bando de viadinhos iluminados e gritando ho ho ho feito um doido varrido, depois entra na casa carregando um saco nas costas. Sabe Deus o que ele queria fazer com aquilo. Olha a criança tadinha, tá em choque. Nos braços da mãe a menina gritava. _ Mamãe, mamãe, eu vi Papai Noel, eu vi Papai Noel. _ Um horror. - comentou o policial. _ É, um horr...

O Diarios Secretos de Seu Zé do Churrasquinho.

Olá, eu sou o Zé. Meu trabalho é fazer churrasquinhos. Faço espetinhos de carne, misto de carne e toscana, carne e frango e só frango. Um real o espetinho, e é um dos melhores da cidade. De acompanhamento vem farofa e macaxeira no copinho. Tenho muitos clientes, mais de cem em noites movimentadas, param alunos de escola, pessoas saindo do trabalho, policiais e até alguns deputados vem da Assembléia até minha humilde banca, de carro é claro. De fato, é muita gente pegando no espeto e botando a macaxeira na boca. (desculpem, não resisti a piadinha). Minha rotina é a seguinte. Acordo de manhã, lá pelas nove, afinal chego em casa para dormir de madrugada, vou ao supermercado comprar as melhores carnes para o churrasquinho da noite, compro alguns kilos de toscana e uns tantos peitos de frango, não muito, o frango vende pouco. Depois, vou ao mercado lá no velho Chiquinho do Macaxeirão (não pensem besteira), compro as melhores manteiguinhas que ele tem e depois com um quilo de farinha de Cruz...

Enquanto isso num país civilizado qualquer...

Cavalheirismo até mesmo em horas de crise: Numa noite, numa rua mal iluminada, um cavalheiro chega através das sombras, icognito e aborda o indefeso cidadão trabalhador: _ Com sua lincença senhor, posso ter um minuto de sua atenção. - diz o desconhecido. _ Pois não, pode falar. - responde a educada vítima. _ Veja bem, isso é uma assalto e se não for incomodar, gostaria que me passasse a carteira, o celular e seu anel de ouro? _ Bem senhor, isso seria um grande incoveniente para mim, será que eu poderia me recusar a fazer isso? _ O Senhor até pode, mas infelizmente eu seria obrigado a matá-lo com esta arma, sabe como é, regras do sindicato. _ Entendo, mas até mesmo o anel? _ Infelizmente senhor. - diz o ladrão com expressão constrangida. _ Tudo bem, aqui está, poderia pelo menos ficar com meus documentos. _ Certamente, não vejo por que não. Aproveitando a ocasião, seria muito abuso pedir que não desse parte na polícia do ocorrido. _ Bem que eu gostaria. - agora a vítma faz a expressão c...

Contratempos no Trânsito.

Era uma manhã comum, num engarrafamento comum, com um Cidadão Comum. Nosso herói estava atrasado para o trabalho, e como desgraça pouca não tem graça, aquele era um daqueles dias de reunião EXTREMAMENTE IMPORTANTE PARA O FUTURO DA EMPRESA, ou coisa que o valha. Claro que justamente neste dia o trânsito tinha que estar mais lento que jabuti, além do que o carro imediatamente a sua frente estava mais lento que lesma, chegou a demorar cinco minutos para sair no sinal verde da ultima vez, quase nosso amigo ficava parado de novo. Seguindo a passo lento outro sinal vermelho. O Sol já estava quente aquela hora, o rádio tava quebrado e o cheiro de cano de descarga perfumava o ar. Enfim veio o sinal verde. Porém. Nenhum movimento no carro da frente. Educado o cidadão comum deu um suspiro “Ai Meu Deus hoje vai ser um dia daqueles”, e como seria, conjuntamente com uma educada buzinada dupla. Nada. O sujeito na frente só podia ter dormido no transito. Mais uma buzinada dupla, dessa vez mais prolon...