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Celulares e Gorilas - dois filmes com Samuel L Jackson

Sou fã de Samuel L Jackson desde seu famoso monólogo Ezekiel 25, 17 em Pulp Fiction e sinceramente acho ele um excelente ator. Porém, Jackson, apesar de talentoso, parece não se importar muito em fazer filmes B, aliás, não se importa em fazer filmes toscos mesmo, como esquecer o clássico Serpentes a Bordo ou aquele dos tubarões cujo nome nem lembro. Com certeza ele tem cacife suficiente para escolher só filmes fodões pra estrelar, mas acho que o maior interesse do velho Jackson é mesmo se divertir fazendo seu trabalho. Particularmente não me importo, até me agrada saber que posso ver um dos meus atores favoritos brilhando num filme do cacife de Tarantino, num blockbuster da Marvel ou na produção B de um diretor que nunca ouvi falar com dois ou três filmes igualmente desconhecidos no currículo. O problema é quando o filme, além de B, é ruim e apesar de ter Samuel L Jackson ele atua tão mal quanto um ator de novela religiosa da Record, como ocorre no filme abaixo: Cell (2016) ...

Estrelas Além do Tempo - Figuras Escondidas

A segregação ao negros nos Estados Unidos era rídicula, matemática é incrível, a ciência levou homens ao espaço na ponta de um lápis. Essas foram algumas das impressões que ficaram em mim ao terminar de assistir o filme Estrelas Além do Tempo. Ou como no título original Figuras Escondidas. É exatamente disso que trata o filme, figuras que ficaram nos bastidores, figuras cujas inteligências eram usadas para o progresso da ciência, mas destinadas a permanecerem nas sombras. A história é focada em Katherine, exímia matemática chamada para realizar cálculos e conferir as contas do grupo de cientistas responsáveis por levar o primeiro homem ao espaço. Além de contar também com duas coadjuvantes de peso Mary e Dorothy, ambas personagens fortes com arcos completos no filme. Todas as três mulheres, negras e talentosas, buscando a chance de serem reconhecidas numa sociedade extremamente racista como era o sul dos Estados Unidos na década de 60. A segregação aos negros nos EUA, um dos focos ...

40 anos do porco voador

Animals, décimo álbum do Pink Floyd, foi lançado no dia de hoje, 23 de janeiro, há exatos quarenta anos. A banda já tinha lançado dois discos marcantes "The Dark Side of The Moon" e "Whis You Where Here" que catapultaram a banda de mais um grupo de progressivo para fenômenos pop. Verdadeira máquina de lotar estádios e fazer dinheiro.  Foi a partir de Dark Side que as letras de Roger Waters começaram a se tornar cada vez mais ácidas, processo que continuou em Whish... tornando-se, em Animals, também politizadas. O álbum, conceitual assim como seus antecessores, baseia-se livremente no livro de George Orwell, "Animal Farm" (A Revolução dos Bichos). Assim como Orwell fez uma metáfora da Revolução Russa usando animais, Waters faz uma metáfora da sua sociedade dividindo-a em cães, porcos e ovelhas. "Dogs" representando os homens da lei, "Pigs (Three Different Ones)" os políticos corruptos e "Sheeps" o povo sem pensamento p...

Sepultura - Machine Messiah

Existem duas coisas nas quais o Sepultura não tem interesse. Uma é perder sua identidade e a segunda é se repetir. Há uma pequena interseção entre esses dois pontos onde a banda consegue fazer um trabalho original sem deixar de ser quem é. Machine Messiah, seu 14º disco, consegue acertar precisamente nesse ponto ao se mostrar um disco moderno, original, inovador e ousado, até onde o limite da prudência admite para que sua sonoridade não deixe de soar Sepultura. Muito da inovação nesse disco, a própria banda credita ao seu produtor, o sueco Jens Borgen, que teve total liberdade para opinar e trazer novas idéias às composições, tornando-se de certo modo o quinto integrante do Sepultura nesse disco. Vemos um Sepultura trazendo elementos novos às suas composições. Um deles, cortesia de Borgen, é a orquestra tunisiana que dá um leve toque médio oriental às canções "Phantom Self",  "Sworn Oath" e "Resistance Parasites", sonoridade que caiu muito bem no ...

Moana - Um mar de aventuras ou uma jornada de autoconhecimento

Em determinado momento do filme Maui, o semideus, define a aventura como saber para onde se quer ir, sem que esquecer por onde você já passou. Alcançar esse equilíbrio entre o familiar e o desconhecido, passado e presente, o tradicional e o novo parece ser a verdadeira busca da jovem heroína do mais recente filme da Disney: Moana - Um Mar de Aventuras. A jornada de Moana traça vários paralelos com o conceito de jornada do herói : o chamado para aventura; a reticência do herói; o mestre, no filme representado pela avó; o aliado, Maui (Semideus, transmorfo, heroi do mundo, em sua própria descrição); a superação dos primeiros desafios; uma ligeira derrota traumática e por fim a recompensa. Todas as características do estilo estão lá, entretanto, é em sua conclusão que Moana se revela muito mais uma jornada de autoconhecimento.  Saber quem você é e onde está é a tônica que guia o filme, tanto em sua narrativa quanto nas canções tema que o embalam, todas excelentes diga-se de p...

Os discos que mais gostei em 2016

Para não ficar de fora das clássicas listas de final de ano vou fazer uma lista pessoal do que mais consumi em termos de cultura pop esse ano, música, proponho uma lista dos álbuns que mais gostei em 2016 sem pretensão de que sejam considerados os melhores do ano, até porque minha lista abrange basicamente um estilo, o rock/metal, basicamente 90% do que consumo em música. Mas óbvio, a gente flerta com outros estilos também. Vamos lá: David Bowie - Blackstar Bowie fez sua despedida do mundo acompanhado de um grupo de jazz ao som do sax, sete canções, tristes, porém poéticas, todas lindas, um clássico do músico. Gojira - Magma Unindo peso e groove e uma pitada de psicodelia, essa banda francesa faz um trash metal inovador trazendo idéias novas para um estilo que muitas vezes parece estagnado. Jack The Joker - Mors Volta Músicos extremamente técnicos fazem aqui um Metal Progressivo de primeira qualidade, po...

Jack The Joker - Mors Volta

 Metal Progressivo é o nome dado ao subgênero que uniu as experimentações musicais do rock progressivo dos anos 70 com o peso e distorção do heavy metal dos anos 80. Nessa categoria estão juntos bandas com sons tão díspares quanto Symphony X e Opeth, clássicas como Dream Theater e inovadoras como Mastodon. O desafio é agregar ao metal elementos como o jazz, folk e música erudita e daí sair um resultado coeso, o que nem sempre ocorre, fazendo com que o estilo seja conhecido principalmente pelos seus excessos. Porém, o estilo também conta dentre suas características com a habilidade técnica de seus músicos, além da criatividade e inovação de seus compositores. O paradigma do estilo foi definido nos anos 90 por bandas dos Estados Unidos e Europa, embora nunca tenha sido um estilo massificado, conquistou seu nicho de fãs e influenciou diversas bandas ao longo dos anos. O Brasil não chegou a produzir um grande nome no estilo, embora características do prog estejam presentes nas d...