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Evangelion 3.33 You Can (Not) Redo

 "Perdão, essa não era a felicidade que você queria" - Kaworu Nagisa Para aqueles que não acompanham a série, vale uma pequena introdução. Neon Genesis Evangelion foi uma série de animação japonesa surgida em meados dos anos 90 com direção de Hideaki Anno, a serie contou com 26 episódios e dois longas metragens, realizados ainda naquela década, onde o primeiro, Death and Rebirth se tratava de um “resumão” dos episódios anteriores e o segundo The End of Evangelion era a tão esperada conclusão épica da série. Evangelion é basicamente duas coisas, uma série sobre robôs gigantes, famosíssimas no Japão, e uma das visões mais originais sobre o Apocalipse onde o destino do mundo é colocado na mão de crianças problemáticas e manipulado conforme um plano milenar (os Manuscritos do Mar Morto) regido por uma organização/seita religiosa, sombria. Não vou entrar em detalhes aqui, há farto material espalhado pela internet. Mas enfim, os anos 90 passaram, Anno se envolveu em ou...

GHOST

Quando conheci a banda sueca Ghost ela já era famosa e sucesso de crítica na maioria dos sites que acompanho, mas nunca tinha me chamado a atenção, a maquiagem do vocalista e as vestimentas do resto da banda me fizeram pensar que se tratava de mais uma dessas bandas de Black Metal revoltadas com Deus e fazendo um som extremo com vocal gutural e uma bateria na velocidade da luz. Sorte minha que um amigo (valeu Oscar) me indicou a banda e me esclareceu do que se tratava, fiquei curioso, fui procurar e conheci uma das minhas bandas favoritas da atualidade. Apesar de ser recente, estrearam em 2010, o Ghost faz um som que poderia muito bem ter surgido na década de 70, não há traços de modernidade aqui tudo soa bastante datado, embora seja muito bem produzido. O vocalista apesar da aparência externa, um papa satânico, canta com uma voz limpa e até mesmo lírica em alguns momentos. O som não tem palhetadas distorcidas, efeitos eletrônicos ou coisas do gênero, ao contrário, bebe de fon...

RESENHA: Ōkami Kodomo no Ame to Yuki (おおかみこどもの雨と雪?)

Assisti ontem a noite esse incrível filme de animação japonesa Okami Kodomo no Ame to Yuki. O filme começa como um romance bobo entre uma jovem estudante universitária, Hana e Ookami, aquele cara bonito, meio desleixado e misterioso, como quem guarda um grande segredo. E o segredo era, o cara era um lobisomem, mas a garota não se importa e eles começam a viver uma história de amor. Eu sei, mais parece uma das abominaveis histórias de Stephenie Meyer, mas não é, porque a história de verdade não começa aí, começa quando esse amor acaba gerando dois filhos, ambos lobisomens como o pai, e este acaba morrendo num acidente tolo, enquanto estava transformado em lobo. Hana encontra o corpo do seu amado sendo jogado na traseira de um caminhão de lixo como um cachorro de rua qualquer. A partir de então Hana tem um desafio, criar seus filhos sozinha num mundo que não pode saber de sua existência e tendo que lidar com os institnto meio humanos meio caninos d...

Resenha: Se um viajante numa noite de inverno...

Sempre é bom começar um ano com um bom livro, no meu caso esse livro foi “Se um viajante numa noite de inverno...” de Ítalo Calvino. Um livro fantástico, original, metalingüístico, pós-moderno, além de muito divertido. O tema principal é a leitura, mais precisamente o amor a leitura, o personagem principal, o grande herói, o próprio leitor. Basicamente o livro é a odisséia de um leitor aflito que não consegue terminar de ler um livro e acaba vivenciando situações kafkianas ao tentar de todas as formas possíveis terminar de ler uma história. Tudo começa quando o leitor vai a loja comprar o novo livro de Italo Calvino, ao chegar em casa e começar a leitura fica estupefato ao perceber que, por um erro de impressão o livro só vai até a página 30, todo o resto é repetição do que já foi lido nas mesmas páginas, assim entra o leitor num labirinto de situações estranhar, personagens bizarros e conspirações malucas, além de várias e várias histórias incompletas, cada uma fazendo parte de ...

Os 40 anos de The Dark Side of The Moon

Em primeiro de março de 2013 completam-se os 40 anos de um dos mais icônicos discos da história do rock, há exatos 40 anos Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Manson mostravam ao mundo uma de suas maiores obras, o disco The Dark Side of The Moon. No ano de 1973 o Pink Floyd não era nem uma bandinha desconhecida de garagem, era um banda famosa, com carreira consolidada e grana suficiente pra mover todo seu equipamento pro meio da cidade abandonada de Pompéia e lá fazer um show ao vivo para ninguém, mas foi com o Dark Side que eles deixaram de ser uma banda famosa para se tornarem um gigante que enchia estádios com show lendários e egocêntricos. E tudo começou com a idéia de fazer um disco que abordasse as neuroses, medos e males que atormentam a vida do ser humano e de fato muitos deles estão lá: a loucura, o tempo, o medo da morte, a ganância, a guerra, o preconceito entre outros. Tudo isso embalado numa das capas mais icônicas da história, um prisma refletindo ...

A Viagem Musical de Chico Chagas

Quem não foi, perdeu. É o que posso dizer sobre o show Piano do Solo do músico Chico Chagas, acreano, filho do sanfoneiro Chiquinho Arigó e residindo atualmente no Rio de Janeiro, Chico Chagas veio ao Acre com um repertório especial onde passa com tranqüilidade e segurança por diversos estilos musicais como a MPB, o Chorinho, a música pop internacional e o clássico. Em duas horas de show o ouvinte viaja com o eco dos acordes e notas saídas do piano, passando por momentos suaves e contemplativos a momentos mais ritmados e enérgicos. Nessa viagem, alguns momentos se destacaram como a belíssima versão para música “Ao Chico” de Tião Natureza ou ainda a valsa Saudade de Mãe, composição de Chico Arigó que o música executou e a dedicou a seu pai que estava presente no recinto a música foi fechada com um tocante abraço entre pai e filho, momentos antes o músico aproveitara o momento para anunciar aos presente e a sua própria família que sua esposa estava grávida e que seu pais em breve s...

Um velho na madrugada.

Quando, resolveu sair da sua vida reclusa e solitária, o velho novamente pensou: “esse tempo não é pra mim, não há mais nada”. Estava ali naquela festa, sentado só   numa mesa afastada no canto do salão, olhava para o palco onde uma dupla de “muleques” de camisa quadriculada, era assim que ele definia, tocavam uma espécie de sertanejo misturado com forró e algumas guitarras. Cantavam sobre “pegação”, cerveja, sexo e carros turbinados enfim, os temas de sempre, mas ainda assim, não funcionava para ele. Aquele velho vivera sua juventude nos longínquos anos 70, viveu fora do Brasil viajando como um errante pelos EUA e Europa, vivendo intensamente cada dia, dias estes que a memória fraquejava em lembrar, mas ainda recordava as drogas e orgias, os carros velhos que pifavam no meio da estrada, as garotas, das quais não lembrava mais os nomes, cujos rostos confundiam-se com um único, de uma única garota, a única que ele levaria na memória até sua morte. Lembrou a fome, das noi...