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Hyouka – Uma homenagem escolar à literatura policial


A frente: Oreki e Chitanda. Atrás: Fukube e Ibara

A ficção escolar, ou seja, aquela que é ambientada em colégios ou faculdades, é um gênero muito comum na produção ficcional para jovens, creio que por ser mais fácil criar um reconhecimento entre obra e público quando a trama se desenvolve em um ambiente familiar e com personagens na mesma faixa etária de seu público alvo. Assim é com diversas séries de TV americanas, assim é na literatura e cinema (exemplo mais fácil é a saga Harry Potter) e assim também na produção ficcional japonesa. Há no Japão um verdadeiro nicho voltado para a ficção escolar, seja nos mangás, animes, light novels, games e até mesmo na área dos eróticos. São tantas e variadas obras que é quase possível virar um especialista no sistema educacional japonês.

Hyouka surgiu como uma light novel que como tantas outras é ambientada no ambiente escolar e vivida por adolescentes, com o sucesso ela acabou se tornando uma série em mangá e em seguida adaptada para anime (seguindo a trajetória clássica do sucesso no Japão, caso continue, vem ainda uma segunda temporada, um filme live action e por aí vai...) e é nesse ponto que ela chegou ao meu conhecimento e é justamente o anime que é alvo dessa resenha. O que me chamou atenção em Hyouka foi o fato de ser uma história que presta homenagem a um de meus estilos favoritos na literatura, as histórias policiais ou histórias de detetives para ser mais exato.

A história começa com Hotaro Oreki um jovem preguiçoso, porém de notável inteligência, cujo lema é “não faço nada que não preciso fazer e o que preciso fazer, faço-o rápido”. Quando estava iniciando um novo ano letivo em seu colégio, Oreki recebe uma carta de sua irmã mais velha, pedindo que ele se junte ao clube de Literatura Clássica, clube do qual ela mesmo fez parte, para impedir que este seja fechado na escola. Contrariado, mas convencido pelos apelos da irmã e se inscreve no clube, crendo que ele seria o único membro e já que não poderia voltar mais cedo pra casa, pelo menos poderia ficar na sala do clube sem fazer nada.

No Japão após o horário das aulas os alunos podem retornar para casa ou participar de atividades de clubes que são montados e presididos pelos próprios alunos, neles são praticadas as mais diversas atividades, esportes, jogos, atividades culturais, etc.

Acontece que Oreki não era o único a se inscrever no clube, pois Eru Chitanda, filha de uma das famílias mais ricas e poderosas da cidade, também se inscrevera no clube, ambos se encontram na sala onde deveria funcionar o clube, mas surge um mistério, quando Oreki chegou a essa sala ela estava trancada e Chitanda não possuía nenhuma chave, esta não sabia que estava trancada e fica curiosa por saber quem a trancou ali, pois a porta estava aberta quando ela chegou. Oreki não dá maior importância ao incidente, mas Chitanda possui uma estranha obsessão pelas coisas que lhe deixam curiosa e acaba forçando Oreki a buscar uma solução para o mistério, seguindo seu lema “o que tenho de fazer, faço rápido” ele aplica seu raciocínio a questão e chega a uma conclusão rápida. A partir daí seu estilo tranquilo de vida jamais será o mesmo, pois Chitanda irá sempre submeter a ele os problemas que lhe despertam a curiosidade e Oreki, que se apaixona por ela a primeira vista, sempre se forçará a abandonar seus estilo preguiçoso de viver.

Mistérios variados vão ocorrendo na série e várias referências, explicitas ou implícitas, a clássicos da literatura policial vão aparecendo no decorrer da história, principalmente relacionadas aos romances de Conan Doyle e Agatha Christie. O modo como Oreki resolve os mistérios lembra muito a Ciência da Dedução de Sherlock Holmes, embora ele próprio lembre mais Mycroft, o irmão genial, porém preguiçoso de Holmes. Tanto é que, embora muito inteligente, Oreki tira apenas notas medianas, pois não gosta de se empenhar tanto nos estudos. Outro personagem interessante é Satoshi Fukube, amigo de Oreki e dono de uma memória enciclopédica a qual se refere sempre como um banco de dados, não raro ele é de utilidade para a resolução dos mistérios trazendo de sua mente dados que são analisados e resolvidos por Oreki. Eru Chitanda, também é de utilidade para resolução dos mistérios, dona de sentidos aguçadíssimos de olfato, audição, visão e memória e é a aluna mais inteligente de sua classe, várias vezes seus sentidos são utilizados nas investigações. Por última temos Mayaka Ibara, provavelmente a personagem mais apagada dentre os quatro principais, ela não tem um talento marcante, mas é inteligente e, também, várias vezes foi utilidade para Oreki, juntos os quatro formam uma verdadeira equipe de investigação que analisam e desvendam uma série de mistérios que ocorrem na escola.

Cabe destacar que a maioria dos mistérios é bem boba, incidentes que seria comuns na vida escolar, porém o que é interessante na série é a acompanhar o raciocínio de Oreki e ver como ele vai conectando as pistas até formar uma teoria lógica que explique os fatos. Exemplo disso é um dos episódios que ocorre inteiramente numa sala, num diálogo entre Chitanda e Oreki e numa teoria que eles desenvolvem baseados num estranho aviso da diretoria da escola, a rigor não ocorre nada, mas a discussão teórica entre os dois preenche todo o episódio sem o tornar enfadonho. Essa narração baseada principalmente nos métodos analíticos e dedutivos trazendo para nós uma conexão com os romances de Poe e Doyle é que é o grande atrativo desse anime. Por isso o considero como uma homenagem escolar à literatura policial.

O anime recebeu um tratamento de luxo, com excelente animação e cenários belíssimos retratando uma típica cidade interiorana do Japão com suas ruas de subúrbio, campos de arroz, grandes árvores de cerejeira floridas e as típicas mansões japonesas. A trilha sonora não é de grande destaque, mas cumpre bem seu papel! Enfim é um anime de alta qualidade técnica.

Um espectador não acostumado com esse universo de animes escolares pode estranhar e até mesmo não gostar de abordagem “teen” que é dada a história, ou seja, sugestão de um romance bonitinho e recatado entre os personagens, o desenho fofo das personagens femininas e por aí vai, mas basta lembrar do público alvo desse estilo e saiba que isso não compromete em nada a história. Pode assistir sem medo! Recomendado
Um trabalho belíssimo de ilustração nesse anime.

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