domingo, 2 de março de 2008

Daquilo melhor escrito que assistido.


Poesia, minha tia, ilumine as certezas dos homens e os tons de minhas palavras. É que arrisco a prosa com balas atravessando os fonemas. É o verbo, aquele que é maior que o seu tamanho, que diz, faz e acontece. Aqui ele camabaleia baleado. Dito por bocas sem dentes nos conchavos de becos, nas decisões de morte. A areia move-se nos fundos dos mares. A ausência de sol escurece mesmo as matas. O líquido-morango do sorvete mela as mãos. A palavra nasce no pensamento, desprende-se dos lábios adquirindo alma nos ouvidos, e às vezes essa magia sonora não salta a boca porque é engolida a seco. Massacrada no estômago com arroz e feijão a quase-palavra é defecada ao invés de falada.
FALHA A FALA. FALA A BALA.

LINS, Paulo. A cidade de Deus. 2ª edição. Ed. Companhia das Letras. São Paulo-SP
2002

Fala a palavra falada,
fala palavra escrita,
fala prosa,
fala poesia.

Assistir Cidade de Deus é bom, ler é ifinitamente melhor, mas engraçado mais triste, mais bizarro. Histórias escritas são sempre melhores escritas. Historias filmadas são sempre melhores filmadas. Daí o titulo.
Um livro de poesia das balas e da morte, da violência e felicidade coberta de medo.
Da polícia do marginal.
O filme não capitou a poesia, e sim a realidade.
Eu prefiro a poesia de uma realidade fudida.
Near
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