terça-feira, 18 de março de 2008

A Balada da Meia Noite.

O jovem senhor andava pelas ruas, as estrelas no céu, a lua cheia pairava num devaneio ilusório, cinco minutos faltavam para a meia noite. A rua esguia, calçada em tijolos, onde almas repousavam naquela noite, menos a do andarilho. A sombra do chapéu cobria seus olhos.
Lá estava o velho casarão mal-assombrado, ele e seus fantasmas do passado, da janela uma sombra etérea aparecia, o fantasma da garotinha, ela lhe acenava, ele lhe retribuiu o aceno. E seguiu com a doce melodia do vento a lhe fazer companhia.
O som das árvores e ar-condionados, seus passos seguiam o ritmo daquela noite profunda, a balada da meia-noite tocava, os fantasmas cantavam em um único som, suas almas se erguiam do solo, e mil coros de vozes defuntas entoavam aquela canção, era uma bela noite.
O intrépido rapaz não se assutava, ele até gostava da companhia dos mortos, eles lhe aplaudiam. O jovem andarilho levava o buquê para sua amada.
Lá estava a janela, ele entrou, depositou o buquê ao lado da jovem. Ela acorda e sorri para ele, uma carícia e um beijo. Ele se despede, já é tardia a hora, ele deve ir. Mais cinco minutos ela pede, ele concede. Conversam, riem, se abraçam, mas as vozes aumentam lá fora, todos estão cantando, os mortos cantam, está tudo tão iluminado. Já vai tarde a hora, é tempo de ir embora.
A manhã vem, a jovem acorda de seu sonho. Um antigo amor de infância, agora morto. Sonhara com ele, e quisera que fosse real. A surpresa aparece em sua face, ela se ilumina com um sorriso, lá está o buquê. Um até breve.
Um dia novamente os mortos cantarão a balada da meia noite e pela sua janela entrarei. E por mais um eterno segundo feliz serei.
Ela sorri, o sol floresce, mas ela ainda ouve vozes. Mal pode esperar pelo próximo concerto.

Near
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