quarta-feira, 12 de março de 2008

Histórias de seringueiros parte II


O vendedor de almas

Calma, calma, essa não é uma história de amedrontar, é apenas um relato do que uma pessoa é capaz pra conseguir o que deseja, sem medir as conseqüências.

Havia um seringueiro em algum seringal da vida na década de 60 que não se contentava com a vida que levava uma vida de exploração e muito trabalho, uma vida sofrida, como a de todo seringueiro.

Pensando em encontrar uma solução ele teve uma idéia!

Em virtude dessa idéia, anos depois ele tinha uma vida de se invejar, montou uma venda com tudo que tinha direito, começou a ganhar muito dinheiro, subiu na vida, financeiramente, pelo menos.

Pouco depois sua mulher o abandou, nunca disse o motivo pra ninguém. “Louca” diziam as demais mulheres, quem em sâ consciência deixaria um homem tão trabalhador que com tanto esforço conseguiu elevar a família a tão alto padrão?

É, elevou a vida, mas o custo foi alto!!

Sua filha que nascera pouco depois de sua sorte começar a sorri acabou suicidando-se.

Alguma coisa estava errada naquela família! Os demais moradores do seringal começaram a acreditar na história de que realmente o dinheiro não trazia felicidade, uma família tão bem estruturada financeiramente, mas tão infeliz no lar. Os mais supersticiosos afirmavam “é macumba”. E outros diziam “ é isso que dá não ir à Igraja”

Curiosos (e acredite, se na cidade tem fofoqueiro, imagina no seringal que não tinha nem uma televisão pra distrair o povo), começaram a investigar a fundo essa situação. E se espantaram com o que descobriram! Em uma noite na beira do rio Amonha ele conversava sozinho, aos berros e aos choros disse que desfazia o contrato, fazia o que fosse preciso, mas que desfizesse o contrato.

O danado na ânsia de enriquecer e ter uma vida de luxo prometeu a alma da filha antes de nascer ao Diabo!

Desde criança a menina era atormentada pelo chifrudo. Quando sua mãe descobriu resolveu ir embora e levar a criança, mas não adiantava mais, sua alma de tão atormentada resolveu partir de vez.

Arrependido tenta desfazer o contrato, mas era tarde demais, a alma do acordo já estava lá com no suplicio eterno, sua mulher havia sumido, e ele aos poucos estava ficando louco. O acordo estava terminado, e em vez de uma alma encomendada, o diabo levou três atormentadas.
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