quinta-feira, 8 de maio de 2008

Chico Fuleiro e o Diabo. - Parte 1

Certa vez houve, por essas matas verdejantes, um certo senhor chamado Chico, sujeito casado, com filhos, com amantes e bastardos, desses de não gostar de trabalhar, esperto que só vendo o Senhor Francisco Fuleiro para acreditar em tamanha esperteza, roubava nas cartas, no dominó, no dado, na sinuca, na conta da cerveja e até mesmo no resultado do jogo de futebol. Era um sujeito esperto, ainda assim era pobre. Claro que isso desagradava muito nosso amigo Chico Fuleiro.
Dias e dias, meses e meses, anos e anos ele matutou em como enricar, mas a riqueza não chegava não. Ela parecia até mesmo se esconder dele. Nada do que tentava parecia valer a pena, sempre meios espertos é claro, seu Chico tinha uma filosofia de que só os espertos enricavam nesse mundo e claro, ser esperto é ser malandro, é ser fuleiro. Isso seu Chico era de mão cheia.
Nunca foi homem religioso, tinha lá suas superstições, mas jamais fora religioso. As únicas vezes que foi à igrejinha local, arranjara um modo de roubar parte das ofertas, e de bônus, levou o vinho do padre. Esperto que só o cão era esse seu pensamento.
Nisso apareceu sua ideia brilhante, ideia de gênio, o Diabo, por que não tentar. Era uma boa maneira de enricar, por que não vendia a alma para o diabo? Era uma excelente idéia! Sem falar que ele era esperto o suficiente para enganar o Capeta, levar a grana e de quebra a própria alma. Então ele resolveu, quem não arrisca não petisca não é mesmo?

Então foi numa noite de lua, o demo em pessoa apareceu para Chico, ignoro o procedimento de invocação, mas ele o chamou. Logo o capeta estava em sua frente, envolvido em vestes negras, sobre um cavalo negro de olhos flamejantes.
_ Por que sua pessoa me invoca até estes recantos do mundo?
_Porque minha pessoa está pessoalmente interessada em fechar negócios com a sua pessoa.
_ Negócios? E o que sua pessoa poderia querer negociar com o Rei do Inferno?
_ Minha alma!
_ Em troca de....
_ Riqueza, fortuna, prosperidade. Mas de um jeito fácil.
_ Acordo fechado, mas não aceito só sua alma. Vai ter que me dar sete.
_ Sete?! Onde é que se arranja tanta alma homem de Deus!
_ Não sou de Deus. Mate sete pessoas que vou lhe indicar, então estaremos de acordo fechado, e a oitava alma será a sua. Espero que aprecie o acordo. Até logo, Senhor Francisco.

Continua........

Gildson Góes
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