domingo, 24 de julho de 2016

Opinião: Stranger Things


Stranger Things, mais recente série do Netflix, já é um sucesso instantâneo na internet, quase uma unanimidade. Acompanhei a série essa semana e me sinto compelido a seguir nessa onda, a série é fantástica. Uma grande homenagem ao cinema de aventura, ficção científica e terror dos anos 80, recheada de referências ao terror de Stephen King, ao cinema de Steven Spielberg, além da cultura pop daquela década em geral, mas vai além disso, é também uma ótima história. 

A trama bem amarrada leva você de gancho em gancho através de oito episódio a decifrar o mistério central através de três narrativas: a história de aventura das crianças, a história de terror dos adolescentes e o drama/suspense dos adultos, todos conectados pelo desaparecimento de Will Byers. 

As crianças trazem a tona o cinema de aventuras juvenis que colocam seus jovens personagens em situações fantásticas e são focados em valores como amizade e coragem, como já visto em filmes como Goonies e Fica Comigo, além de fazer referência a E.T. na personagem Onze, uma garota misteriosa com poderes paranormais que é escondida por um dos garotos. As crianças estão sempre um passo a frente dos adultos, que aliás, sob  esse ponto de vista da narrativa, são praticamente apáticos, vide os pais de Mike, personagem principal, que só percebem as coisas que acontecem ao seu filho no ultimo episódio, sem mencionar Lukas e Dustin, cujos pais sequer aparecem na série. Esse núcleo também me trouxe muita referências a literatura de Stephen King, sempre focado nos personagens mais deslocados socialmente no colégio, mas que se mostram os mais preparados quando as "coisas estranhas" começam a acontecer.

O núcleo adolescente nos traz referências ao cinema terror de monstros (as tantas Horas do sei lá o que... dentre outros), logo, vemos o ambiente escolar, as festas regadas a bebida, o início da sexualidade, o desejo de rebeldia de vitrine, porém aqui, há uma humanização maior dos personagens, aqui a função dos adolescente não é apenas de servir de Buffet de monstro, eles têm importância, crescem e amadurecem em seus respectivos arcos da história. 

Nos adultos temos a inserção do elemento drama, através de Joyce (atuação brilhante de Winona Ryder), a mãe solteira que aos trancos e barrancos tem que sustentar seus filhos, por isso passando muito tempo afastada deles e de repente tem que lidar com o desespero e o sentimento de culpa pelo desaparecimento de seu filho mais novo, Hopper, cherife da cidade, cuja filha faleceu e acaba tomando a busca pela criança como uma busca pessoal, uma redenção.

Some a essas três linhas narrativas a já clássica teoria da conspiração governamental, tema recorrente em filmes americanos essa desconfiança da sociedade quanto as atitudes de seu governo (tema, aliás, muito explorado na clássica Arquivo X), atuações excelentes com destaque para o brilhantismo de Winona Ryder, que consegue passar o desespero misturada com culpa que a leva sua personagem a beira do colapso e Millie Brown, a Onze, melhor personagem da história, com poucas falas, mas muita expressividade a atriz consegue passar todo o complexo de emoções e reações da personagem e você têm a receita de uma série que com certeza será bem lembrada.

Cheguei a dizer, comentando a série com um amigo, que Stranger Things é o que Super 8 (filme de 2011) deveria ter sido, embora o filme tenha sido uma boa homenagem ao que foi produzido na década de 80, proposta que é também a dessa série, pecou por uma história apenas regular, um suspense que não deixa ninguém tenso em momento algum e uma conclusão talvez exagerada demais. 

Eleven (Onze) melhor personagem
Por óbvio que a série tem uma série de defeitos, principalmente no tocante a situações forçadas que não trazem veracidade a história, para sitar alguns, tecnologia aparentemente muito avançada pra década, personagens se colocando em perigo exagerado e desnecessário, um professor de ciências sabe tudo capaz de responder todas as perguntas que as crianças precisam (sério, o cara poderia ensinar a fazer um reator nuclear pelo telefone) enfim, olhando direitinho dá até pra achar mais coisas, quem sabe numa segunda assistida, porque para mim a primeiro experiencias com essa série foi imersão total naquele mundo e na proposta que ele traz para nós, são oito horas de história que poderiam passar como duas e você fica querendo mais.

Recomendado, assista!
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