sábado, 11 de fevereiro de 2017

Estrelas Além do Tempo - Figuras Escondidas

A segregação ao negros nos Estados Unidos era rídicula, matemática é incrível, a ciência levou homens ao espaço na ponta de um lápis. Essas foram algumas das impressões que ficaram em mim ao terminar de assistir o filme Estrelas Além do Tempo. Ou como no título original Figuras Escondidas. É exatamente disso que trata o filme, figuras que ficaram nos bastidores, figuras cujas inteligências eram usadas para o progresso da ciência, mas destinadas a permanecerem nas sombras.

A história é focada em Katherine, exímia matemática chamada para realizar cálculos e conferir as contas do grupo de cientistas responsáveis por levar o primeiro homem ao espaço. Além de contar também com duas coadjuvantes de peso Mary e Dorothy, ambas personagens fortes com arcos completos no filme. Todas as três mulheres, negras e talentosas, buscando a chance de serem reconhecidas numa sociedade extremamente racista como era o sul dos Estados Unidos na década de 60.

A segregação aos negros nos EUA, um dos focos principais do filme, é exposta ao ridículo, pois é mostrada com uma certa dose de ironia-cômica, as personagens não tomam a posição de vítimas e usam de toda sua esperteza para contornar as situações em que são colocadas por sua cor (vide a cena em que Mary consegue na justiça sua vaga para faculdade). Só Katherine protagoniza uma cena mais dramática envolvendo a questão racial, quando leva a famosa "mijada" do seu chefe por seu ausentar por quase 40 minutos por dia e ela joga na cara dele que tem que mijar no banheiro de negros há quase 800 metros do prédio onde ela trabalha, tomar café frio numa garrafa separada e receber um salário menor que seus colegas brancos.

Kevin Costner faz o chefão branco bonzinho Al Harrison, um personagem meio clichê, mas muito bem construído. Um personagem interessante, apesar dele próprio não se importar com questões de cor, também nunca tinha prestado atenção ao ridículo da situação que sua funcionária negra passava todo dia, até que ela finalmente lhe joga na cara. Jim (Sheldon Cooper) Parsons faz o papel do branco antagonista, mas que por fim acaba reconhecendo a capacidade de Katherine a cada sucesso matemático que ela vai conseguindo.

Katherine é uma personagem incrível, sempre ciente de sua situação ela vai, com inteligência e aos poucos, impondo sua inteligência sobre um grupo de homens brancos hostis, mas não tão bons quanto ela, galgando seu lugar onde jamais se imaginou que ela pudesse estar. A coroação de seu personagem acaba ocorrendo com Parsons cedendo e a tratando com o uma igual ao final do filme.

Outro foco incrível do filme é a ciência, um grupo de pessoas focados em levar o homem ao espaço, tendo que fazer cálculos jamais feitos antes. Levando o homem ao espaço graças a cálculos extremamente específicos feitos na ponta do lápis/giz. Além do que, cada vitória científica eram sempre os momentos em que a questão racial sumia no filme e todos esqueciam suas diferenças e focavam-se apenas em duas coisas: o sucesso da missão e derrotar os comunistas. Sim, obviamente temos citações à corrida espacial e á Guerra Fria, do ponto de vista "Deus Salve a América" é claro.

Mahersala Ali, que já tinha roubado a cena em Luke Cage como Cotton Mouth, aparece numa ponta aqui como interesse amoroso de Katherine, embora seu personagem não envolva a trama principal, esse cara é um ótimo ator, quero muito ver ele em Moonlight. Foi só eu ou alguém mais achou o Costner a cara do Michael Keaton nesse filme?

E o que dizer do trio principal de atrizes? Taraji Henson, Octavia Spencer e Janele Monae, brilham como verdadeiras estrelas em seus personagens. Você se identifica com elas, você torce por elas, você vibra com elas a cada vitória sobre a sociedade. Elas não deixam suas personagens caírem na pieguice, dominam as cenas em que aparecem.

Ao final das contas é uma história de superação, socialmente e cientificamente falando. É inspirador, olha eu gostaria de ter visto filme assim quando ainda tinha idade pra querer aprender matemática ou ser engenheiro. Quanto ao Oscar? Ainda sou #TeamAChegada, mas esse é um excelente filme, recomendo fortemente que você assista!
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