terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Histórias de Seringueiros Parte I.


Acredite se puderem pior que história de pescador é história de seringueiro. Não sei direito, mas acho que por morarem no meio do mato sem energia elétrica, todo dia se deslocar pra passar o dia tirando o leite do pau (sacou, sacou) os deixa meio atordoados e com a imaginação um tanto férteis pra bizarrices, e o pior, eles adoram passar isso de geração pra geração!!!!!

Pois bem, quando um seringueiro, ou ex seringueiro, senta pra contar uma história “verídica” que aconteceu com um amigo do parente da vizinha da outra colocação, aí o bicho pega , é cada história macabra que nem os três dias e três noites que o Chicó passou agarrado em um pirarucu navegando pelo rio, ou a viagem em cima de duas tartarugas do Jack barram.

Minha mãe é de uma tradicional família de seringueiros, ou seja, também é uma ex-seringueira, e ela como uma boa mãe que é, naquela época em que todo dia as mucuras iam fazer uma visitinha nas usinas da eletronorte, ela resolvia contar as histórias que seu pai lhe contava, também no escuro, (notou uma certa tendência em querer deixar os filhos apavorados na escuridão?) Acho que nordestinos não giravam bem da cabeça.

Como o meu avô, a maior diversão da minha mãe era ver a gente levantar as pernas pra cima do sofá pros bichos das escuridão que moravam debaixo do sofá nas noites de blecoute ( escrevi certo?) não nos pegassem pelas pernas e nos levasse sabe Deus lá pra onde. E quando a gente ficava até altas horas esperando a luz chegar pra poder dormir.

É pessoal, vida de filhos de ex-seringueiros cujo razão da existência é amedrontar os filhos não é fácil.

Mas pra não escrever um texto enorme aqui, e claro não esgotar toda a minha fonte de imaginação em um único texto, vou escrever as histórias de seringueiros por partes.
Na próxima edição contarei a história do vendedor de almas.
Inté lá ^_^
Elynalia Lima
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