Pular para o conteúdo principal

Zeca e Joca em Conversas no Front de Batalha.

Ainda na grandiosa revolução acreana...

_ Ô Zeca olha lá do outro lado. - falou Joca.
_ Que foi homi?
_ É o Juan Pablo Assuncion de Las Casas. Aquele que era nosso cumpadi!
_ Ah tá to lembrado. Quede ele?
_ Ta ali atirando em nois, vou dar uma palavrinha com ele.
Joca mira sua arma bem no chapeu de Juan e atira. Acena do outro lado.
_Ô Juan, como é que vai cumpadi.
_ Ola amigo, esta tudo bien por aqui, como estão ustedes?
_ Tamo por aqui matando uns boliviano.
_ Yo estoi mantando uns brasileiro, já matei uns cinco.
_ Pois eu já matei bem um vinte boliviano.
_ Ah eu disse cinco? Quis decir veinte cinco.
_ Ah ta eu sei boliviano safado. Oh o Zeca ta aqui também atirando comigo!
_ Ola Zeca!
_ Como vai cumpadi Pablo! E a mulher?
Nessa hora, Zeca entrou em tiroteio acirrado como um boliviano bom de tiro, depois de alguns minutos de grande duelo, bala ia, bala vinha, ele finalmente acertou uma na testa do infeliz. Enquanto isso a conversa continuava animada entre Joca e Juan, terminada a batalha Zeca se escondeu na trincheira pra descansar.
_ Poxa até que enfim. Um descanso pra variar. E aí o Juan já foi?
_ É... foi sim...
_ Nem ouvi o que ele me respondeu da mulher dele.
_ Ah sim eu ouvi, ta muito bem de saúde, forte, pena só que recentemente a bichinha enviuvou.
_ E ta viuva a mulher do Juan? Coitado ele deve ta.... - só então caiu a ficha. - Tu matou ele num matou?
_ Num me olha assim não Zeca, amigos-amigos, guerra é a parte.
_ Pior é que é mermo.
_ Ó lá, ja voltaram.
_ O povinho pra num saber descansar.
E continuam os tiroteios.


Gildson Góes.

Comentários

Bryce disse…
"amigos-amigos, guerra é a parte."

Adorei. Muito bom. Espero que tu escreva mais estórias sobre a revolução acreana. x)

Já pensou em escrever um remake da minissérie amazônia? Acho que vale a pena trabalhar a idéia.
Paulo Victor disse…
ééééé.
ainda bem q continuam os tiroteios.
se não continuassem,
ficaria sem graça a coisa.
abrçs =]
Samuel Bryan disse…
essa ficção ta muito ficção
brasileiros e bolivianos não ~são amigos
uhauahauhah

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha: A Estrada da Noite, de Joe Hill – Um terror sobrenatural e visceral

Com a estreia de O Telefone Preto 2 nos cinemas, me lembrei do autor da história original, Joe Hill , e do meu primeiro contato com sua obra: o livro A Estrada da Noite ( Heart-Shaped Box , no original). Filho do lendário Stephen King , Hill mostra neste romance que o talento para o terror é, de fato, hereditário — mas com uma voz e estilo próprios que o diferenciam completamente do pai. Um astro do rock e um paletó assombrado A trama acompanha Judas Coyne , um ex-astro do rock pesado que vive recluso em uma fazenda, longe das turnês, drogas e da fama. Com um gosto peculiar por objetos macabros — como livros de receitas para canibais e fitas com assassinatos reais —, Jude leva uma vida excêntrica até decidir comprar, em um leilão online, um paletó “assombrado” pelo espírito do antigo dono, Craddock McDermott . O que parecia uma simples brincadeira mórbida se transforma em um verdadeiro pesadelo. O fantasma de Craddock passa a atormentar Jude com aparições assustadoras, um cheiro ...

Tiffany Poon e “O Cisne”, de Camille Saint-Saëns: quando a música clássica encontra a natureza

Foto: Instagram Próxima do lançamento de seu novo álbum Nature , a pianista clássica Tiffany Poon divulgou hoje mais um vídeo promocional — desta vez interpretando a belíssima peça O Cisne , do compositor francês Camille Saint-Saëns . Essa composição é a décima terceira parte de uma obra maior chamada O Carnaval dos Animais , e se tornou a mais conhecida entre as quatorze peças que compõem o ciclo. “O Cisne” é uma excelente porta de entrada para quem deseja se aproximar do universo da música clássica europeia , especialmente da música clássica francesa . Com uma melodia suave , ritmo tranquilo e harmonias delicadas, a peça convida o ouvinte a imaginar o cisne do título deslizando serenamente sobre as águas calmas de um lago. A natureza como palco para a música clássica No novo vídeo, Tiffany Poon rompe com o formato tradicional dos concertos gravados em salões e leva a música para um ambiente natural, onde a água é o elemento central . O cenário dialoga diretamente com a obr...

Os Livros de Sangue de Clive Barker: uma jornada pela estrada dos mortos

Uma boa pedida de leitura para esse dia de Halloween é a coletânea os Livros de Sangue de Clive Barker.  Celebrado por Stephen King como o futuro do horror nos idos anos 80 quando marcou sua estréia na literatura, hoje, Barker já é um clássico e galgou seu lugar entre os mestres do estilo. Várias de suas histórias já ganharam as telas de cinema, sendo que pelo menos uma delas, Hellraiser - Renascido do Inferno, alcançou o status de ícone pop do terror com seu vilão Pinhead. Mas neste texto gostaria de falar sobre Os livros de sangue sua antologia de contos de terror, que para mim é uma das obra mais marcantes do estilo. Um clássico dos nossos tempos cheio de histórias chocantes, macabras, surreais e também, creiam ou não, divertidas. O autor não se prende a um estilo ou tema são histórias envolvendo serial killers, monstros ancestrais, demônios, lendas urbanas, fantasmas, sexo e desejo, enfim tudo pode virar um conto de horror na viva imaginação de Barker.  A Estrada dos Morto...