terça-feira, 7 de outubro de 2008

A Balada de Chico Moreno e o Bicho Feio - Canto quarto.

Canto IV – O caso o irmão assassinado.

Um dia estava Seu Chico sentado
Na varanda olhando pro mato
Quando viu ao longe chegando
Um viajante desajeitado

Vinha torto e acabado
Cansado e machucado
Sua roupa era só o farrapo
Vinha parecendo um coitado

Pra surpresa de Chico Moreno
Quem vinha ali era Chico Bento
Homem grande macho e forte
Como podia ter tido aquela sorte?

Era amigo das antigas
Na infância se metiam em muita briga
Pra provar pros mais velhos a valentia.
E quando brigavam entre si
O resultado do embate
Sempre acabava em empate.

Chegou o Bento fraco do coração
Mal tinha forças pra respiração
Se não fosse forte de fato
Já teria sofrido um infarto.

O moreno se levantou
E na cadeira, o amigo sentou
Chico quis saber o que ele tinha em mente
Devia de assunto do urgente
Pra ta assim só a bagaça
Deve ter acontecido uma desgraça.

_ Valei-me amigo Chico,
Graças a Deus cheguei
Pra lhe o contar do ocorrido
Pelo qual três dias e três noites andei.
Um caso tão sem propósito
Que quase me leva a óbito.

_Diga lá Bento meu amigo
Que tragédia deve ser essa
Que lhe deixa tão aflito?
Conte para mim
Os detalhes do ocorrido.


_ Vosso honrado e corajoso irmão
O risca faca João.
Morreu, num teve jeito
Pelas mãos do Bicho Feio.

O irmão de Chico era João Risca faca
De jovem quebra o dente
de velho quebra a chapa

Nem tão honrado assim era João
Por todos os homens era odiado
E até que eles tinham toda razão
Todos foram por ele corneados

Safado, covarde e valentão
Usava da fama do assassino seu irmão
E provando sua falta de bom senso
Comia a mulher alheia no dia do casamento.

Os cornos coitados
A tudo assistiam calados
Pois como se era sabido
Quem mata mano de Chico
Já sabe que ta fudido.

Então certa noite de chuva
João e Bento estavam em casa
Quando viram andar na mata
Uma mulher completamente nua

Como fossem homens de verdade
Não deixaram passar oportunidade
Debandaram mato adentro
Com o tesão crescendo

Agarraram logo a moça
Uma mão apalpando
A outra tirando a roupa
com todo mundo num foram logo abusando

Mal começada a transa
Já repararam coisa estranha
Que diabo de mulher esquisita
Num se meche nem sendo fodida

Analisando bem o assunto
Aquela mulher parecia defunto
E soltava uma nhaca esquisita
Parecia de carne apodrecida
João se encheu de horror
Tanto que o pinto brochou
e gritou em seu terror:
_Bento ave maria!
O que tamo fazendo é necrofilia.

Bento abobalhado
Nem percebeu que tinha brochado
Tamanho horror o havia assolado
Não podia acredita que era necrofilia
Era safado sim e muito
Mas nunca pra essa putaria.

A mulher morta agarrou João
Derrubou ele no chão
_ Chegou a hora de tu se foder
Cabra safado tem que morrer.

Com o coração no peito
Bento viu surgir o bicho feio
Era tão feia a assombração
Que parecia do cão a encarnação.

Bento correu desembestado
Sem perceber que tinha se cagado
De João só escutou o grito
Agoniado, aflito e dolorido.

No dia seguinte João foi achado
O corpo estava nu
seu pinto fora capado
E enfiado no cú.

No dia seguinte o corpo foi a terra
Não tinha ninguém no enterro
Homens fizeram uma festa
E a cidade compareceu em peso
Comemoraram com alegria e furor
A morte vergonhosa do estuprador

_ Eu tentei defender o coitado
Mas levei um murro
E cai desmaiado
Quando acordei já o tinham levado.

Bento terminou seu conto
Mudando um ou dois pontos
Pra se passar por corajoso
Apesar de ter agido como medroso

_ Tadeu prepara as malas que vamo viajar
Pra minha cidade eu vou voltar
Que esse assunto precisa de solução
Chico Moreno vai matar assombração.

Gildson Góes.
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